A internet e os entendidos em nada (por Marcus Vinicius Caldeira)

A internet é espetacular!

Seu funcionamento, então…

Você digita o que quer mandar, aperta um botão, a aplicação converte aquela parada toda em bits e bytes, agrupa em pacotes, manda para a placa de rede, a placa de rede envia o pacote para a rede local à procura de um roteador (antes passa por switches, tudo isso em pulsos elétricos ou ondas eletromagnéticas), o roteador consulta o cabeçalho do pacote para ver o endereço de destino, procura na sua tabela de roteamento o roteador mais próximo para entregar o pacote e dependendo do destino manda para um satélite, ou um cabo transoceânico, até chegar a um roteador final (pode passar por vários roteadores no meio do caminho) que faz todo o processo inverso na rede local até chegar na máquina de destino para ser aberta pela aplicação local.

Fantástica! Tudo isso em milissegundos. E o pacote invariavelmente chega ao seu destino.

Ah! Tem um detalhe. Normalmente o que se quer mandar não cabe em um pacote e tem que ser divididos em vários pacotes. Eles são enviados e podem ir por várias rotas diferentes e chegarem em ordem diferente até o seu destino e são remontados na ordem, na máquina  final. Absurdamente fantástico!

Sim, seja um simples documento de texto, um e-mail, um filme no Netflix, uma transferência de milhões de euros entre contas bancárias ou o monte de merdas que muitos entendidos em nada escrevem diariamente nas redes sociais. Tudo na rede passa por esse processo.

A internet revolucionou a comunicação, deu voz a quem não tinha voz, democratizou a informação e o conteúdo tirando dos grandes conglomerados de mídia, entretenimento e cultura, a posse da informação. Porém, tem muita coisa ruim também. Tem a Deep Web, que é maior que a internet que conhecemos, criada pelos centros de pesquisa para troca de informações sigilosas e hoje usada para o submundo da raça humana. A internet é o reflexo do ser humano.

Pois bem!

Em tempos de comunicação digital e internet, o que passou a ter entendido em nada nas redes sociais é um absurdo. É o cara que crítica o marketing, mas acha que marketing é só colocar patrocínio master na camisa. Tem entendido em táticas de jogo sem nunca ter dado um chute numa bola de futebol na vida. Tem o gestor financeiro que não consegue nem balancear despesas com receitas na própria casa, mas quer saber mais que uma Ernst & Young da vida. Ainda tem os entendidos de medicina esportiva que criticam o departamento médico dos clubes sem sequer saber nem o que é uma mitocôndria. Tem os entendidos em fisiologia e o preparação física que acham que o atleta se machuca por trauma é culpa da preparação física. E por aí vai… Aí você puxa a vida profissional do cara e… Deixa para lá.

Normalmente são frustrados pessoalmente, profissionalmente, em busca de sair do ostracismo opaco que são suas vidas. Parasitam o clube que diz que amam em troca de se tornarem alguém “conhecido”. Muitos desses não conseguem nem formar uma frase com sujeito, verbo e predicado sem conter um erro de português.

As vezes, queria fazer como alguns amigos que se ausentaram de algumas redes sociais ou de todas elas. Faria um bem total como torcedor, mas sou ávido por informação e não consigo. Os torcedores em geral nas redes sociais são reflexos da nossa sociedade. Pouco colaborativos, pouco participativos das ações, e só sabem cobrar e meter dedo na cara. Aí olhamos a quantidade de sócio futebol e média de público no estádio e é absolutamente ridículo. Ah!, mas, o time é uma bosta, dizem os entendidos em nada. Balela! Primeiro porque não é. Segundo, porque em 2012, tínhamos o timaço rumando para o título e média de público foi nem a décima.

Infelizmente, é nisso que se transformou boa parte da torcida de redes sociais. Fora as ilações, mentiras e fofocas que se transformam em verdades absolutas do nada.

Mas, sou um romântico. Prefiro ficar com os românticos. Eles ainda existem.

Lamento, sou das antigas e espero que uma nova geração de torcedores seja formada, verdadeiramente apaixonada, participativa, colaborativa, crítica com conteúdo.

Porque essa geração formada pela Unimed e internet já deu.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @mvinicaldeira

 Imagem: mvc

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