O líder (por Zeh Augusto Catalano)

tres cores com  cifrão

Toda democracia é uma maravilha desde que, no final, exista alguém para dar uma porrada na mesa e decidir.

Este é o líder. Positivo ou negativo. Natural ou imposto pelo medo ou pela força. Bruta ou econômica. Por quem tem o dinheiro.

Tem ocasiões em que este líder não existe. Ou existe a figura central do líder, mas este é fraco, de forma que o comando central inexiste. Reina então o caos. Cada um fala uma coisa, puxa a brasa para sua sardinha e o clube (empresa, grupo, equipe etc) não sai do lugar, pois não é raro que as decisões se anulem sucessivamente. Um bom exemplo disso? Roberto Dinamite.

Em outras ocasiões, há mais de um líder. Cada um chefiando seu bando, querendo furar o olho do outro, mandar mais. Socar a mesa. Mas não consegue. Porque são todos igualmente fracos o suficiente para não preponderarem sobre os demais.

Pior ainda é quando nessa última situação falta a mesa. As pessoas discordam, e sequer conversam. Não decidem nada. Não há mesa pra socar. Há líderes, mas não comando.

Olhe pros outros times do Rio. Você vai dizer sem pestanejar quem manda neles.

E no Fluminense? Quem manda no Fluminense?

As notícias mais estapafúrdias circularam hoje, dia da oficialização de Enderson Moreira no cargo. As razões da saída de Drubscky do cargo. As razões da escolha de Enderson. As coincidências fora de campo. Tudo publicado na internet antes de qualquer pronunciamento por parte do clube de forma oficial.

Internet. Redes sociais. Muita gente e muitas entidades, clubes, dirigentes e inclusive veículos formais de comunicação ainda não entenderam o alcance e o poder da web. Não compreendem que divulgar suas verdades para as TVs amiguinhas não garante mais, como antigamente, que isso seja aceito como a verdade dos fatos. Há milhares de espaços como este aqui, com seus leitores, publicando suas verdades. Nem sempre tão verdadeiras. Ou não.

Então, com a ausência do pronunciamento formal de um líder do clube, surge o tiroteio de versões a que assistimos, pasmos, hoje. Porque quem fala primeiro, conta a sua versão dos fatos. Quem chega depois tem de se justificar, negar o que foi dito, explicar o que muitas vezes é, de fato, mentira. Só que o estrago já está feito. A cabeça do torcedor já foi posta a fervilhar com a primeira versão que ele ouviu. É do ser humano acreditar naquilo que lhe foi contado primeiro.

Tivesse reunido a imprensa a tempo, explicado os porquês da coisa toda antes da fofocada, teria muito menos gente acreditando nos absurdos que circulam por aí

Mas pelo visto tem muita gente socando a mesa. Ou há um fundo enorme de verdade na boataria.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pra/guis

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