Fluminense 1 x 1 Palmeiras (por Edgard FC)

LANÇAMENTO NO RESTAURANTE LAMAS, NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA A PARTIR DAS 18H.

É, pessoal, não foi desta vez. Mas poderia, sobretudo se observarmos o segundo tempo. Mas também escapamos de algumas bolas, que nós mesmos entregamos para o Palmeiras matar o jogo. Ninguém morreu. Mas o Fluminense não ficou vivo. Já a equipe ítalo-paulistana só não terminará campeã se não quiser.

Bem no começo do jogo, em falha coletiva da nossa defesa, pelo lado esquerdo, como de costume, Dudu conseguiu realizar um cruzamento diante de três defensores tricolores que, imóveis, assistiram Rony executar uma espetacular bicicleta e guardar lá no fundo do barbante. Não me recordo de ter visto um gol tão bonito no Maracanã. Pelo menos nesta década.

Com o um a zero no placar, a equipe verde pôde especular e jogar em ritmo quase de treino. Pelo menos, com menor intensidade, podendo se poupar para as semifinais da Libertadores, torneio que nós somente fingimos que disputamos no início do ano, quando o supercombo que nos faria ser respeitado afinou diante do Olimpia em Asunción. Mas, como diria a melodia em português de Portugal da personagem Elsa, da animação Disneyana Frozen: “já passou, já passou, este é mesmo o meu lugar. Já passou, já passou, como a manhã me vou erguer.”

E espero que possamos nos erguer em patamar sólido e não flácido.

Porém, ainda na primeira etapa, lá pelos trinta e oito minutos, achamos nosso gol, em escanteio erguido por Jhon Arias até as montanhas Manoel, que sem cerimônias estufou o barbante, no que faria Evaldo José evocar: “que lindo, que lindo, que lindo”.

Voltamos do intervalo, após chuva de vaias à arbitragem, que estava louca para atrapalhar o excelente jogo que assistimos, com os mesmos onze iniciais (tendo Cristiano em vez de Caio, costumeiro). As duas equipes não conseguiam emplacar suas jogadas, porém o Palmeiras era levemente superior.

Aos dezesseis minutos, as equipes mexeram. O Verdão, de olho em poupar seus pupilos para o duelo diante do Athletico pela Libertadores, já o Fluzão querendo vencer a partida. Diniz trocou Matheus Martins por Nathan. A equipe passou a ter mais meias criando. Funcionou. Precisávamos mesmo ocupar melhor o latifúndio que era o setor, muito em função do sistema implacável palmeirense, em que os jogadores pareciam se multiplicar em cada fase do jogo, em cada bloco, erguendo sempre paredes mágicas em nossos olhos embotados de cimento e lágrimas.

Não lágrimas de tristeza ou de crocodilo, mas as de resignação por deixar escapar mais uma disputa pelo Campeonato Brasileiro. Olho no relógio, ‘olho na pressão, tá fervendo, olho na panela’, trazendo a sensação de que tinha ‘mandinga de cabôco mandando nessas parada’, pois nosso gol teimou em não acontecer.

Duas bolas na trave, uma dos pés de Cano, que hoje não esteve bem, outra dos pés do bailarino do Ballet Bolshoi Paulo Henrique Ganso que, como um verdadeiro regente, tentou tanger a boiada que o cerca. Como diria uma anedota infame: nem Noé deu conta de tanto animal. E os nossos são fantásticos.

Mas a bola do jogo, morreu nos pés de Germán, em contra-ataque alucinante: três jogadores tricolores marchavam contra a meta palmeirense, somente um defensor mais o goleiro, rezando para que o pior não acontecesse. E não aconteceu, pois Cano – e não Arias – recebeu a estocada, viu seus companheiros se deslocarem, mas preferiu adiantar para si mesmo, esticou demais, perdeu a passada e a chance de fazer o Maracanã eclodir o ovo do Basilisco, que viria a escancarar a Câmara Secreta e fazer a gente Tricolor viver, que é melhor que sonhar.

Por fim, empate justo em um a um. Nós entregamos muitas bolas ao líder e iminente campeão brasileiro de 2022, mas parecia que o Alviverde imponente, ficou impotente pensando na sua próxima bataglia, ou melhor, próximo concerto.

Só nos resta agora o adeus final, te amar demais, ser um bom rapaz foi o meu mal.

Vamos seguir o sonho da Copa do Brasil, lá na Arena Corinthians que foi dada ao time homônimo por benesses do Governo Federal à época das negociatas da Copa do Mundo de 2014.