Quem (não) poupa tem (por Rods)

Gum GuerreiroMais uma Copa do Brasil se inicia amanhã para o Fluminense. Assim para nós, como para todos os times que disputam duas competições simultâneas, a história segue a mesma: quem será poupado? Existe uma espécie de “senso comum” defendido pela maioria – da imprensa, de times e também de torcidas – que diz ser melhor escolher uma disputa para priorizar, ou seja, vale mais um pássaro na mão que dois voando.

Em minha humilde opinião, isso é uma tremenda balela. Eu poderia utilizar não apenas esta, mas várias colunas só elencando quem se deu mal ao seguir essa teoria. Quer um exemplo? Lhe dou um bem recente: Internacional 2015. O Colorado foi campeão gaúcho e o time voava na Libertadores. Seríssimo candidato ao título. Seu Valdívia cover era apontado como o grande jogador brasileiro do ano. Começou o Brasileirão e a opção foi entrar no campeonato com um time que dava pro gasto.

O resultado foi uma oscilação entre o meio e o fundo da tabela. E então, Libertadores, eis que a má fase resolveu imperar em cada setor. Só se salvava o goleiro. Infelizmente não foi o suficiente para evitar um baile imposto pelo Tigres do México, apenas a humilhação. Esta veio no Olímpico semanas depois. Sem o título sul-americano e sem grandes ambições no Campeonato Brasileiro, resta ao Internacional esperar o ano acabar.

Agora o outro lado, o lado de quem não escolheu competição e não apenas ficou sem poupar jogador, como viu alguns deles dar o sangue em campo. Literalmente. Fluminense 2009, o Time de Guerreiros. Levamos o maior dos títulos, o da honra. Enquanto iniciávamos a maior disparada já vista no Brasileirão, passávamos, sem alarde, de fase em fase da Copa Sul-Americana. Nas rodadas finais, conseguimos colocar a mão na borda enquanto batíamos o Cerro Porteño na bola e no braço.

O último capítulo nos trouxe mais uma derrota para a LDU, mas nos brindou com a permanência Série A. Me é nítida a lembrança dos dias anteriores com inúmeros “especialistas”, donos da verdade, vociferando que sem escolher uma prioridade, o tricolor terminaria sem o título e rebaixado. Em sua ignorância, nenhum deles conhecia o Fluminense.

Com esses ensinamentos, voltemos ao presente. Gostei muito de ter ouvido nosso técnico dizer que não tem dessa de poupar jogador. Segundo ele, quem tiver condição de entrar em campo, vai jogar. Claro que determinadas peças precisam de um planejamento. Ronaldinho Gaúcho e Fred já não são garotos, sendo que o R10 carece de reforço muscular e preparo físico. Ainda assim, fica a certeza de que, se necessário, os dois entram no sacrifício. Fome de bola e vontade de vencer não faltam.

Então o negócio é o seguinte: entrar para ganhar os dois campeonatos. Sigamos em busca do penta e do bicampeonato. Um nova disparada começa domingo e uma nova sequência da batalhas, amanhã no Maracanã contra o Paysandu. Vamos pra cima!

ST!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @Rods_C

Imagem: agência Reuters

capa o fluminense que eu vivi 4 - FINAL

4 Comments

  1. Pô Rods recordar é viver…ah 2009…parece que foi ontem…frio na barriga na reta final e aquela chamazinha da esperança sempre acesa e um final de um magnificência sem tamanho….”campeão da honra”…

    Belas palavras….

    Torcer para o Flu realmente é diferente nosso nível intelectual se sobressai, sem falar na beleza de nossa torcida…

    Arranca Flusão…..pra cima de quem vier….A bênção João de Deus…

    ST

    1. Grande Renard!

      Muito obrigado pelo elogio. Sem dúvida, nossa grande conquista foi fazer valer nossa camisa e calar quem duvidou.

      Vamo que vamo!

      Abração e ST!

  2. Caro amigo, faço somente um adendo.
    Não seria o Cerro Portenho o jogo da porrada.? Gols do Alan e do Gum?
    No mais, como sempre. suas crônicas nos levam aos melhores momentos de nossas história.
    Abraços e Saudações Tricolores.

    1. Você está certíssimo, meu amigo!

      Não sei porque diabos, fiquei com o Peñarol na cabeça. Vou arrumar no texto.

      Muito obrigado pela correção e pelo elogio!

      Abração e ST!

Comments are closed.