Fluminense 2 x 0 Cruzeiro (por Ernesto Xavier)

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É tão difícil compreender que o Fluminense é sua torcida? Será tão difícil entender que os jogadores passam, mudam de clube, mas a torcida tricolor permanece firme, apaixonada, louca para ver o time jogar? Com sete anos para se preparar para este período olímpico, o que vimos nesses sete meses de 2016 foi a inoperância da diretoria com sua torcida, que não pôde ver o time jogar em terras cariocas. O time perde sua identidade, o apoio que faz o jogador tirar energia de onde não sabe existir. A torcida tricolor joga junto com a equipe, faz realmente a diferença, canta até quando o time está perdendo. Os únicos pedidos são: joguem com raça, joguem onde eu consiga ir…

Assim foi Édson Passos. A Baixada Fluminense é logo ali. Jogar em Volta Redonda já se mostrou uma alternativa fracassada. Nem falo de Brasília, Juiz de Fora ou Manaus… Hoje estávamos em um estádio pequeno, com a torcida perto do campo, em pé, pulando, gritando o jogo inteiro. Não há quem fique inerte diante disso. Imaginem a diferença para os públicos que beiravam ao ridículo na Cidade do Aço. Hoje, ante do Cruzeiro, éramos uma equipe de verdade. Tudo porque dessa vez o torcedor estava lá. Simples, não? Então porque não pensaram nisso antes? É tão óbvio.

A equipe mineira vinha de uma sequência negativa e ocupa a 17° colocação no campeonato. Fácil? Para nós nunca é. Temos a estranha capacidade de ceder empates ou sermos derrotados por clubes que estão na zona de rebaixamento. Ressuscitamos mortos. Fazemos milagres. Dessa vez não. Entramos ligados, com vontade de vencer, querendo mostrar para a torcida que valerá a pena pegar o trem até a Baixada sempre que o Fluminense lá estiver.

O Tricolor dominou os espaços, pressionou a saída de bola, forçou o adversário ao erro. Alguns jogadores pareceram jogar mais do que o normal para suas carreiras. Ao menos para o que vinham apresentando nos últimos tempos. Cícero correu, se entregou ao time, foi o líder que esperávamos. Seu gol, no rebote do goleiro Fábio, foi a demonstração de que estava ligado: na raça, na vontade.

A opção por um ataque com Samuel, Marcos Jr e Richarlison, o mesmo trio que jogou o segundo tempo contra o Vitória, mostrou que Levir Culpi está ainda a procura de uma formação ideal e que não se prende ao óbvio. Até hoje não entendia porque Marcos Jr era reserva nessa equipe. Ele nunca será pior do que Osvaldo. E assim o “Resolve” sofreu um pênalti e chamou a responsabilidade para si, batendo com categoria e fazendo 2 a 0 para o Fluminense ainda no primeiro tempo. Definitivamente Cíìcero não sabe bater pênaltis. Melhor mesmo que outro o faça e não ele.

A pressão seguiu e poderíamos ter ampliado o placar ainda na primeira etapa. Fomos para o intervalo com confiança. Sabíamos que o resultado era bom, mas no laranjal nada vem de mão beijada. O exemplo do dia anterior onde o Botafogo empatou o clássico com o Flamengo, quando o rubro-negro vencia por dois gols de diferença, deve ter alertado os tricolores. “Não podemos dar mole. Diante da torcida, não”.

O Cruzeiro tentou a reação no segundo tempo e o Flu fez o seu papel. Um desvio após escanteio foi a jogada mais perigosa da Raposa, com um zagueiro tricolor atento para tirar a bola da direção do gol. E foi só. Rondaram nossa área, mas sem grande perigo. Jonathan mostrou que tem muito mais qualidade técnica do que Wellington Silva, mas que ainda carece de forma física. Maranhão esteve em dia iluminado. Deu dribles desconcertantes, avançou para o ataque em velocidade, quase marcou em belo chute. Quem será Maranhão? O que jogou até a rodada anterior ou esse de hoje? A ver. Samuel pouco fez, mas pelo menos foi uma presença mais forte na área. Cavalieri tem sido o goleiro que nos fez ter segurança em 2012. Ele tem até saído do gol. Leram isso? Cavaleiri está saindo do gol!

Chegaremos ao título? Não. À Libertadores? Podemos sonhar, mas ainda estamos muito distantes. O que fica de positivo hoje é a constatação de que o Fluminense quando joga com vontade é difícil de ser batido. A torcida apoiará quando a equipe jogar com coração, suando a camisa. Fora isso, pode botar o jogo no Maracanã, Engenhão, Giuseppe Meazza, Wembley, não importa…sem raça a torcida não abraça.

Veremos o que as novas contratações trarão. Reforços ou peças de reposição? Saberemos com o tempo. Quero pensar que estamos formando a base de um time campeão. Sou sonhador, otimista.
Édson Passos agora é nossa casa. Lembra o futebol de antigamente. Essa nostalgia fará bem ao nosso presente.

Que venha o próximo!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @ernestoxavier

Imagem: nx

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