O eterno rei do futebol (por Rubem Gonzalez)

Tenho lido bastantes postagens tendo como tema central a figura de Pelé, Luis Arantes do Nascimento para os íntimos, o mais bem sucedido jogador de futebol que já tivemos noticia, o atleta perfeito que hoje claudica numa decrepitude física desproporcional para a sua idade,

A maior parte do que leio dele eu discordo totalmente, afinal apesar de me considerar um animal político não aguento mais o julgamento identitário de todos os indivíduos que habitam ou habitaram esse planeta, estou de saco cheio de falar de futebol e ser obrigado a escutar um edificante estudo sociológico, via de regra deturpado sobre o indigitado em tela.

Um dos maiores erros contemporâneos que as pessoas cometem é fulanizar a vida de Ídolos, eu honestamente não sei os ingredientes da vida particular do Pelé no relacionamento com a sua filha ou os problemas advindos dessa relação acho eu que qualquer julgamento que eu fizer do mérito de causa com conhecimento que eu tenho – e acredito todos nós tenhamos – é leviano e não deveria ser emitido publicamente.

O Pelé não é nenhum animal, não é nenhum monstro, nenhum ser abissal, cobrar posicionamento político dele acho uma idiotice, ele nunca foi candidato a nada, nunca meteu os pés na política e não, absolutamente ele não deveria pegar em armas ou fazer parte de um grupo guerrilheiro por ter vivido o período da ditadura de 1964.

Pelé era um jogador de futebol só isso, numa época em que ele conseguiu se destacar mundialmente pela qualidade da sua atividade e não por fenômenos midiáticos criados por grandes corporações, honestamente acho que cobrar dele posicionamento em relação a lutas raciais e ideológicas políticas em geral passa de covardia e se torna canalhice,

Ninguém é obrigado a se engajar em movimento algum para ser considerado um ser digno de respeito. As vísceras das suas relações e tragédias pessoais – são várias – é algo que só lhe diz respeito, os méritos são todos seus e os ônus e tragédias também, erros e acertos nos acompanham a vida inteira, fazem parte da nossa história, da história de cada um.

A sua vida particular só diz respeito a ele mesmo, as poucas pessoas minhas amigas que o conheceram sempre o chamaram de gentil, humilde, boa praça, generoso e inúmeras vezes enganado por terceiros exatamente por essa ingenuidade, daí eu sempre me referir a Lei Pelé como um engodo onde ele foi usado por pilantras.

Eu pessoalmente sei o que ocorreu entre ele e sua filha, mas como já disse não me cabe aqui julgar a sua vida pessoal e muito menos suas tragédias, são patrimônios e fantasmas seus, sei que ele é execrado por identitários que de um tempo para cá se puseram a esmiuçar a vida de todos sob sua ótica e sob suas demandas.

O que eu tenho a falar de Pelé é que ele foi único, igual a ele possivelmente não haverá outro, um atleta á frente do seu tempo, um brasileiro fenomenal que fez o Brasil começar a ser respeitado mundo afora, alguém que nunca topou jogar fora do Brasil, e quando o fez foi depois de aposentado depois de ir à falência e perder tudo que conquistara na vida.

Todas as conquistas de Pelé são nossas também, ele é um ídolo mundial, já fez tréguas entre países e já apaziguou guerras, isso sem nunca ter dado um tiro sequer. Pelé sempre foi dez e assim sempre o será, só seus feitos na sua atividade é que me interessam, se nunca foi um revolucionário jamais foi um anticomunista, Pelé sempre foi sinônimo de bola.

E que assim permaneça para todo o sempre, amém!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: rub

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