Para virar ídolo (por Ernesto Xavier)

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Muito ouvimos falar nos programas esportivos sobre as categorias de base do Fluminense. Todos parecem encantados com nossas crias e não é para menos. De lá, nos últimos anos, saíram Marcelo, Thiago Silva, Alan, Maicon Bolt, Kenedy, os gêmeos do Manchester, Wellington Nem, Gerson, Diego Souza, Marlon. Temos ainda no time titular Marcos Júnior, Gustavo Scarpa e Léo Pelé.
Uma geração de ouro que venceu o primeiro Campeonato Brasileiro Sub-20 está se preparando para conquistar espaço na equipe principal ou para ganhar experiência em outros clubes, como tem sido com Biro Biro, na Ponte Preta.

O investimento em Xerém tem sido a salvação do clube. Cria bons jogadores para o Fluminense, ajuda a balancear a economia, já que podem ser vendidos, além de terem identificação com o Tricolor.
Os anos de Unimed dificultaram a ascensão dessas promessas, pois dava prioridade aos jogadores conhecidos que negociavam. Era lucrativo para a patrocinadora, que bancava a maior parte dos vencimentos dos atletas, mas queria valorizá-los no mercado, para depois lucrarem com a venda.

É bonito ver o empenho dos garotos para fazer o time vencer. Isso ficou nítido na partida contra o Grêmio. Scarpa vem sendo o jogador mais regular do time. Corre todo o campo. Arma, desarma, cruza, bate falta, escanteio. Já jogou na lateral e no meio. É aquele jogador que todo treinador sonha em ter. Não entendo como os “olheiros” europeus ainda não o descobriram. Bom para nós! Que fique ainda muito tempo no time.

O que me preocupa é a saída rápida desses jogadores para o exterior. Eles não conseguem criar identidade com o clube. Saem antes de criar laços mais fortes com a torcida. Não viram ídolos.

O último caso foi Thiago Silva, que chegou a conquistar a Copa do Brasil e foi à final da Libertadores de 2008.

Qual seria o maior lucro? Manter o jogador promissor mais tempo no clube, podendo ganhar campeonatos e criar um ídolo ou vendê-lo para fazer caixa?

O primeiro caso é um risco, eu sei. Mas não valeria o esforço? Veja o caso de Neymar. Ficou alguns anos no Santos, mesmo sofrendo o assédio estrangeiro, mas deu títulos, aumentou a torcida e levou torcedores ao estádio. Sei também que não surge um Neymar toda hora, mas alguns jogadores que hoje estão no Fluminense poderiam virar ídolos da torcida. Por que não?

Está certo que os garotos desde as categorias de base já sonham com o Real Madrid, o Bayern de Munique, o Manchester United… São os times que eles jogam no videogame. É necessário retomar o orgulho de defender as cores de um time brasileiro. Mostrar a eles que ver a torcida tricolor vibrando, fazendo festa, vendo treino, pedindo autógrafo é tão importante quanto disputar a Premiere League. Jogadores, torcida e clube ganharão com isso.

O ídolo enche estádio, vende camisa, traz conquistas. Nós temos que aproveitar que nossa fonte de criação está jorrando talentos. Vamos colher os frutos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @nestoxavier

Imagem: ffc

CAPA O FLUMINENSE QUE EU VIVI AUTÓGRAFOS

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