Centenário nosso, centenário deles (por João Marcelo Garcez)

O centenário nosso, o centenário deles

Assistindo esta semana aos festejos do centenário do Palmeiras, comemorado na última terça, 27, imediatamente lembrei-me do nosso centenário, o centenário tricolor, celebrado mais de 12 anos atrás.

Foi um dia memorável aquele. Para nossa sorte, caíra bem no domingo, dia nobre do futebol, dia nobre do descanso, o que fez com que milhares de torcedores – ilustres ou não, embora no Flu todos o sejam – fossem à sede das Laranjeiras, aberta desde cedo para visitações. Eu também estive lá, ao lado de meu pai e minha tia Vera. Não me lembro de tê-la visto tão cheia.

Passeamos pela abarrotada sala de troféus, aos quais já havia pedido licença a taça do Campeonato Estadual (29ª, mas especialmente importante por ter sido levantada no aniversário de 100 anos do clube), conquistada havia poucas semanas, numa decisão em dois jogos com o Americano (2 a 0 e 3 a 1).

Pude ver de perto outras tantas joias que só conhecia através de livros e jornais, como o troféu da Copa Rio de 1952 (na iminência de ser reconhecido como título mundial) e a Taça Olímpica, troféu raramente destinado pelo COI àqueles que o comitê considera verdadeiros modelos de organização – o Flu é até hoje o único clube da América Latina a ter recebido tal honraria.

Restaurante lotado, muitas camisas tricolores, brancas, laranjas, estas confeccionadas especialmente para o centenário e que caíram no gosto dos torcedores. Sorrisos, lembro-me de só ver sorrisos. O orgulho tricolor transbordava do peito de cada um e saía pela boca, traduzido em expressões de pleno contentamento, regozijo de felicidade.

Ídolos do passado e do presente estiveram por lá. Como Telê Santana, homenageado num documentário exibido no Ginásio Coelho Neto. Quando apareceu, foi ovacionado pela multidão. Pulara da tela de projeção para a vida real. Uma grande e merecida homenagem ao seu Telê ainda em vida, o que foi fundamental para que partisse com a certeza de que todo o amor que devotou ao Tricolor teve um reconhecimento à altura. Nelson (foto), de algum lugar, aprovou.

Naquele dia, justo naquele dia, o Fluminense entraria em campo pela extinta Copa dos Campeões. Enfrentaria coincidentemente o Palmeiras, o centenário da atualidade. Numa jornada infeliz, o zagueiro César faria um gol contra, que resultaria na eliminação do time.

Também naquele dia o Jornal dos Sports abriria espaço para publicar uma longa crônica minha sobre os 100 anos do Fluminense. Coincidência ou não, dois dias depois iniciava minha carreira jornalística de dentro da sua Redação.

O 21 de julho de 2002 jamais me saiu da cabeça.

Tão inesquecível quanto o 26 de agosto de 2014 para os alviverdes.

O nosso centenário, o centenário deles.

Todos repletos de celebração genuína, entrega, pura e simples.

A tal paixão clubística.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

João Marcelo Garcez (joaogarcez@yahoo.com.br) é jornalista, publicitário e escritor, havendo já publicado cinco livros. Há mais de uma década atuando na área de Comunicação, já trabalhou em empresas como TV Globo, Globosporte.com, Jornal dos Sports e DM9DDB. Bicampeão do Top Blog (2010 e 2013), espécie de Oscar da internet, Garcez escreve mensalmente a este Panorama Tricolor.

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