Ainda não acabou (por Ernesto Xavier)

maracanã final de 2008 oleo

A história também se faz nas derrotas.

Quem teve a audácia de nos tirar a alegria? Quem foi capaz de mudar um destino que já estava traçado, acertado com os fatos? O que se perdeu nesse percurso?

Sobrevivemos. Passamos pelas mais tenebrosas tempestades até que no dia 2 de julho de 2008 sentíamo-nos fortes, confiantes, maduros. A terceira divisão nos preparou para o baque nove anos depois.

Quando se acostuma com a derrota, mais uma não faz tanta diferença. Quando a vitória se torna parte do dia-a-dia, queremos ainda mais, e a derrota passa a ser algo tão inacreditável e pesado, que deixamos de enxergar a real circunstância.

Tivemos a melhor campanha da história da Libertadores. O maior público de todas as edições da competição. Presenciamos jogos épicos contra Arsenal de Sarandí, São Paulo, Boca Juniors e LDU. Vimos golaços como o de Dodô, tivemos o retorno do pó-de-arroz ao Maracanã, o retorno à maior competição das Américas após 24 anos, resgatamos a auto estima do torcedor tricolor, abalada com tantas decepções na década anterior. Quantas pessoas viraram tricolores nessa época? Muitos.

Hoje, Thiago Neves poderia ser considerado o maior jogador da história do clube caso tivesse sido campeão. Marcar três gols em uma final de Libertadores é um feito difícil de ser batido. Seus gols foram ofuscados por uma disputa de pênaltis triste e injusta.

O que poderia ser justo naquela noite de inverno? Sucumbimos à catimba argentina, representada pelo árbitro Hector Baldassi, que fez de tudo para segurar o jogo no meio de campo.

Muitos podem ter se perguntado: Por que tivemos tantas alegrias para depois sermos derrotados na final?
Porque o futebol é assim. Porque para ser Tricolor tem que aprender a cair e levantar. Porque no Fluminense nada vem fácil.

Tenho plena convicção de que aquela história ainda não acabou. Foi apenas o primeiro capítulo de algo ainda maior. Aquela Libertadores nos trouxe muito mais do que estava disponível à percepção imediata.
Ganhamos mais projeção e respeito internacional. Passamos a ser “habitué” na Libertadores. Nossa torcida se uniu como há muito não se via. Cada um teve sua história dentro daquele campeonato. Algo mudou dentro de nós…para melhor.
Há sete anos atrás nosso sonho foi adiado. Há sete anos o Fluminense provou ao mundo que a derrota é apenas um ponto de vista.

Tricolores, mesmo tristes, eram vitoriosos na alma. O que eles não sabem é que não viram nada. Somos muito mais. Nosso livro ainda tem muitos capítulos a serem escritos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @nestoxavier

Imagem: pra

encefalica metal grande

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