Vivendo e aprendendo a jogar (por Erica Matos)

fred super ezio

“Vivendo e aprendendo a jogar
                                                                                           Vivendo e aprendendo a jogar
                                                                                           Nem sempre ganhando
                                                                                           Nem sempre perdendo
                                                                                           Mas aprendendo a jogar”

                                                                                                                             (Guilherme Arantes)

Foi na quarta-feira, mas ainda está nas minhas entranhas. Sim, esta Copa do Brasil ficará eternizada na vida dos tricolores por vários motivos.

Ano passado era o Flu com a ex-patrocinadora e saímos vergonhosamente da competição, num jogo horrendo, contra o América de Natal. Como esquecer?

Existem perdas e perdas. É lógico que “vencer ou vencer ” é um lema que nos foi lindamente ensinado e é o que queremos. Mas na vida e no jogo, a gente aprende que na derrota a gente também também pode ganhar.

Meu lado racional diz que seria “melhor” ter perdido por 2 a 0, 3 a 0 ou qualquer placar que não me desse esperanças. Mas o meu lado torcedora emotiva e apaixonada me faz ter orgulho de torcer para um time que lutou até o fim.

Tive uma espécie de premonição de que aquele jogo seria sofrido e foi. Pela segunda vez no ano, vivemos a crueldade de torcermos numa semifinal disputada nas penalidades máximas.

Uma das coisas mais lindas que o Fluminense me dá, é a união familiar entre os amigos e a ligação que os que me amam fazem comigo nesses momentos tão difíceis.

Estava eu sozinha em casa, sem meu namorado para agarrar e não querer ver os pênaltis, sem meu pai para me dá a força máxima que sempre tive de um tricolor, sem meus amigos do PANORAMA, sem meus irmãos… Me agarrei à almofada. Mas o mais legal foi saber que no meio da tecnologia invasiva do whatsapp, pude tirar algo de tão bom, que foi ter visto a Laís em Dublin, a Isabela no Alienz, Paulo e companhia na casa da Mitya, falar com os meninos no grupo do PANORAMA, ter minha mãe escrevendo o jogo inteiro preocupada comigo e ver meu namorado torcer para o meu time para me ver feliz. Estávamos todos juntos num só coração. Longe geográficamente e perto pelo amor ao Tricolor que nos une.

A partida contra o Palmeiras foi marcante. Depois de um primeiro tempo fraco, eis que surgiu um segundo tempo do tamanho do nosso amor.

Na semana passada, quando vimos Fred se machucar no maracanã, duvidamos que ele jogaria na quarta. Quando ouvi seu nome na escalação, sabia que de alguma forma, era para liderar que ele estaria ali. No primeiro tempo, senti que ele estava nervoso demais e até achei que não deveria voltar, pois imaginava que seria expulso. Mas analisando friamente, ele estava ali para guerrear e voltou com toda dignidade que um tricolor pode ter.

Já falei um monte do Fred. Falei e falarei sempre que achar necessário e justo. Mas assim como vesti a camisa 9 com o nome dele na Copa do Mundo, estive incondicionalmente do lado dele na quarta-feira, pois era nítido que o artilheiro estava fazendo um esforço físico enorme e até se arriscando.

O que Fred fez por nós, tricolores, transcendeu ao jogo, gols ou título. Nos sentimos representados dentro de campo.  Tivemos nítida impressão de que éramos nós ali, pois ele fez o que nós, tricolores de alma, faríamos.

Sim. Eu chorei com o Fred. Essa história de que se cai de pé nunca me convenceu, pois cair é queda. Na quarta-feira perdemos, porém não senti queda, apesar da dor por não ter conquistado a classificação. O que ganhamos e o que vimos, sendo reconhecido inclusive por torcedores do Palmeiras, foi a grandeza do que Fred fez pelo clube.

Aquela expressão de dor com sangue nos olhos, aquela camisa suja de terra, aqueles chutes fracos pela lesão e aquele gol, foram comemorados como classificação dentro de mim.

Fred subiu muito no patamar tricolor. Estampou com seu choro e comemorações sinceros o quadro mais marcante da temporada 2015 do Fluminense Futebol Clube.

Sim, os meninos de Xerém mereciam ir à final. Não quero falar dos árbitros que também decidiram as partidas. Prefiro olhar para o time que fez jus ao slogan “Time de Guerreiros”, ver o talento e a capacidade que o Fluminense tem tido de descobrir e trabalhar esses talentos, acreditar que vamos acabar com essa novela do Brasileirão 2015 e que 2016 será um ano melhor do que este.

E a falência? Está com o plano de doença. Nós estamos criando vida, muita vida!

Obrigada, Fred: e fez pelo meu Fluminense, fez por mim!

Panorama Tricolor

@Panorama_Tri @Erica_Matos

Imagem: Ralff Santos

LANÇAMENTO O ESPIRITO DA COPA RJ

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