O cuidado também conta (por Felipe Fleury)


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Sem tirar o valor da vitória do Fluminense sobre o Defensor do Uruguai, na última quinta-feira, no Maracanã, cuja importância ninguém discute, é bom que se diga, por outro lado, que o êxito só foi alcançado nos derradeiros minutos da partida, quando Digão marcou um belo gol de cabeça e Sornoza fez outro antológico, olímpico. Não fossem esses dois lances de bola parada, o Tricolor teria amargado um empate, péssimo resultado contra uma equipe que se portou covardemente na defesa do primeiro ao último minuto.

Até o gol de Digão, portanto, o Fluminense havia sido o senhor absoluto das ações, com mais de 80% da posse de bola, mas muito pouco fez de ofensivo, sobretudo no primeiro tempo. Muitos toques laterais, falta de criatividade – toda depositada nos pés de Sornoza -, lançamentos infrutíferos para a área tentando achar Pedro. Estratégia, ou a falta dela, que vem sendo a tônica do time comandado por Marcelo Oliveira.

Não falta vontade, resquício da era Abelão, mas tenho percebido a equipe menos inteligente e bem armada em campo do que nos tempos do antigo treinador. Sem os antigos alas, que permitiam que o time alternasse jogadas pelos lados de campo, chegando com menos gente à frente e procurando, como única opção, Pedro na área, o Flu tem se tornado previsível e dependente da bola parada, na maioria das vezes, para achar seus gols.

Voltando ao Defensor, é certo que se fechou numa retranca ferrenha, mas nada justifica tão poucos arremates em gol, algo que acontecia com muito mais frequência com Abel. Diante de um dos times mais covardes que já vi jogar, Marcelo Oliveira podia ter ousado mais e mais cedo, até porque jogava em casa.

Não, isto não é um pedido de retorno de Abelão. Marcelo Oliveira também tem currículo vencedor, e ainda está começando um trabalho, pegando um time em meio de temporada. Portanto, há que se dar tempo ao tempo para que seu pensamento seja incorporado ao grupo, muito embora até agora não tem me empolgado. Só o prosseguimento do trabalho, porém, dirá se ele é só o que se viu até então, ou tem mais cartas na manga e fará o Flu beliscar, quem sabe, uma vaga na Libertadores ou avançar novos degraus na Sul-americana.

Enquanto isso, Pedro vem sendo cortejado. Até agora a direção se manteve firme em preservá-lo, até porque as propostas não foram tentadoras. Mas é bom que se mantenha assim, mesmo que alguns milhões de euros a mais sejam oferecidos. O jovem atacante é imprescindível ao time, vai se valorizar mais e poderá, no futuro, ser um alento para as combalidas finanças Tricolores, até porque já há boas novidades despontando no sub 17. Mas até lá, que se faça ouvido de mouco ao que não for excepcionalmente vantajoso para o Fluminense.

E seguimos assim, com uma joia no ataque, um time aguerrido em campo e um treinador que já deu suas patinadas, mas em quem devemos depositar nossas esperanças de que possa nos conduzir por caminhos melhores.

Panorama Tricolor

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