Bangue-bangue em Quito (por Alva Benigno)

SOME THINGS NEVER CHANGE

Chiquinho Zanzibar conseguiu convencer Contracheque da importância de fazer parte da delegação do clube, em Quito. O voo da alegria requeria relacionamento privado e respeitoso com todos os integrantes do elenco, sem exceções. Mas Chiquinho Zanzibar pediu pra ficar no avião ao lado de Zé Pintinho, que somente ele sabia que o apelido em nada tinha a ver com o craque dos anos 1970. Num motel safadérrimo da Baixada Fluminense, todos os presentes puderam ver os 27 motivos da alcunha.

Chiquinho Zanzibar embarcou como um experiente aspone, e torcer pelo Fluminense nas alturas era garantia de jogadas extra de grande gozo e levadinho, é claro.

QUITO SCENARIUM

Teria que ter a festa da vitória, bancada por amigos do tráfico de drogas de Zanzibar. Travestis latinos, trans com maracas, merda e mijo, uísque com energético, roleta russa pra transar com puta aidética misteriosa, proibição de preservativos, roça-roça e tudo que fizesse la vida loca valer a pena .

Seu Zé Ruela, jogador indolente que se acha o novo malandro latin lover é o novo alvo de indignação de Zanzibar. Ele será o escolhido para coordenar a roleta russa da AIDS, e terá que provar as possíveis portadoras do vírus. Sem camisinha.

Chiquinho Zanzibar e seus amigos contratam o performer multimídia Sidney Magal, que cantou com uma venda nos olhos, pra animar a noite da fartura multissexual. A galera cantou, vendo o tradicional vídeo do jato de merda, o refrão: “Oooooooo, Happybath, eu te amo, meu amor! Oh, Happybath, quero que você vá se fudê!”

Chiquinho Zanzibar fuma um cigarro de maconha especial, que o cartel havia lhe dado de presente pela classificação. Na altitude, a sensação seria inédita. Ao contrário de muitos homens que ganham ímpeto pra ter o ânus penetrado. Chiquinho era puro sangue. Fazia as coisas careta mesmo. Acontece que o baseado de ouro o deixou mais machão do que nunca.

Pediu a pistola para um dos narcos lhe empreetar uma 45, e deu tiros pro alto, gritando: “Oooooooo, Happybath, eu te amo. Eu te amo e cago em você!”. Nunca o amor e o ódio lhe pareceram tão coerentes.

Depois gritou: “Agora, Pintinho e Zé Ruela, eu quero é bunda com bunda nessa porra! Caso contrário, a única porra de Paris que você vai ver, seu verme do caralho, é a de Bonsucesso!”

Chiquinho Zanzibar bate palmas e, prontamente, dois capangas do clube trazem a enorme barra de borracha que havia encomendado para a ocasião tão especial

“Batam par ou ímpar, decidam o lado, e providenciem um delicioso bunda com bunda! Agora!”

E Chiquinho Zanzibar disparou mais dois tiros pro alto, assustando até mesmo os traficas barra pesada.

A música era Madalena, e Magal cantava com toda a energia, achando que eram fogos de artifício e não tiros ensandecidos de 45, disparados pelo velho safado.

FESTA ERETA

Chiquinho Zanzibar vibrou intensamente com o gol do jovem Benino Pedro, e chegou a ficar de cu arrepiado e pau melecado ao mesmo tempo. Após o apito final, mandou um zap misterioso: “a festa está de pé!”

Não havia outra alternativa: em plena festança da classificação para enfrentar o mais querido, para Happybath só restava o fellatio em Chiquinho Zanzibar com boquinha de botox.

No meio da situação erótica, Agaynaldo se trai, comete ato falho e murmura: “Eu quero dar meu cu pra você, agora.” Chiquinho não acredita e pede para ele repetir. Happy não aguenta, e diz que quer se masturbar com Chiquinho Zanzibar lhe ensinando a engravidar. Quer que ele lhe faça mulher.

PURO ÊXTASE

Não há limites para Chiquinho, desde que o gozo seja sincero.

Happy já vai arriando as calças, mal Chiquinho abre o zíper. Depois de gozar rapidamente, AH cai num sono profundo, de Branca de Neve. E neste momento, o irreverente Zanzibar pega a máquina de tatuagem e coloca a verdadeira maldição em cada uma das nádegas: “Dou meu cu pra Chiquinho Zanzibar”; “Levei jato de merda de Chiquinho Zanzibar, na minha cara”.

Pronto: a marca da maldade estava tatuada para sempre em Happybath. Os traficas, assustados, gritavam: “Que hacer con este maricón?”

O SUSTO

Completamente suado, nu e ereto, Agaynaldo Happybath desperta em sua confortável cama king size no Rio de Janeiro. Ainda tonto, espia a televisão e repara que está sendo transmitida a reprise do jogo da classificação. Incomodado com o suor, levanta-se para tomar banho e, ao tocar em si mesmo, percebe o líquido espermático ralo em suas imediações anais. Urra de ódio, tenta entender o que houve e subitamente começa a se realizar com o ofício do prazer cumprido, sem saber ao certo de seu par.

Pega o smartphone. Nele, uma mensagem de Zanzibar: “Ôooooooo, eu te amo….”

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: pan

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