Refletindo sobre o Flu (por Thiago Muniz)

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Meu caro (a) amigo (a) tricolor,

Preciso compartilhar certa aflição que tenho sobre os meus sentimentos pelo Fluminense Football Club. Na segunda-feira passada, eu participei de uma palestra com a presença de torcedores ilustres do Tricolor, entre eles Paulo-Roberto Andel e Fagner Torres, os quais muito estimo, e o palestrante em questão era nada mais nada menos que Antonio Gonzalez, torcedor histórico com meio século de vida no clube.

Recebi um choque de realidade da história do clube. Peço o perdão poético e admito que não usufruí dos tempos românticos e áureos do Flu.

Nasci no ano de 1983 e só consegui dar o meu primeiro efetivo grito de campeão pelo clube em 1995, com 12 anos, no antológico gol de barriga. Depois veio o período mais vergonhoso, nas quedas para as séries B e C. Só gritei “campeão” novamente em 1999, com a conquista da série C. Depois dali veio o “Caixão” de 2002, o brilhante título de 2005, a Copa do Brasil de 2007, o Carioca de 2012 e os títulos brasileiros de 2010 e 2012. Ponto.

Achava que era o máximo do máximo, partiríamos para a conquista da Libertadores (o que quase ocorreu em 2008) e quem sabe, o Mundial de Clubes da FIFA. Achava que vivi o ápice do ápice em títulos. Só que não.

Pois bem, recebi o choque de realidade, e foi constatado que o clube está sofrendo o processo de apequenamento durante os anos, saltado pelos momentos Unimed concentrados entre 2007 e 2012. Mas porque esse processo? Explicarei o meu ponto de vista.

Sobre a política, item que afeta diretamente o futebol, ainda mais em ano eleitoral: um clube onde o contraditório de opiniões não é bem vindo, uma força política que ampara uma tropa a patrulhar e hostilizar aqueles que possuem outros pontos de vista, a oposição que na verdade é “situação”, Que política é essa? Mas como? Não vivemos numa democracia?

Sobre o relacionamento com o torcedor: pífio. Em qual lugar do mundo o negócio pode ser bom se o cliente preferencial é tratado com desdém, baseado na lógica de “pague a sua mensalidade e bico calado”, ou “Não reclame,torça!”?

Voltando à palestra, pude perceber que eu não sei o que significa exatamente viver a época áurea do clube para o qual torço: não vi o casal 20 com o tricampeonato, o título de 1984, a Máquina Tricolor dos anos, a conquista do Robertão 1970, do épico carioca de 1969. São só exemplos clássicos. Lá o Fluminense era grande e se mantinha como grande. Nos dias de hoje patina na irregularidade, mesmo tendo conquistado dois campeonatos brasileiros.

Meu grande temor hoje é de a torcida, hoje tão afastada, perder a vontade de ir aos estádios e se transformar de vez em “torcida organizada pay per view”. A tendência é essa.

Eu quero ver um Fluminense bem diferente, unido, plural e capaz de se reinventar para novas conquistas, mas o prognóstico daqui para frente não é dos mais animadores. Não dá para viver só de manchetes circunstanciais.

Desculpe o transtorno, mas quem tem menos de 35 anos viu ao vivo pouca coisa da grandiosidade do Fluminense, que possuía uma torcida capaz de criticar quando necessário e prestigiar o clube entusiasticamente, mas tudo de uma maneira racional. Eu sou dessa geração e espero por dias melhores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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