Dever de casa (por Gustavo Reguffe)


Logo mais no Engenhão tentaremos galgar o segundo degrau em busca de nossa tão sonhada Libertadores. Por vários motivos, trata-se de um jogo bem diferente do primeiro; já passamos da ansiedade da estreia, jogamos em casa e estaremos diante um adversário bem mais perigoso.

Sim, porque o Grêmio não é o Caracas. O time do Sul, além de ter um elenco de peso, assim como o Flu, conhece melhor nossa equipe e tem bom retrospecto recente contra nós.

Teoricamente, são os favoritos a uma das duas vagas na primeira fase, juntamente com o Fluminense.

No entanto, isso não significa que tenhamos de adotar algum tipo de esquema mais defensivo, como é do agrado de nosso treinador. Pelo contrário, devemos mostrar dentro de campo porque somos fortes candidatos ao título.

Se eles têm André Santos, Zé Roberto e Barcos, nós temos Carlinhos, Jean e Fred, entre outros, todos de nível de seleção.

Além de Deco, é claro. Sobre nosso maestro, a propósito, ouvi comentário jocoso de um torcedor outro dia; segundo o gaiato, ele não poderia ser considerado titular pois sua presença nos jogos do Flu, de tão esporádica, lembra aqueles filmes onde um artista consagrado faz uma participação especial. Ironias à parte, o torcedor tem lá sua razão.

Finalmente, da provável escalação, além da volta de Deco, há que se comemorar também a reintegração de Gum. A lamentar, apenas a dispensa de Valência para resolver problemas particulares, o que nos deixa sem esperanças de Edinho não começar jogando.

No mais, é explorar com inteligência a vantagem de termos começado a competição com uma vitória; os três pontos em casa são essenciais para continuarmos seguindo um caminho tranquilo.

Sobre esta questão de jogar em casa, aliás, parece que está se criando uma polêmica sobre os preços dos ingressos, tanto para o Carioca quanto para a Libertadores. Devo dizer que, nessa, estou com Abelão; os preços estão mesmo salgados, ainda mais levando-se em consideração a maratona de jogos.

Se, por um lado, acho legítimo que a diretoria queira incentivar a afiliação de novos sócios através de um programa de fidelização, por outro, considero que não se deve exagerar na mão.

Com o recesso do Maracanã, o Engenhão nunca conseguiu cair nas graças da maioria dos torcedores, seja pela dificuldade de acesso, principalmente em determinados horários, falta de transporte ou outro motivo qualquer. Não precisamos de mais um desestímulo. De certa maneira, também é parte de nosso dever de casa.

Gustavo Reguffe

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Contato: Vitor Franklin

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