Coração Valente, dez anos depois (por Paulo-Roberto Andel)

Há jogos e jogos.

De todos eles pode se tirar uma lembrança alegre ou triste, uma nuance, muitas coisas.

Nem todos são de títulos ou conquistas, aliás a maioria deles na lógica do calendário do futebol. Contudo, dentre estes que não significam taças, há os imortais.

Dez anos depois, a vibração de Washington no primeiro gol contra o São Paulo, pela Libertadores de 2008, permanece viva na memória dos tricolores. O segundo gol do Coração Valente é uma página eterna da história do clube: uma cabeçada fulminante que venceu o tricampeão mundial Rogério Ceni e um dos maiores times do mundo.

Onde você estava naquela noite inesquecível?

Eu, que vivi a quase inacreditável experiência de ver o terceiro gol enquanto meu pai jazia em seu leito de morte, sinto ao mesmo tempo a maior das dores e das glórias simultaneamente.

Muitos quase infartaram, outros reviveram naquele fim de noite as glórias de Assis e Renato Gaúcho.

O futebol permite que, mesmo sem ser por um título, você seja a pessoa mais feliz do mundo por uma hora e meia.

O Rio de Janeiro virou uma bandeira do Fluminense naquele 21 de maio de 2008. A cidade virou um abraço de lágrimas de alegria em três cores.

A Libertadores era uma grande promessa que, injustamente, acabou não se consolidando, mas isso nem de longe apaga aquele primeiro semestre imortal, onde o Fluminense mostrou à América – e ao mundo – a sua força. Nem sempre o melhor vence o campeonato, vide alguns momentos da nossa apoteótica Máquina Tricolor e da Holanda, a Laranja Mecânica de 1974/78, mas nem por isso deixa de ser inesquecível.

Dez anos depois, é possível entender aquela campanha como uma jornada limpa, digna e emocionante.

Aos heróis daquele jogo fantástico de 21 de maio de 2008, o apreço, um abraço e uma gratidão infinita. Eles mostraram o que é ser Fluminense: desafiar definições, ser a mosca na sopa, a infantaria do inesperado, o drama, a força, a paixão e tudo isso costurado num desfecho de cinema.

Que noite foi aquela, caros amigos!

As lágrimas e risos continuam, a estrada nunca termina, a morte talvez não exista – ali, fomos todos imortais.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#JuntosPeloFlu

Imagem: globo

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