Nada a temer! (por Alva Benigno)

alva japonês tricolor

É UMA RAPOSA, NÃO UM PAVÃO

Agnaldo Happybath tem a estranha mania de mudar regularmente seu número de celular. Chiquinho Zanzibar vai lá e, sorrateiramente, pelos caminhos dos carinhos, consegue. Desta vez liga e, numa rajada só, espécie de AR-15 das purpurinas, dispara: “Você trouxe as barangas e eu lucrarei com elas todas. Ajudarei a desovar tudinho, vou sair como herói de guerra. Aprenda uma coisa, seu emergente rançoso, estou no poder porque sou sempre situação.”

A noite não havia começado bem. De rebordosa de três dias de sexo total e completo, difícil de imaginar o que não havia feito com seu corpo de gozo pleno, Chiquinho chegou ao club no finalzinho da tarde. Seu erotismo sexual extremado de horas atrás funcionaram como de compensação para as frustrações que viria a enfrentar com ter sido escanteado das redes do futebol do bairro das laranjeiras. Tipo assim… Igual à criança de come um doce depois de uma nota ruim no colégio. Depois de um passeio por todos os cantinhos do lugar, curtindo o lindo final de tarde e o pôr do sol de verão escaldante carioca, sentindo cada gotinha de suor no corte que separa suas cansadas nádegas, resolve chegar mais cedo ao salão. Não quis esperar a reunião do conselho.

eike batista

Seu corpo era todo cheiro de sexo, morrinha de porra, merda, maconha, crack, vodka, cachaça e absinto. Os cabelos acaju do cerrado estavam desgrenhados. Marcas vermelhas e roxas por todos os lados de sua pele rugosa, mas realizada na sacanagem. Conhecia os funcionários. Logo após a limpeza dos banheiros, masculinos e femininos, esperou que fossem embora depois de um cordial bate papo, típico dos escroques de voz fina que desdenham do pudor alheio. Cada toalha branca, alva, pura, foi esfregada no pênis de Chiquinho, uma de suas ferramentas preferidas. A outra face das novas toalhas, compradas especialmente para o evento, foi usada no ânus, prá lá de surrado. Havia passado muita bucha de banho nele, para fazer casca grossa e aguentar essa rave da sacanagem. Mesmo assim, o excesso fez sair algumas gotas de sangue e casquinhas junto com o amarronzado.

Quem diria que ainda havia munição para esculhambar Agnaldo Happybath? Tantos golpes como empresário travestido de adevogado, tantas promessas não cumpridas com seus correligionários, rios de dinheiro de dívidas na praça, e, tudo isso, tudinho, para Chiquinho Zanzibar ter uma torrente de levadinhos em todas as transferências relâmpago do bota abaixo de Laranjeiras. Durante a reunião, Chiquinho já havia percebido os olhares diferenciados que os membros da cúpula lhe direcionavam. Não eram olhos de cópula, mas de outros interesses não menos sensuais e interessantes.

Um torpedo lhe chegou às mãos, pela bandeja de prata do garçom que lhe trazia um drink cortesia, direto do bar. Chiquinho estava discreto, como sempre, nas sombras mais luminosas do mundo. Era uma convocação para o pós-conselho, na sala do manda chuva, o tal do concursado típico moralista de araque. Ah, que nojinho disso… Quanta falta de nobreza ser presidido por um… Por um… Mas por um… Assalariado de merda! O cara vive da porra de um contra-cheque?!? É isso mesmo?!? Que baixo astral, que coisa broxante…

joao doria

O alto comando havia chamado Chiquinho Zanzibar para ajudar no processo de moralização do clube, começando pelo escabroso orçamento do futebol. Como se livrar de tanto lixo não reciclável? Quem conhecia os canais para isso ser feito de modo tão rápido e eficaz? Quem sabia dos babados para, com base nas conversas da noite devassa que fecha os olhos para a moral e os bons costumes, usar como poder de convencimento para uns teimosinhos saírem do clube sem grandes escândalos? Só Chiquinho Zanzibar, emérito tricolor, seria capaz disso, e com um prazer sem igual. Durante a reunião vip, o alto comando lhe fez um apelo emocionado que arrancou lágrimas. Soluçou ao pensar que a moralidade seria garantida por quem odeia moralistas.

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Babava de choro, como se estivesse numa sessão de regressão freudiana. Para os membros da liga da justiça tricolor, era a pura demonstração de devoção ao clube. Por dentro, Chiquinho era puro tesão. O poder deixa as pessoas de falos erectus e o final do reto melenguinho, Zanzibar era um desses sujeitos.  A onda do crack já havia passado.

O herói não era o Beijoqueiro do abraço gostoso, na frente da torcida. O herói era um discreto vetusto sócio. Era alguém que não tinha nada a temer, uma raposa branca, rara, mordaz, esperta, que tomava conta do galinheiro. Não era o pavão misterioso.

UM FUNCIONÁRIO DE MERDA

E-mail de Francisco da Zanzibar, 27/01, 19:17h:

“Alva, o que mais me espanta nesse mundo é ver gentinha querendo ocupar o lugar de pessoas de bem. Soube nesta semana que um ex-funcionário do club andou falando mal de mim para seus papagaios de pirata. Pois bem, o motivo era um só: ficou indignado porque queria ser a mona barbada da sauna, a Rainha Diaba sem saber se colocar em seu lugar. Pagava de machão gangsta mas sempre foi mona de carne doce umedecida com leite de rosas. Um empregadinho querendo cantar de galo mas trotando feito veado na savana. Quem manda na discoteca sou eu, na selva também. O chefe nunca vai se rebaixar para um contínuo de merda igual ao do filme do Nelson Rodrigues. Merda, merda, merda. Não adianta prosperar, enriquecer, fazer chover e cagar regra: quem nasceu para ser empregadinho suburbano nunca vai ser pessoa de bem no Chopin. No máximo, vai ser bicha brega na Barra da Tijuca – céus! – se achando o máximo, ostentando relógio cafona e perfume vulgar.”

MARIQUINHA FALADEIRA

E-mail de Francisco da Zanzibar, 27/01, 19:17h:

“Teve esse coffee break com o Assalariado, né? Eu vi o careca lutador perto dele numa foto, estava bem bonitinho, pena que ele me odeia mas isso vai mudar. E tinha uns beninos deslumbrados também, daqueles que a gente dá 50 reais depois da transa e saem todos felizes, crentes que estão abafando. Se continuarem com essa palhaçada de democracia vou mexer meus pauzinhos. O club não é lugar de estudante fazendo Enem para faculdade de celebridade. Você sabe dizer se a mariquinha faladeira do Twitter foi? Aquela que era bofão do Agnaldo H.”

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Imagem: alv

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