Sobre a flexibilidade (por Rafael Rigaud)

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Queridos(as),

Na quarta-feira passada assisti ao empate com sabor de derrota do Tricolor conta a Ferroviária de Araraquara pela segunda fase da Copa do Brasil 2016.

Fiquei abismado com o que conseguimos “fazer” (sofrer três gols de um time com um jogador a menos cuja grande pretensão da temporada é uma vaga na série D do Brasileirão de 17) e com o que não conseguimos fazer também (segurar um placar de 0 a 2 que nos poria na próxima fase sem jogo de volta, num momento em que o adversário perdia um jogador em campo e um pênalti em sequência).

O que me impressionou além do resultado e da consequência do mesmo (o jogo de volta) foi a apatia do time no interior paulista: me lembrou o time de 2013 diante do Santos na reta final do Brasileiro quando foram veiculados rumores de que o time teria jogado de maneira vergonhosa ao saber que o técnico Dorival Jr. Havia recebido promessa de remuneração extra caso tirasse o time da zona do descenso (sim, atletas profissionais acharam ruim que seu comandante fosse agraciado com um a mais caso fizesse com que eles consertassem a bobagem que os próprios fizeram – uma campanha vergonhosa). Nem sob a batuta de Cristóvão Borges e dos medianos Drubscky, Enderson e Baptista vimos tamanho desinteresse num jogo como vimos este contra a Ferroviária.

Além da evidente falta de garra e espírito de luta, foi possível ver também algo em comum com os últimos fracassos nossos nas últimas semanas: a presença de Fred em campo. Eu admito, ele marcou dois gols e acabou com o jejum mas, não tem jeito, é inegável que somos um Fluminense com e outro sem Fred em campo. O desempenho tão díspar na final da Copa da Primeira Liga e na final da Taça GB e nas semis da “EuriCUP”(ou Campeonato Carioca) não nos deixa mentir.

Tenho pra mim a opinião de que Fred deveria aceitar sua condição de jogador goleador, mas que já está pra lá dos 30 anos (o que é muita coisa pro futebol) e que nunca mais vai estar em sua plena forma – e entender que, exatamente por isso, não pode se exigir um desempenho de garoto recém-chegado da base. Fred tem que dar ao Flu aquilo que pode dar e do jeito que tem condições, mas talvez seja complicado enxergar isso para o cara que durante anos foi a grande esperança do torcedor do Flu e se acostumou a chamar pra si o protagonismo.

Vejo Totti na Roma em fim de carreira entrando em campo em todos os jogos somente na segunda metade do segundo tempo e jogando 100% do seu potencial nesses 20/25 minutos, enquanto vejo Fred lento, previsível e muitas vezes inoperante e penso que poderia,  guardadas as devidas proporções, ter essa função no nosso Tricolor.

Faria o papel de ser referência pros que se sentam a seu lado no banco (a garotada da base sente segurança ao olhar para o lado e vê-lo – até entra para o jogo mais confiante) e para os que correm em campo (já o fez em algumas circunstâncias). Quanto entrasse em campo, seria o Fred de sempre embora num tempo reduzido como nunca. Prefiro um Fred a 100% durante 30 minutos que um Fred a 1/3 de sua capacidade durante 100% do jogo. Já o Magnata, sim, pode atuar por mais tempo por estar mais inteiro e ter se lesionado pouco, além da sua capacidade de movimentação que é característica desde a longínqua década de 1990.

Fred não pode continuar sendo um a menos como tem sido na maior parte de sua história recente pelo clube. Exatamente pela importância que tem e pelo que significa pelo Flu, tenho pra mim que o camisa 9 deveria ter esse gesto de grandeza.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri 

Imagem: riga

2 Comments

  1. Faz sentido, muitos já deram sugestões parecidas, jogar apenas 1 tempo e etc…

    Quando abrir os olhos, espero que não seja tarde demais.

    Isso se continuar no Flu após a janela no meio do ano.

    ST

  2. Também concordo, só não sei se a vaidade do Fred vai permitir isso.
    Há que ter comando forte, respaldado por uma Diretoria cujo único
    objetivo seja a vitória.

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