Política – II (por Rafael Rigaud)

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No meu entendimento, amigos, é possível, ao analisar todo esse cenário, fazer dois apontamentos.

O primeiro é a de que nosso mandatário poderia, caso isso fosse fruto da vontade do Flu, ceder, SIM, o setor ao rival nessa única ocasião de forma pontual (não apenas pelo fato de o jogo estar marcado desde antes do acerto nosso com o concessionário do estádio como também pelo fato de ser um jogo de aclimatação de duas torcidas cariocas na nova arena), e isso não apenas não seria nenhum demérito como colaboraria com uma boa relação com o coirmão (a boa e velha política de boa vizinhança). Porém, a partir do momento em que setores do Vasco demonstraram querer EXIGIR ALGO do Flu de maneira indevida e deliberada, então o certo a se fazer era não ceder (o que foi feito acertadamente), já que seria indicativo de fraqueza e subserviência para com o rival (algo que não tem cabimento em hipótese alguma).

O segundo é o de que o Vasco está insatisfeitíssimo com o fato de o Fluminense olhar no olho e falar de igual pra igual (já que tentou nos anos 1990 construir um status-quo de superioridade frente ao Flu). Para o time cujo presidente afirmou que vencer o Tricolor não valia bicho pois, para ele, éramos ‘time de terceira linha’, está doendo ver que aquele que apanhou feito cachorro sem dono enquanto eles tiveram sua fase mais vitoriosa (aos mais novos cabe explicar: a década de 1990 foi a pior da nossa história e a melhor da história deles,em simultâneo) não mais se põe perante a eles de qualquer forma que não seja em pé de igualdade.

A tentativa do Vasco e de vascaínos de cobrar supostas pendências do Flu, esconde uma estratégia de dominação política onde aquele que está devendo (como contrapartida de ser devedor), deve sempre atender aos caprichos de quem é seu credor. Dentro dessa lógica, vale mais postergar ad-eternum essa cobrança fazendo o pseudo-devedor se sentir obrigado a se curvar frente ao outro e, através disso, auferir inúmeras vantagens, muito maiores que a própria suposta dívida (daí a postura truculenta, intransigente e a exigência de ter o setor que sempre havia tido, comportaram-se como se tivessem o direito, o dever e a obrigação de colocar o torcedor tricolor e o Fluminense num patamar diferente, menos nobre, menos respeitoso). Os vascaínos dos anos 1990 aprenderam isso e acharam que estava certo proceder assim, mas foram surpreendidos com a defesa tricolor de seu direito de escolher o que fazer.

A constatação de que dentro do Brasil, o Flu nada deve ao Vasco (4 brasileiros para cada, 1 Copa do Brasil para cada e mais estaduais repousando nas Laranjeiras que em são Januário) e, que algum tempo atrás, isso era inimaginável para eles, está sendo dolorosa.

Política é o estudo das relações de poder entre países, grupos, instituições.

A relação de poderes voltou a ser o que sempre foi (os anos 1990 foram ponto fora da curva) e, SIM, isso está incomodando o lado de lá.

Rafael Rigaud

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

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