Três meses de Fluminense em 2018 (por Aloísio Senra)

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Tricolores de sangue grená, acabou o amor, acabou a paciência, acabou o silêncio. A partir de agora, nessa coluna, vou trabalhar com fatos e perspectivas. Os fatos são bem conhecidos, bastante divulgados, e que provavelmente os senhores já leram em vários veículos de comunicação. Prometo me ater apenas ao que aconteceu em 2018, para não ser acusado de oportunista ou para não parecer que tenho um dossiê pronto contra quem quer que seja. O resumo me permitirá fazer uma análise do que podemos esperar daqui pra frente, do que podemos fazer e qual deve ser o nosso foco a partir de agora até o fim desta temporada.

No início do ano, tivemos uma torrente de más notícias: a dispensa de jogadores do Flu por Whatsapp no final de 2017 ainda repercutia negativamente; Wendel fora vendido para o futebol português; Gustavo Scarpa entrou na justiça contra o Fluminense e conseguiu sua liberação, indo para o Palmeiras sem que o Fluminense recebesse o valor da multa; o Fluminense repetiu o fiasco de anos anteriores na Florida Cup, não conseguindo bater os reservas do PSV e perdendo nos pênaltis a decisão do jogo que ficou empatado, e tomando uma sapecada do Barcelona de Guayaquil com um time misto. Na Copinha, eliminação na primeira fase. No Cariocão, derrota na estreia para o Boavista, empate no clássico Vovô e empate contra a Portuguesa num jogo tenebroso. Vitórias vieram contra Madureira e Macaé, com o time jogando mal, e não foram o suficiente para evitar a eliminação na Taça Guanabara.

Em fevereiro, Abel aproveitou o período gerado pela vergonhosa eliminação e fez o que deveria ter feito desde 2017: treinou o time, implantou um novo esquema tático e mudou a forma do time jogar. Resultado? Não perdemos mais no Campeonato Carioca. Hoje é a última rodada da Taça Rio, na qual estamos invictos. Porém, a eliminação na Copa do Brasil infelizmente evidenciou uma fragilidade que é, até agora, muito difícil de digerir: temos um time pior que o do Avaí. Repito: temos um time pior do que o do Avaí. O time catarinense é ruim. Talvez seja até um pouco pior que o Fluminense em termos de elenco. Mas é bem treinado. Seu sistema defensivo é eficaz, e o contra-ataque é competente. A marcação encaixa. E março se iniciou com esta terrível constatação. Mas sabem o que é pior, amigos? O Avaí está na Série B. Os caras nos venceram aqui e lá. Jogaram mais bola aqui e lá. Como podemos ficar tranquilos para o Brasileirão que vai começar daqui a pouco?

E as notícias ruins não param: prejuízo nas bilheterias; jogos em Los Larios para menos de mil pagantes; declarações estapafúrdias de pessoas da diretoria; Cavalieri aciona o Fluminense na justiça; Wellington Silva é emprestado ao Internacional de graça; Marquinho aciona o Fluminense na justiça; investidor cobra do Fluminense na justiça quase R$ 5 milhões não repassados pela venda de Gerson à Roma; descobre-se que Diego Souza foi repassado ao Sport por R$ 1 milhão; Henrique Dourado é vendido ao Flamengo depois de Abad declarar que ele não seria vendido, e o valor da venda é parcelado; Fernando Simone volta a ocupar um cargo no Fluminense e esta decisão causa revolta a pessoas da base de apoio à gestão; as redes sociais (e ocasionalmente o Salão Nobre) fervilham com pedidos de impeachment do Abad e pela saída de Marcelo Teixeira; Abel continua escalando mal, mexendo mal e causando prejuízos financeiros e históricos ao Fluminense com suas invencionices, minando até o bom trabalho que faz.

O que podemos esperar daqui pra frente: depende do que for feito em resposta aos acontecimentos. O Fluminense pode até vencer a Taça Rio na bola parada, único artifício que ainda tem funcionado em jogos mais difíceis, mas não tenho esperanças quanto ao estadual – e eu sempre espero ser surpreendido. Na Copa Sul-americana, a menos que nos reforcemos bem, talvez sigamos em frente até bater de frente com algum time minimamente organizado e com elenco parecido com o nosso. Se nos reforçarmos, chegar às quartas-de-final já será uma vitória, e a premiação por passar de fase será muito bem-vinda aos nossos combalidos cofres. O Brasileirão será como uma arena de gladiadores para nós. Vamos entrar em campo para matar ou morrer, e cada ponto será precioso, pois os prognósticos não são animadores.

O que podemos fazer: Tricolores, não haverá mudança sem associação. Quem se associar agora não poderá votar nas eleições de 2019, apenas em 2022, mas eu imploro para os que já forem sócios não desistirem de seu título. Não podemos abandonar o Fluminense. Sei que é difícil também apoiar uma equipe tão desprovida de qualidade como essa que temos, mas nos jogos do Brasileirão precisamos estar presentes. Essa competição é a mais importante do ano para nós, porque é a que define de fato como será o ano que vem, e talvez os anos posteriores a ele. Precisamos sobreviver a esse ano miserável para ter alguma esperança de dias melhores, e mesmo que eu entenda a indignação de todos, precisamos tentar colaborar para que uma hecatombe não aconteça. Conselheiros, ajam em prol do Fluminense. Que se desvie todo e qualquer gasto com o que não for importante e se redirecione para o futebol do clube, para que os ingressos possam ser baratos em todos os jogos em que formos mandantes no Brasileiro, mesmo que no início tenhamos prejuízo. Não dá pra continuar R$ 50 a inteira em jogos sem apelo.

Qual deve ser o nosso foco a partir de agora até o fim da temporada: Campeonato Brasileiro. A Copa Sul-Americana deve ser vista como uma boa chance de fazer um dinheiro extra ao se passar de fase, e só. Quanto mais longe chegarmos, mais dinheiro em caixa, melhor será. Se for necessário escalar reservas na competição internacional, escalem. Se puderem demitir Abel ao fim do Campeonato Carioca e contratar algum treinador de nível aceitável e que esteja no mercado (como Dorival Jr.), façam-no. Não podemos correr o risco de perder pontos no Brasileiro porque o Abel teve que colocar o Dudu em campo, por exemplo. Precisamos de um treinador responsável e comprometido com o resultado esportivo do Fluminense em primeiro lugar. Não vamos nos iludir mais: a chance de títulos esse ano é muitíssimo pequena, mas a chance de rebaixamento não pode ser 100%. Temos que lutar contra isso de qualquer jeito!

– Curtas:

– Uma pequena vitória do jurídico do Fluminense no caso Scarpa, que espero que seja mantida. Recuperar o dinheiro da multa seria essencial para termos dinheiro em caixa para contratar. Que esse “vínculo” que foi estabelecido com o traíra seja encerrado em breve com a sua venda, ressarcindo ao Fluminense o que lhe é de direito.

– Jogo contra a Cabofriense. Em Bacaxá. Às quatro da tarde. Com o Fluminense já classificado às semifinais do Carioca e praticamente classificado às semifinais da Taça Rio. Olho a tabela. Portuguesa joga contra a Dissidência e precisa ganhar para se classificar para as semifinais. Dissidência precisa ganhar para se classificar as semifinais. Se a Cabofriense vencer e a Dissidência não, eles pulam fora da Taça Rio. Alguém aí é contra pouparmos nossos extenuados titulares para os jogos mais importantes que virão depois? Afinal, viajaram para Santa Catarina, estão desgastados com a eliminação… acho que é uma boa chance para os reservas dos reservas pegarem ritmo e serem testados. Concorda, Abel?

– A primeira rodada do Campeonato Brasileiro é no dia 15 de Abril contra o Corinthians em seus domínios. Temos pouco menos de um mês para realizar quatro contratações no mínimo para as posições que todos sabem serem carentes, colocar esses jogadores no time e fazê-los rodar, dar entrosamento, etc. Isso tem que ser feito pra ontem. Faça alguma coisa de útil para justificar seu polpudo salário, Autuori!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#JuntosPeloFlu

Imagem: alo

 

 

1 Comments

  1. Na verdade, o time do Fluminense é superior ao time do Avaí, individualmente. Agora, o técnico do Avaí deu um nó no esquema tático do Abel, e quantas vezes jogar o Avaí ganha, se o Flu continuar com esse esquema super defensivo até com times que jogam na retranca. Taí, quem sabe um convite para o técnico do Avaí não seria um começo de mudanças para o Flu, o cara é inteligente!

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