Time grande não cai (por João Leonardo Medeiros)

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Eu sei, eu sei: o Fluminense já caiu. Pois é isso mesmo que eu quero dizer: o Fluminense caiu quando se apequenou, dentro e fora de campo, e passou a se apresentar travestido de time pequeno. O Fluminense, quando caiu, não esteve à altura de sua grandeza, apequenou-se e caiu. Na época, chegamos a ser roubados pelo União São João de Araras. Lembro bem do gol de Rogerinho anulado a posteriori por um bandeira que se fez do misto de Steve Wonder com Ray Charles. Agora, pergunto eu: um time grande que se permite ser roubado pela potência (hoje extinta) de Araras não se apequenou?

Este ano de 2013, a performance do Fluminense não esteve à altura de sua história, recente ou mais-que-centenária. No entanto, o pouco que fizemos será suficiente para nos livrar do rebaixamento, por duas razões.

Primeiro, porque Manoel e Joaquim resolveram mandar Didi Mocó ao tribunal. Entre uma trapalhada e outra, a Portuguesa escalou um jogador irregularmente e vai ser, com certeza, punida. Nos últimos dois dias (ou menos que isso), tornei-me, como todo tricolor de estirpe, doutor em justiça desportiva, formado pela Universidade de Gugou. Basta ler a lei, o regulamento, para ver que não dá para a simpática Lusa safar-se de sua irresponsável atitude. Vai perder quatro pontos ou desmoralizar explicitamente toda a estrutura legal que ampara o futebol brasileiro.

A segunda razão é mais importante. O Fluminense não vai cair pelo que fez EM CAMPO. É isso mesmo: o Flu não cai porque fez pontos nos jogos e não porque os ganhou no tapetão. Olhem a classificação final da série A do Brasileiro de 2013, antes do julgamento de segunda-feira, dia 16 de dezembro (porque depois vai estar diferente). Do primeiro (Cruzeiro) ao nono (São Paulo), todos os times resistiriam a uma perda de 4 pontos, como a que inevitavelmente atingirá a Portuguesa. Isso porque conquistaram pontos suficientes para isso NO CAMPO. Corinthians, Flamengo, Portuguesa, Coritiba, Bahia, Internacional e Criciúma cairiam (um cairá!), qualquer um, se perderem com justiça 4 pontos por terem escalado jogadores irregularmente (ou seja, se perderem pontos de um jogo em que empataram, como é o caso da Portuguesa), a não ser que outro abaixo deles perca pontos também (alô Flamengo).

Agora, olhemos a tabela de baixo para cima. Náutico, Ponte Preta e Vasco NÃO PODEM beneficiar-se da perda de 4 pontos de um coirmão que tenha rasgado o regulamento. Não podem porque não fizeram EM CAMPO pontos suficientes para isso. O Fluminense está no limite: tem 46 pontos e 12 vitórias. Quem tem entre 50 pontos e 11 vitórias (Corinthians) e 46 pontos (Criciúma) cai imediatamente caso escale um jogador irregular num jogo em que tenha empatado (no caso do Criciúma, mesmo se tiver vencido). E cai não apenas porque escalou o jogador irregularmente, mas pelo que (não) fez EM CAMPO. O Cruzeiro pode perder 29 pontos confortavelmente. Perde o título, mas não cai, porque fez 76 pontos EM CAMPO.

Enfim, estes são os fatos. A gentalha vai falar. Para ela, aplico a máxima de um grande tricolor que o acaso salvou de pagar mais um mico público: vem fazer glu-glu, iê-ié.

Panorama Tricolor

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