Tricolores, uni-vos! (por Paulo Tibúrcio)

A situação do Fluminense não é boa. Não chega a ser desesperadora, ainda não é momento para histeria, mas o caminho até o fim do ano de 2017 será árduo. A torcida de certa forma já percebeu isto. O sentimento é o mesmo, embora as reações sejam diversas. Nestes momentos, não cabem certas atitudes enquanto outras são muito benvindas.

Antes de qualquer coisa, é preciso ações de dentro do clube. Um maior protagonismo por parte daqueles que dirigem o nosso futebol. Não se trata de abandonar a austeridade e tomar atitudes impensadas, como contratações sem critério, troca de técnico ou outra ação desesperada qualquer. O planejamento financeiro do Fluminense, decisão tomada pelos grupos que apoiaram a eleição do presidente Abad e que agora o acompanham na gestão pode e deve continuar. O que nunca pode ocorrer é a passividade diante de uma situação crítica.

O elenco do Fluminense não é o dos sonhos, não há como não ignorar isto. Falta experiência, entrosamento e, em alguns casos, qualidade técnica. Sofremos com contusões. Mas, ainda assim, não me conformo com as últimas atuações. Tirando, no máximo, uma meia dúzia de times, não vejo o Fluminense inferior aos demais clubes que disputam a série A do Campeonato Brasileiro, cujo o nível é um dos mais baixos dos últimos anos. Desta forma, ainda que correndo o risco de estar errado, só me vem à cabeça que o problema é de postura do time em campo e de falta de gerenciamento fora dele. Wellington Silva, Orejuela e Wendel são bons jogadores e não podem ter desaprendido a jogar bola. Falta dedicação em campo, empenho na execução das jogadas, vigor na marcação. É preciso tirar o peso do Abel. Alguém tem que assumir as rédeas, cobrar (da forma correta), levantar o ânimo dos jogadores. Os que estão no comando do futebol não podem apenas se contentar em torcer para que tudo dê certo. Deixe a “torcida para os torcedores”. Entra aqui o segundo ponto importante: a participação e o apoio da torcida.

As últimas eleições deixaram marcas profundas nas arquibancadas. Houve rupturas, inimizades, atritos e toda a sorte de conflito. O que antes ficava restrito aos muros de Álvaro Chaves, hoje se potencializa na era da globalização. Todos têm voz, muitos torcedores exercem influências nas redes sociais. Não estou querendo com este texto dizer como cada um deve se comportar, longe disto. Mas vou usar o espaço para expressar aquilo que estou sentindo neste momento. Cada um com a sua consciência. Também não cabe aqui dar razão a oposição ou situação. Apoio um grupo que está participando da gestão do clube. Mas, de maneira alguma, vou condenar aqueles que fazem oposição. Quanto maior a pluralidade, cobrança e fiscalização, maior a chance de que erros não sejam cometidos. O Fluminense tem o privilégio de poder se renovar em cada ciclo de três anos com a participação ampla de torcedores. O bom combate deve sempre existir.

Acontece que, neste momento, algo maior está em jogo: o futuro do Fluminense. É hora de apoiar, de encher o Maracanã. Também é momento de cobrança, desde que seja feita de maneira inteligente e sem interesses pessoais. É hora de usar as redes sociais de forma mais positiva. Às vezes, tenho a impressão de que há quem queira que o Fluminense se dê mal para se beneficiar da terra arrasada.

É hora de sair do conforto do sofá e comparecer aos jogos. Um estádio cheio exerce uma pressão negativa no adversário e pode ser utilizada de forma positiva para nossos jogadores. Com inteligência, conforme dito acima, a arquibancada também pode ser utilizada como um meio de cobrança. “A plateia influencia o espetáculo”.

Precisamos sair desta situação. Precisamos de uma pontuação mínima para terminarmos o ano em um resultado mínimo aceitável. Temos condições de reverter este momento difícil. Desta forma, passado o sufoco, que se critique o time, a diretoria, que que se diga “fora seja lá quem for”. Mas o momento é de união. Nada do Fluminense, tudo pelo Fluminense. E neste momento, o nosso amado clube precisa de nós.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburciojr

Imagem: bit

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