Alhos e bugalhos (por Walace Cestari)

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Derrotas trazem à tona os sentimentos mais raivosos da torcida. Xingamentos, protestos, decepção com a equipe. Raiva, muita raiva. Aqueles caras ganham milhões… deveriam deixar o sangue tatuado na grama como compensação.

O time não vem bem não é de hoje. Não me lembro de nenhuma grande partida no ano, nem mesmo aquela em que nos sagramos campeões da Primeira Liga. A escalação muda pouco e talvez superestimemos o elenco. Fred se foi – uma perda, fato – mas também não vinha jogando bem, de modo que pouco pode ser atribuído a sua presença ou a sua ausência.

Mas o contexto é sempre o que define as versões. E há mais coisas entre as Laranjeiras e o CT que pode imaginar nossa vã idolatria pelas três cores. Os interesses eleitorais misturam-se às análises e aqueles velhos pássaros que adoram sobrevoar carniças alçam voos à espera (quase que na torcida) pelos fracassos.

Forma-se o paradoxo: a grandiosidade do Fluminense enfrenta a pequenez de tantos que vestem as três cores.

Isso não significa que protestos não sejam válidos. As pichações na sede não representam um prejuízo ao clube, como rechaçaram alguns; mas também não servem para nada além de demonstrar insatisfação. Aí é que o discurso começa a mostrar sua relação ideológica.

Fora Gum, fora Henrique, fora zaga ou fora técnico fazem parte da revolta contra o campo. Concordo que a zaga vai mal ainda que os números estranhamente dissessem o contrário. Acho que o problema está no Pierre e a dupla de zaga titular poderia segurar um banquinho daqui para frente. Isso é do jogo. Isso faz parte. Isso é válido e compreensível.

Ligar a má fase do time à construção do CT é mais que estupidez. É oportunismo eleitoral e revela um profundo mau-caratismo. A gestão do Peter é boa? Não, não é. Tem seus acertos, mas vem falhando. O CT é um erro? Pelo amor de Oscar Cox, é evidente que não! Um CT é uma coisa importante e que sempre quisemos, tal qual um estádio. Não confundamos alhos com bugalhos.

Aí surge a discussão: a construção do CT é mais importante que um time forte? É aí que se confunde tudo. Quem disse que o elenco que temos foi limitado pela construção do CT? Quando não estávamos construindo o CT, estávamos montando times iguais ou ainda piores do que esse. O problema foi Fred sair? Nos outros anos saíram outros como Conca ou Sobis.

Se alguém me disser que gastamos dinheiro demais comprando Henrique, Richarlison e Pierre, vou concordar. Se alguém criticar o Peter por não conseguir nos últimos anos montar equipes mais competitivas, ter construído elencos sem opções e ter apostado em técnicos inexpressivos, estará coberto de razão. Não coloquem essa culpa no acerto da gestão do cara! Tem coisa errada pacas para reclamar… Patrocinadores, fornecedora de materiais… há tanto para se discutir, mas tentar demonizar justo o maior acerto como erro? Oportunismo eleitoral tem limites.

Talvez se resolva dentro de campo. Levir tem o poder de barrar a zaga e buscar acertar o arremedo de time. Sacar o Cícero que parece ser disciplinado mas não tem vontade de estar em campo e voltar com o Édson, que não é disciplinado, mas faz mais diferença para a equipe.

Reforços? São necessários, mas não qualquer um. O desespero leva a erros ainda piores. Esse elenco não tem cara de campeão ou de brigar pela Libertadores, mas dá para fazer um trabalho que evite sustos. É muito pouco para o Flu, mas parece bom diante do que se vê em campo.

Descemos por três vezes com times fracos e sem CT e com Xerém no limbo. Xerém foi erguida e vemos hoje como pode ser importante. Ainda fazemos maus negócios, mas a garotada ainda corre por nossas cores. O CT é passo importante. Tanto quanto vitórias. Que as urnas não turvem as vistas da fidalguia em querer o melhor para nosso Flu.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: wal

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