Cristovão, de novo (por Zeh Augusto Catalano)

Umas semanas atrás participei de um programa Panorama Tricolor no qual Caldeira me perguntou o que eu achava de Cristovão. Não me lembro exatamente o que respondi na ocasião, mas certamente não foram elogios.

No grande time do Vasco do final dos anos 90, jogava um cidadão chamado Ramon, que depois jogaria no Fluminense. Era o cracaço das partidas inócuas. Fazia partidaços contra adversários menores e em partidas de meio de campeonato. Bastava a chapa esquentar e o jogo realmente valer alguma coisa que ele desaparecia em campo. Era raríssima alguma boa atuação dele em jogos decisivos.

Esse foi o Cristovão no Vasco. Quando verdadeiramente submetido a pressões, sucumbiu. Estático, com as mãos nas cadeiras, piscando furiosamente os olhos. Quando o time precisa de sua intervenção, ela não vem. Vai muito bem nos treinos e nos bastidores, é bem quisto pelos jogadores, mas não mexe bem nos times que comanda, principalmente quando mais necessário.

É irritante. Na hora em que o time realmente precisa da intervenção do treinador, ela vem errada e piora a situação do momento. Não é omisso, de forma alguma. Mas parece raciocinar por um caminho que só ele enxerga. A tenebrosa substituição de Cícero no jogo contra o Botafogo é um exemplo.

Exemplo esse que não pude ver ao vivo por causa dos inacreditáveis preços da partida aqui em Brasilia. Preços por volta de 100 reais. Suficiente para espantar quem gosta de futebol e que certamente lá estaria se o preço fosse palatável. Pra completar o cenário incompreensível, hoje jogam Vasco x Vila Nova pela série B no mesmo Mané Garrincha. Ou seja, ou não tem jogo ou tem dois jogos em três dias. Nenhum planejamento. Hoje, 50 reais (a meia, para o lugar mais comum) e um quilo de alimento não perecível. Essa promoção vale para todos, mesmo sem carteira de estudante. Detalhe: um camarote para 20 pessoas com direito a buffet custa 2.400 reais. Ou seja, se você conseguir angariar vinte loucos para fazer um rachuncho, por 20 reais a mais que o preço mais barato do estádio, vai comer e beber enquanto vê um Vasco todo quebrado contra o pior time de todas as divisões do futebol brasileiro, com cinco pontos em dezesseis jogos.

Tá afim? Eu ainda não sei…

Palavra de honra que não sei a quem isso interessa. Quem traz um jogo para 1.200 km de distância da sua praça para botar preços escorchantes e impedir as pessoas de irem ao estádio?

Ainda assim, foi o maior público do “Botafogo” no campeonato. Ha!

abraços

Zeh

Panorama Tricolor

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