Scuderie Le Bofe (por Alva Benigno)

CHARUTO GROSSO

Jantando em casa antes de ir para a Sebastiana, Chiquinho tinha uma noite das arábias. Na TV, passava no Canal Bis um programa sobre uma loja de discos musicais em Beirute. Por coincidência, a refeição era charutos de repolho recheados.

Mordendo delicadamente cada tubo alimentício, ao mesmo tempo em que escutava melodias do Oriente com intensa percussão e vocais poderosos, Francisco quase deixou seu lado feminino aflorar. Viu-se como uma odalisca em dança, mexendo as partes decadentes de seu corpo por inteiro, vestido por uma bela saia e bustier. Quando começou a dançar com os ombros, foi visto pela cozinheira e imediatamente a defenestrou: “Aqui não é seu lugar, criada! Vaza!”. A pobre funcionária voltou para o outro ambiente enquanto a tia velha disparava sua tradicional risada caótica.

Depois de quatro charutos, um peido libertador ganhou os ares da sala, depois de atravessar a veterana cloaca do nosso Macunaíma trash, ávido por um supositório de dote generoso.

BLOGAYRO

Chega uma mensagem no Whats de Fran: “Oi, tou aqui na festa e você não sabe do babado: um blogayro me procurou e pediu informações sobre você, se podia marcar um chope para bater um papo. Não é grande coisa mas dá pra fazer. Passei teu número. Se ele te procurar, diz que você está vindo. Ah, se for no esquema Big Bob me chama, tá? Tou bege. Beijo. Decolei.”

A resposta: “E você acha que eu dou papinho para qualquer um? Essa mina não é preta não, né? Aimeodeus! Em meia hora tou aí. Se for trubufu, vou te encher de porrada.”

PAIXÃO ANTIGA

Adentrando o salão da nobreza com sua fantasia de Coringa Melindrosa, Baby Zan praticamente enlouqueceu ao ver o lutador careca num abadá tricolor. O crânio raspado do eterno ídolo de dois metros de altura mexeu com Zan, a ponto de ele esquecer de responder o blogayro ou mesmo procurar Filhão, que estava ocupado trazendo as Zanzigirls (o grupo de transex que tentara assediar o Careca na Ilha no ano passado) para o ambiente. Abafa, mona!

Zan não consegue se controlar ao ver Gonzalez e assobia versos de desejos ardentes não correspondido. Ao mesmo tempo, o excesso de charutos de repolho cobra sua conta: sentindo que um peidão pode ser uma merda, ele desce para o banheiro no andar de baixo.

ZANZIBATMAN

Enquanto defecava, Chiquinho resolveu tomar um doce sublingual para abrir a cabeça. Em pouco tempo começou a enxergar imagens holográficas, enquanto fazia força anal para libertar suas excreções.

A droga fez rápido efeito e imediatamente ele enxergou um Batman no box, em sua versão homoerótica. O cavaleiro das trevas era colorido e feliz, moderno e criativo. Em sua visão psicodélica, Zanzi avistava uma mistura de homem e mulher, lei e crime. As fezes ganhavam forma fora do ânus e, quando finalmente beijaram a água do vaso, CZ sorriu alegremente, tanto por enxergar um homem que lhe aguçava os desejos quanto pelo prazer da roçada na cloaca.

Quando olha para a porta do box, vê um recado pichado: “Faço e desfaço, piso na cara e chamo de puta. Whats 98XX42YU. Assinado: Blogayro.

Não podia ser coincidência.

A VOLTA AO BAILE

Depois de subir as escadas e novamente adentrar o salão da nobreza, Zanzi vê Filhão e se aproxima, estando o bardo acompanhado:

“Oi, Francisco, tudo bem? Como eu havia dito, este é o blogueiro Francismar Felisberto Amauri, um cronista respeitável do Fluminense, uma verdadeira celebridade da internet, creio que você o conheça.”

O convidado:

“Boa noite, Francisco. Que os bons ventos das pérolas ribeirinhas iluminem o caminho deste homem iluminado e diferenciado, que tantos serviços prestou a este club. Sou testemunha dos teus passos como um homem de bem, de Deus, contra a corrupção. Cheguei até você indicado por meu guru, o Doutor Agnaldo Happybath.”

O velho Zanzi:

“Tá louca, mona? Você fala que nem ET quando quer fazer alguém?”

Filhão com sorriso amarelo, Franscismar Felisberto não sabia ao certo onde enfiar a cabeça, enquanto o baile tocava marchinhas da pesada.

O velho Zanzi sentencia:

“Vocês ficam nessa viadagem de parecer inteligentes mas são um bando de pelassacos. Quero saber quem topa um banho de leite em vez de ficar de caozada.”

Filhão olha Francismar, os dois riem. Chiquinho tenta fazer sua fracassada pose sensual, mas comemora o sucesso da empreitada se aproximando. Em um dos smartphones, a corrida no Uber é marcada: Álvaro Chaves, 41 x Hotel Emoções, Avenida Gomes Freire.

Chiquinho resmunga: “Não tem careca, vou nessa porra de Felisberto mermo”. Passam pela portaria da garbosa sede, o porteiro dá uma risada ao ver Seu Chico e a bicha cáustica dispara: “Tá olhando o que, bafônico? Nessa porra é Scuderie Le Bofe”.

A velha cloaca frouxa sempre vence.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: world

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