O homem da mala de Happybath/ O caso KH (por Alva Benigno)

Numa semana de intensa movimentação política no clube, Chiquinho Zanzibar viu seu iPhone rosáceo pipocar o tempo inteiro com mensagens, mensagens, mensagens, áudios e propostas para que cativasse conselheiros a aprovarem el orçamento.

Naturalmente, os contatos mais frequentes foram feitos pelo Dr. J.C.C. Oliveira, cuja sigla esconde muita coisa. A princípio, o velho safado achou que se tratava de um trote, tendo em vista o esquisito nome do cidadão, mas o interlocutor imediatamente mandou a foto de um boleto em seu nome e desfez o mal entendido.

A seguir, Juça explicou que era um representante de ninguém menos do que Agaynaldo Happybath, o mais preocupado de todos com as contas, dizendo que Chiquinho deveria entender o momento. Só que Chiquinho Zanzibar é tricolor pra caralho, como diria o lutador careca, e não admite gente que faz merda e não assume, conforme sua ética peculiar:

– Fala para a boneca Falcon que eu não negocio com vagabundo da Baixada. Quando ele for de Copacabana, by Résidence Chopin, aí poderemos ter uma conversa. Detesto suburbano cafona metido a grã-fino. Ô, cidadão, tu não pensou em trocar esse seu nome não? Veja bem, você está telefonando para um nobre, um herdeiro de Zanzibar y Zanzibar, tá pensando o que nessa porra?

– Seu Chiquinho, me desculpe. Eu não fiz por mal, apenas cumpri ordens para lhe procurar. Eu só faço o contato e levo a mala, se preciso for.

– Ok. Vamos combinar uma coisa: não lhe interessa como eu vou conseguir os votos, assim como não me interessa saber de onde vem essa grana. Combine com Agaynaldo no restaurante Gayviotas. Um homem meu estará de prontidão observando o ambiente. Quando ele te der um sinal mágico, você pega a mala, sai varado e venha me trazer na avenida Gomes Freire. Estarei no hotel Oh Tel, o número do prédio é 2424.

– Ih, Seu Chico, posso anotar esse número para fazer uma fezinha do jogo do bicho?

– Meodeuxxxx, que POBREZA!

Juça viajou para o Rio no dia seguinte, acertou o esquema e foi para o Gaivotas afim de se encontrar com Agaynaldo. É certo que Chiquinho daria um golpe de mestre, pois não tinha nenhum voto de coisa alguma para vender e corromper. Se embolsasse a grana, Happybath teria que engolir a seco. O que diria: que foi passado para trás porque tentou subornar alguém?

O restaurante bombando e o homem de Chiquinho Zanzibar chega à mesa onde estão AH, Juça e diversos correligionários do bastião da moral tricolor, cerca de dez opositores do poder. Apenas para pontuar, todos eram homossexuais ali, o que sentido porque o Gayviotas é um estabelecimento para entendidos em geral. O estafeta apenas diz “O caminho está livre”. Imediatamente, Juça se levanta e, serelepe, dispara rumo à saída do restaurante com uma mala pesada, quase inarrastável. Em segundos, ele está num carro e dispara rumo ao Oh Tel para encontrar com Zanzi. Mas o que nem Juça, nem Happybath nem a sua Scuderie Le Bofe anticorrupção sabia era que, claro, o velho safado estava gravando tudo do lado de fora do Gayviotas: colocou dois bofes maravilhosos num carro filmando as cenas, ambos indicados por Mister Filhão, um mestre na arte de bisbilhotar. Experiente, Chiquinho é um FDP clássico: acertou um suborno para embolsar dinheiro, não ia gastar um tostão com nenhum subornável, aplicaria uma tremenda volta em Happybath e, se este tentasse dizer qualquer coisa, seria fuzilado com a divulgação de um vídeo com seu homem da mala em ação.

Ao chegar no Oh Tel, o solícito Juça encontrou Chiquinho numa suíte com duas garotas de programa, muito bonitas, chamadas Sharon e Kelly. A fase do velhote pilantra mudara de vez. O homem da mala elogiou as garotas, entregou a encomenda  e Chiquinho mandou uma letra, certamente usando o emissário como garoto de recados:

– Seu Jota, aqui é 100% macheza, é bucetão bem melado na boca, meu bem. Não é aquela boiolice da turminha que gosta de saltinho, nadinho, cordinha, aquele pessoal esquisito que ronda o teu patrão. Todos eles têm passado e presente mesmo casados: tem muita gente ali com duas mil horas de sauna turca. Posam de vovôs no parquinho e na piscina infantil, mas adoram um trepa trepa com pega varetas na baitolagem maçônica, que eu sei. Vão se fuder: eu sou é Football Club, tá me entendeno (sic)? Quem escolhe essa viadagem de esporte olímpico é porque nunca soube jogar bola. Quem estiver insatisfeito, vai pro primeiro clube de regatas da esquina, e no RJ tem as duas coisas de sobra. Remo é coisa de veado enrustido, que segura em um pedaço de pau todo dia.  Se eu fosse você, deixava esses cuzões de lado e vinha de vez para o Rio, trabalhando diretamente comigo. Posso te abrir vários caminhos irresistíveis, assim como te blindar em caso de emergência, o que essa turminha jamais fará.

O recado era evidente: os espártacus do club estavam acostumados a fazer chantagens com Happybath e poderiam fechar um acordão. Mas Chiquinho Zanzibar não é Zanzibar à toa e fulmina Juça com uma proposta para Happybath: se este ficasse livre da Saramandaia financeira que fez, jamais poderia ser novamente candidato à presidência do club, e também teria que passar a escritura de seu portentoso escritório de administración de carreras para o nome de Chico.

Durante a conversa, Chiquinho recebe uma mensagem de desculpas do blogman Mister Perdão, o sócio de Rice Powder, um militante de Happybath. Um homem sem interesses, que tem o adesivo no carro “é bom ser do bem”, que odeia dissimulação, sempre em busca de justiça. De fala firme, apaixonada e contundente. Que põe a mão no fogo por AH, tal como o diabólico ex-senador ACM fez com com o ex-senador – e atual detento – Arruda no escândalo do painel de votação do Senado Federal. MP teve desentendimentos com Chiquinho, mas ao mesmo tempo resolveu pedir desculpas numa nova fase de sua vida. Já o tinha feito com o artilheiro Golden 9, depois de tê-lo empalado em público. Paz, amor e perdão, em nome de Deus contra a corrupção. O velho Chico olha o texto e responde com um emoticon de beijinho, mas ao mesmo tempo grita para todos: “Falso feladaputa do caralho solto!”. A seguir, manda um áudio:

– Meu querido amigo, verdadeiro cavaleiro da ética e moral do club: recebo com muita alegria este texto e o aceito de coração. Mas em troca eu te peço um favor: será que você tem como interceder a meu favor para que nos intervalos dos jogos do Maracanã aconteçam leituras de trechos do meu livro, quero dizer, do livro que a jornalista Alva Benigno está fazendo sobre mim? Tem cada história, bafão, é bem polêmico, acho que o pessoal vai gostar. Você tem influência, pode me ajudar muito. Agora, não é pra ajudar que nem na campanha do Happybath, porque de derrotado já basta ele.KKKKKKKKKKK!

A risada caótica do velho calhorda ecoa na suíte e, a seguir, nova explosão de alegria no Whatsapp de Chiquinho: chega o vídeo gravado de Juça correndo com a mala, e é claro que o trouxa do boneco de Happybath nem percebe o que aconteceu. Num súbito, o danadinho office boy de Happybath está ocupadaço, beijando um dos seios de Sharon, uma bela mulata de 1,60 metro. Kelly, morena apetitosa e redondinha, está sorridente para Chiquinho. Os dois casais se encaminham para a confortável cama, sugerindo que a sacanagem rolaria solta. O clima começa a ficar quente, mas Juça puxa Chiquinho e lhe fala ao ouvido:

– O senhor me desculpe, mas é que eu conversei outro dia com aquele blogayro, o Barbitchinhah Blaset. Eu tive que fazer uma entrega, o senhor sabe como é. Aí ele me contou uma coisa horrível. Seu Chiquinho, o senhor não vai KH na minha boca, né?

– Quer saber duma coisa? Vira pra cá duma vez, pra você sentir o que é ser macho de verdade nessa porra! Colega, do KH pro KY é um PULOOOOOOOOOO!

E uma estranha sentença desconexa:

– Eu quero o jagunção dos jagunções só pra mim! Comigo é na decisão: eu pego gostoso e faço. Ficar de nhé nhé na internet é coisa de velha e viado virgem que não vivencia seu tesão.

As duas duplas explodem em risos de putaria – Sharon e Kelly se contorciam -, enquanto o eufórico Zanzibar começa a cantar com sua voz inigualavelmente fina, desafinada e, por isso mesmo, marcante e imponente, tudo isso enquanto pratica o velho hábito – ou melhor, vício – de enfiar a mão na própria bunda por dentro da cueca e ajeitá-la:

– Vamos beberrrrrrrr cerveja, chupar bucetaaaaaaaaaaa e torcer pro Tricoloooooooooooooooooooor!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: gugol

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