Precisamos falar sobre reforços (por Paulo Tibúrcio)

O jogo contra o Atlético Paranaense serviu para reforçar uma preocupação que rondava cabeça do torcedor tricolor, algo que já vem sendo falado desde o início de temporada e que tem se mostrado cada vez mais evidente. Nosso elenco é limitado. Pegamos um time muito bem armado, entrosado e bem fisicamente. E esta é a realidade do campeonato brasileiro. Poucos jogos fáceis e muitas “pedreiras”. Isto não é uma justificativa e sim, um alerta.

Do time que encheu os olhos no início do ano, com sua força ofensiva representada por Sornoza, Scarpa, Welington Silva, Richarlison e o surpreendente Henrique Dourado, restou pouca coisa. Scarpa ainda busca um ritmo de jogo, Richarlison começa a mostrar um aparente desgaste. Dourado, mais maduro, é um dos poucos que está aguentando fisicamente a pressão. Parece que a garotada sentiu, o time caiu de produção e isto é preocupante.

Quando se fala de equipe jovem, me vem logo à mente o time do Santos de 2002. Um time bem jovem, que surpreendeu ao sagrar-se campeão brasileiro daquele ano, com Elano, Diego e Robinho. Mas devemos lembrar que se trata de uma exceção. Era um timaço, este do Santos, mas o campeonato era outro. Era disputado em duas fases, permitindo um desgaste menor no início, sendo que o Santos foi o último time a se classificar. Voltando ao nosso amado Fluminense (o clube santista foi citado aqui para fins didáticos), dificilmente conseguiremos manter um time competitivo apenas com os jogadores que temos. Nos moldes do futebol atual, é preciso técnica, mas também experiência e força física.

O Fluminense parece disposto a assumir a premissa de que as categorias de base e o STK Samorin podem suprir os possíveis desfalques que teremos no campeonato. Considerem premissa como fatores que se supõe serem verdadeiros, mas que podem não ser. Isto me preocupa, porque, devido à sua incerteza, toda premissa está associada a um risco. Caso não dê certo, poderemos passar por uma fase difícil, principalmente no segundo turno, período que eu considero mais crítico, pois os times tendem a se reforçar e o Fluminense pode perder jogadores importantes. Já nem falo de Libertadores ou Sul-Americana. Minha preocupação é com o …toc, toc, toc.

Não sei se chegará a tanto. O time caiu bastante de produção, mas não está tão mal assim. As entradas de Reginaldo e Luiz Fernando deram mais segurança no setor defensivo. O problema é que perdemos nosso poder de ataque com as contusões de Sornoza e Welington Silva. Até aqui, está dando para segurar. Mas temos ainda muitos jogos. Podemos contar com o retorno do Welington Silva ou termos esperança na recuperação do Robert. Mas tudo tudo não passa, mais uma vez, de incertezas. Para que tenhamos menos percalços e riscos, o ideal mesmo é que haja a contratação de alguns jogadores para reforçar o elenco e tornar o time mais competitivo.

Sei das dificuldades financeiras do clube e da pressão política de uma eleição que ainda não acabou. O clube tem que agir de forma racional para não cometer o mesmo erro do ano passado: contratar jogadores sem critério técnico, inchando o elenco. Também é importante manter a austeridade financeira. Mas não tem jeito, a gestão vai ter que buscar alternativas. Uma delas é separar parte do valor a ser ganho nas vendas de jogadores para alguma contratação.

Estamos passando por um momento crítico. Tomara que possamos superá-lo e rápido. Enquanto isto, não vamos jogar contra o patrimônio. Pedir a cabeça do Abel ou queimar o Scarpa não resolverá o problema. Cobrar sempre, mas sem prejudicar o time.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburciojr

Imagem: bit

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