Encurralados… (por Sergio Trigo)

Prezados amigos, saudações tricolores!

Joguinho estranho o do último domingo, não? Onze contra onze, já seria complicado. Com um a menos desde o início, então… vi muita gente reclamando do juiz, mas confesso que nem isso eu consegui fazer direito, tamanha a tensão no estádio. O time foi guerreiro, é verdade, mas ganhamos porque era dia de ganhar. Achamos um gol meio sem querer e depois ficamos encurralados. Teve bola na trave, bola no corpo do nosso zagueiro, na perna do goleiro… o Gravatinha pegou tudo! Futebol tem dessas coisas. Dias de Gravatinha e dias de Sobrenatural de Almeida.

Sobre a arbitragem, eu realmente acho que enquanto não se fizer nada do ponto de vista institucional, enquanto não nos fizermos respeitados também fora dos gramados, vamos continuar vendo árbitros cheios de tesão contra o Fluminense. Domingo, foi mais um.

Objetarão alguns que se pararmos para analisar friamente, fora a omissão de um ou dois cartões amarelos para jogadores do Cruzeiro, não há do que reclamarmos. Foram oito minutos de acréscimo e ouvi gente séria dizendo que se fossem dez ou doze não seria nenhum absurdo. Talvez. A expulsão foi justa? Claro que sim!

Só que a discussão a ser travada não é essa. O problema é que se fosse em Itaquera, seriam os protocolares três ou quatro minutos. Se fosse o Rodinei ou o Pará, em vez do Gilberto, talvez o cartão fosse amarelo, em vez de vermelho. E se vermelho fosse, provavelmente a compensação seria rápida. Qualquer torcedor mais atento, com um mínimo de esforço, será capaz de se lembrar de muitos lances violentos, de muitos jogos em que houve cera, mas que foram tratados de forma inteiramente diferente. Por outro lado, talvez não encontre na sua memória uma partida em que assistimos à aplicação das regras de forma tão rigorosa a nosso favor. Para não irmos muito longe, pergunto: e se fosse ao contrário? Será que no Mineirão a história seria a mesma?

E o que faremos a respeito dessa vez? É de se esperar que não façamos nada, como de hábito, mas seria interessante mandar alguém trocar umas figurinhas com o pessoal da CBF, já que na FERJ a gente não consegue nada desde a década de 1980.

Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei. É velho e batido, e é assim que funciona. Passa da hora de alguém começar a tratar das relações institucionais do clube. O Fluminense precisa de alguém que se dedique exclusivamente a cuidar da imagem do clube na mídia, nos órgãos públicos, nas federações e confederações desportivas, e que se empenhe nessa empreitada. Não dá para continuar do jeito que estamos.

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Encurralados também ficamos nós, os torcedores, nessa porcaria de Maracanã que inventaram a título do tal “padrão Fifa”. Não bastasse a irracionalidade de não se poder mais circular pelo estádio, o Fluminense agora nos espreme na parte inferior do estádio, onde a visão é péssima e o conforto é mínimo. Deve ser mais uma ação do projeto “Torcida Zero”, juntamente com as partidas em Los Larios e os apelos para que os torcedores que não se contentam com qualquer futebol fiquem em casa. Estamos quase lá.

Supostamente, essa infeliz decisão de abrir somente a parte inferior do estádio (abrir o anel não, né?) se justifica pela redução dos custos de utilização do estádio. Esse é o discurso oficial. Pois bem. Resolvi dar uma olhada nos boletins financeiros das partidas do Fluminense no Maracanã.
Separei a partida contra o Sport, em 25/11/2017, último jogo do clube com a parte superior do estádio aberta contra adversários de fora do Rio de Janeiro e comparei os números com os do último jogo. As condições eram parecidas: partida à tarde, pouco apelo de público, time meio mal das pernas. Público presente de 12.819, contra 10.016 do jogo contra o Cruzeiro.

Naquela ocasião, o boletim financeiro (CLIQUE AQUI) apresentou, como principais despesas, “Aluguel do estádio”, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) e “Despesa operacional do estádio”, no valor de R$ 177.116,44 (cento e setenta e sete mil, cento e dezesseis reais e quarenta e quatro centavos), além de outras 26 rubricas de despesas. Naquela data, o custo total para utilização do Maracanã alcançou inacreditáveis R$ 464.056,34 (quatrocentos e sessenta e quatro mil, cinquenta e seis reais e trinta e quatro centavos), em uma partida com menos de 13 mil testemunhas.

O boletim financeiro (CLIQUE AQUI) do jogo contra o Cruzeiro, no último domingo, mais uma vez, aponta como principais despesas o “Aluguel do estádio”, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) e “Despesa operacional do estádio”, no valor de R$ 180.711,63 (cento e oitenta mil, setecentos e onze reais e sessenta e três centavos), além de outras 26 rubricas de despesas, totalizando R$ 484.379,37 (quatrocentos e oitenta e quatro mil, trezentos e setenta e nove reais e trinta e sete centavos), em um jogo para pouco mais de 10 mil presentes.

Onde está a tal economia? Existe alguma outra razão para o torcedor do Fluminense ser tratado como gado, espremido em um pequeno setor da arquibancada? O que estamos fazendo com a nossa torcida?

Aí o time ganha um jogo em condições absolutamente adversas e a galera começa a projetar a partida do próximo domingo. Vi um monte de gente falando em promoção de ingressos e convocação da torcida para empurrar o time foi uma grandeza. E o que faz o Fluminense? Nada.

Quando o próprio clube decide limitar o tamanho da sua torcida ao que couber nos setores inferiores do Maracanã, fica muito difícil. Era hora de requentar com força total a mística do “Time de Guerreiros” e convocar a torcida para o jogo de domingo. Reduzindo um pouco o valor do ingresso, já dava uma bossa.

Aí eu sou obrigado a voltar na conversa de colunas anteriores e perguntar que Fluminense é esse?

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Relações institucionais e relações com o torcedor. É pedir muito?

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Saudações Tricolores.

Sergio Trigo

Se preferir, entre em contato através do endereço eletrônico strigo@globo.com, twitter ou facebook.

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P.S.: Se você, assim como eu, tem o hábito de guardar os ingressos de partidas do Fluminense, entre em contato comigo. Possuo uma coleção de ingressos de quase mil e quinhentas partidas diferentes do nosso Tricolor e tenho interesse em trocar ou adquirir aqueles que não figuram na minha coleção.

Panorama Tricolor

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#JuntosPeloFlu

Imagem: trig

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