Por que a torcida do Fluminense não vai ao clássico como deveria? (por Paulo-Roberto Andel)

O debate sobre a presença da massa tricolor no próximo domingo tem causado debates naturais. Colegas como Jorand e Gonzalez cobraram com propriedade a participação popular, além da mobilização dos ditos (e muitas vezes auto proclamados) influenciadores tricolores na questão, ainda que a maioria não influencie sequer a si mesma, apesar do impulsionamento para os likes.

A questão tem algumas raízes profundas e outras nem tanto.

Há muito, o torcedor tricolor vem sendo esvaziado em sua presença, especialmente na década perdida desde 2013. A perda do referencial do Maracanã fez do Fluminense um nômade sem identidade, e isso afastou muita gente para o PPV para sempre. Vagamos por Volta Redonda e Edson Passos, sem pertencimento.

Depois, a sucessão de times ruins e abarangados foi vendida com o patético discurso flusocista. “Vá ao jogo, é sua obrigação. Aplauda a bizarrice o tempo inteiro, faça seu papel de claque e depois faça uma grande festa”…

Nas últimas temporadas, o Fluminense deixou de ser o rebaixável para se transformar num bom coadjuvante, com colocações respeitáveis mas docilidade suficiente para não ameaçar qualquer campeão, e jogando boa parte do tempo com as arquibancadas lacradas por conta da pandemia. A exceção foi no Carioca passado.

A draga que virou o futebol do Rio desmobiliza e vulgariza os clássicos. Não sendo uma decisão, dificilmente uma partida entre os grandes clubes vai mobilizar 70 ou 60 mil pessoas – há quase 40 anos, João Saldanha considerava esse tamanho de público como minúsculo, mas os tempos mudaram.

Por fim, um estranho fenômeno. Talvez mais interessada no resultado financeiro do que na participação tricolor, a própria direção do clube já acertou inúmeras bolas fora quando o assunto é mobilização de torcida. Além do marketing zero, ainda trabalha para que as torcidas adversárias ocupem os espaços potencialmente tricolores. Exemplo maior do que a final do Carioca 2022 não há: fizemos os dois jogos da decisão com a nossa torcida em minoria, enquanto a rival ocupou o espaço que nos cabia, simplesmente porque o Flu facilitou ao máximo a presença rubro-negra nos confrontos finais.

Somando as parcelas acima com a desconfiança sobre os caminhos tricolores em 2023, agravada pelo papelão no pênalti diante do Botafogo, algo que não mudou da água para o vinho com a vitória sobre o Audax, e está desenhada a fórmula para que o mandante, mais uma vez, seja minoritário nas arquibancadas do Maracanã. Não apenas parece exótico, mas é. Contudo, para um clube cujos dirigentes se orgulham da saúde financeira à base de balanços completamente ressalvados, o exotismo chega a fazer sentido.

Apesar de tudo, que venha uma vitória tricolor consagradora no próximo domingo. É tudo que precisamos.

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“Fluminense Cotidiano: crônicas do tempo” é meu 22° livro sobre o Tricolor, e será lançado em cerca de 60 dias pela Vilarejo Metaeditora.

Nele, comento jogos do Fluminense que nem todos se lembram, mas que ajudam a entender um pouco da nossa história, além de alguns perfis de torcedores e jogadores do nosso clube. Termino a redação no próximo domingo e me considero muito feliz com o resultado.

O livro conta com pérolas como uma crônica de Ivan Lessa e um texto inédito do genial escritor Sérgio Sant’anna, infelizmente falecido na pandemia, além da lembrança de Chico Buarque no Pasquim. Também conta com a participação da escritora e tradutora Rita Sussekind.

Excepcionalmente, “Fluminense Cotidiano” não terá uma cerimônia de lançamento. A maneira para obtê-lo é através da pré venda (R$ 50,00 cada exemplar) pelo whatsapp 21 99634-8756, no Sebo X. A tiragem corresponderá ao número exato de exemplares pré-vendidos, seja qual for.

A literatura do Fluminense é extremamente dinâmica, com dezenas de autores, inclusive escritores profissionais consagrados, e nem de longe se limita aos livros de arte produzidos pelo clube.

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