Vivi e o gol de barriga (por Erica Matos)

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Minha coluna desta semana é em homenagem à minha irmã caçula: Vívian Matos. O motivo pelo qual escrevo não é somente por mais um ano que ela completa. O nascimento da Vivi tem uma ligação umbilical com o Fluminense, pois a pequena nasceu há 20 anos, juntamente com o gol de barriga do Renato Gaúcho.

Eu e meu irmão já éramos pré-adolescentes e meus pais foram surpreendidos com a gravidez da caçula. Não era programada, o médico disse que a sua chance vencer a corrida era de uma em mil e ela venceu.

Minha irmã tem o sangue e a alma tricolor desde o ventre. Ultrapassou todas as barreiras, foi até aos 49 do segundo tempo e veio como um gol e com um gol. O gol de barriga de Renato Gaúcho, que marcou nossas vidas, o gol que, tal qual a Vivi, ultrapassou a lógica e confundiu a estatística.

Pensem em um pai babão. Era o meu pai com o nascimento da caçula. Pensem num tricolor apaixonado. É ele também. Alguém que não mediu esforços (nem com o nascimento da filha), para ir ao estádio atrás do título carioca em cima do nosso maior rival.

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Vívian nasceu dia 23 de junho de 1995 e no dia 25 de junho de 1995, no final da manhã, minha mãe teve alta na casa de saúde São José, no Humaitá. Fui com meu pai buscá-las, voltamos para nossa casa em Belford Roxo e de lá, meu pai mal almoçou e pegou os meninos para partir rumo ao Maracanã.

Não quero falar muito da minha tristeza por não ter ido ao jogo, pois meu pai (apesar de nos fazer tricolores), dizia que estádio era coisa de menino e ele só garantiria a cobertura da segurança dos meus irmãos. Tive que ouvi-los contar tudo ao voltarem e ouço até hoje cada detalhe da história que meu pai conta, estando naquela roda no Belini, na saída após o gol de barriga. Todas as vezes que passo pela estátua e pela rampa, lembro dos contos do meu pai acerca daquele dia.

Vinte anos se foram e parece que foi ontem. O tempo passa rápido demais e a bebê que estava chorando, enquanto eu ouvia o jogo com meus tios em um radinho de pilha, está linda e completando 20 anos.

Na Era Vívian, meu pai estava mais maleável e ela começou a ir aos estádios bem mais cedo do que eu. Merecidamente tem uma história atrelada ao Fluminense.

Fecho os olhos e parece que foi ali, outro dia, que meu pai e os meus irmãos afirmavam com a fé que só o tricolor tem que a Vivi viria para trazer o título carioca ao Fluminense. Ela veio, nasceu junto com a conquista e chegou trazendo um título histórico para nossas vidas.

Parabéns, Vívian, pelos vinte anos vividos e por ter nascido junto com um dos nossos feitos históricos, que marcou, marca e marcará a vida de cada tricolor que tem o coração pulsando com sangue verde, branco e grená.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @erica_matos

Imagem: em/pra

goldeba 7 pincel

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