Frente a frente com o inimigo (por Ise Cavalieri)

Ah, o amor e suas milhares de definições…

Amor talvez seja sair da cidade residente, viajar por horas, com resultado sempre incerto, assistir por noventa minutos e fazer o caminho de volta para casa. Apoio que dura muito mais que os poucos noventa minutos. Dizem que todo amor é loucura e talvez seja…

Aos pobres mortais como eu, que não puderam ir ao topo da Bolívia, chegava a hora de separar a caixinha de remédios e pedir a benção a João de Deus, nada poderia sair errado naquela noite.

Vencemos por 3 a 0 no Maracanã, mas nunca foi significado de paz de espírito; afinal, era muito mais do que jogar contra onze jogadores. Mais uma vez a temida altitude entrara no nosso caminho, essa sombra que adorava acabar com os nossos sonhos.

Uma viagem cansativa, a desumanidade de pouco mais de quatro mil metros acima do nível do mar, um campo horroroso e nossos jogadores sentindo todas as dificuldades já tradicionais nestas circunstâncias. Nada relatado seria exagero: qualquer bola simples parecia uma inimiga.

Nessa hora não tem técnica, vai como pode, vai do jeito que dá e é tirar fôlego de onde não tem. Aliás, quem conseguia pensar em técnica justamente ali? Era resistir bravamente em campo, enquanto o meu coração saía pela boca a cada gol chutado pra fora.

Os noventa minutos que pareciam noventa anos, a vontade de ver o Fluminense jogar se transformava na torcida para que o jogo acabasse logo. O placar de 2 a 0 para eles estava perigoso demais e, dessa brincadeira, ninguém gosta.
Substituição no Fluminense e também no meu humor: raiva, desespero, esperança, sofrimento, orgulho… Nem sei mais o que sentia, só esperava o apito, minha alma precisava voltar ao corpo. Ela deve ter ido à Potosí e voltado umas trezentas vezes.

Deu tudo certo e nos classificamos. Voltamos e já enfrentaremos um clássico, mas ainda é preciso o final de semana para nos recuperarmos de tanto susto. Deu Potosí lá, mas deu Fluminense aqui e a vaga é nossa.

Quem lembrou de limitação? Clube que, desde sempre, teve que lidar com dificuldades, desfalques, adversidades covardes, mas que nunca perdeu sua intensidade e seu espírito de luta. O que por vezes falta em campo com a bola nos pés, sobre em coração.

Voltamos com experiências e voltamos mais fortes.

O Fluminense mais uma vez renasceu!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @iseffc

#JuntosPeloFlu

Imagem: ise

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