Precisamos falar sobre Celso Barros e o Flu (por Leonardo Maia)

Mais um campeonato termina sem que tenhamos visto jogar o Fluminense.

Nas finais, à primeira impressão, fomos briosos, valentes, Davi enfrentando Golias. Mas, os dois jogos seguintes apagaram a boa figura da Taça Rio. No segundo jogo, a despeito do excelente segundo tempo, alguns velhos problemas já se alevantaram, jogadores titulares que não poderiam sequer estar no clube, elenco mal montado e sem opções, mau aproveitamento da base e por aí vai. O terceiro foi a derrota moral, a volta à realidade, à pequenez previsível, consequência infalível de desacertos vários, em particular, dos nomes contratados ou mantidos.

Essa sequência me lembrou aquele brinquedo dos antigos Parques de Diversão – Konga, a Mulher Gorila (sim, a minha infância passou também por isso…). Na verdade, parece que em alguns lugares, o número era ainda piorado, e a mulher-gorila se chamava singelamente Monga.

Bom, de início, víramos um Flu encantador, insinuante; no segundo momento, alguma coisa já parecia errada, fora de eixo, até que no final, assistíamos mais uma vez ao resultado horroroso da nossa transformação – o macaco de si mesmo em que se transformou o Flu nesses últimos anos inglórios. Anos da segunda gestão de Peter, depois Abad e agora Mário. Ou seja, já quase uma década perdida.

Não é possível aliviar para o Mario. Sobretudo, com a desculpa de que ele chegou agora, e que é tudo culpa do Peter e da Flusocio. Ora, ele foi vice jurídico de quem? Pior: foi VP de futebol de quem? Simone & Angioni estavam na gestão Abad por indicação de quem? Não têm nenhuma relação com o MB? Qual percentual das atuais dívidas impagáveis do clube remontam a essas gestões, e mais diretamente, à sua atuação no departamento jurídico e na vice-presidência de futebol? É fazer pouco da inteligência e da memória do torcedor. Ora, por favor, ele nunca foi farinha de outro saco…

Aliás, das piores coisas nesses últimos anos do clube foi essa terceirização moral. “Ah isso foi o Peter, aquilo foi o Horcades, aquilo outro, o Abad”… Assumam, pombas! Tomem o clube como responsabilidade presente, pessoal! Essa é a diferença do grande dirigente e do grande gestor.

No mais, se ele ‘chegou agora’, então já chegou mal. Chegou repetindo as piores práticas de gestões anteriores: um clube nada transparente, uma passividade desconcertante face a problemas evidentes, a manutenção de profissionais cuja qualificação é no mínimo duvidosa, um futebol de péssima qualidade, em síntese, uma absoluta falta de grandeza. Uma vocação para o pequeno destino e para a glória menor, de vencedor de turno, quando muito. No final, mais uma gestão do “me desculpem, tentei mas não deu” etc.

A direção vem também se marcando pela quebra de promessas: patrocínios não chegaram, a base segue mal vendida porque mal aproveitada (e lembre-se aí o que MB falou, então, sobre a venda do JP ao Watford…), o tal portal da transparência já é transparente que não sairá. Mais do mesmo: uma série de mentiras ou promessas quebradas, que tisnam a confiança necessária a se depositar no presidente do clube.

Contudo, a pior dessas promessas não cumpridas foi ter tirado o Celso Barros do futebol. Futebol cuja administração lhe havia sido prometida. E, sobretudo, havia sido prometida à torcida. No imaginário tricolor, Celso emana taças, exala títulos. Aliás, quanto da eleição do Mário se deveu à presença do Celso na chapa?

A torcida quer futebol e faixa, e o ‘Doutor Celso’ evoca nela a lembrança dos nossos melhores dias. Dias em que Deco matava no peito e dava chapéu. Em que Conca arrancava com a bola até servir Fred ou Thiago Neves na cara do gol.

Não há justificativa, é mesmo inominável o que se fez e se tem feito contra esse que é um dos maiores patrimônios vivos do clube. Que foi figura decisiva para conquistarmos nada menos que três títulos nacionais, e termos disputado duas finais continentais antes quase impensáveis.

O Celso está velho? Não existe envelhecer, apenas envilecer, tornar-se vil. E é vil o que fazem hoje com o clube e com ele.

Para ficar em um exemplo: o ‘velho’ estava apalavrado com o Thiago Neves. Trouxemos alguém melhor? A rigor, fizemos 18 contratações & renovações que não dão um time. Quem responde por isso? É esse o futebol ‘gigantesco’ prometido pelo Mario quando da sua posse (palavras dele!)? Gigantesco…

Gigantesca é já a nossa vergonha de irmos para um Fla x Flu como quem segue pro matadouro! Em 3 jogos, um empate; 1 ponto em 9. Gigantesco engodo.

A verdade é que as tantas dúvidas que voltaram a nos ensombrecer após esses três últimos jogos encontram na figura do Celso um contraponto fundamental: o Flu campeão.

Não vou adiante. Para o bom entendedor tricolor, pingo é letra.

Celso segue escanteado porque é o único quadro inquestionável em uma gestão menor, e fere fundo certas mediocridades laranjeiras, que só podem continuar se criando com ele afastado.

A verdade é que nós éramos campeões e não sabíamos!

Volta, Celso!

Peço como tricolor e como amante do futebol. Futebol que encantou o Brasil não faz muito tempo. E esse tempo ainda pode ser nosso. Merecidamente, nosso.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

4 Comments

  1. meu deus do céu. quanta asneira. quanta asneira!

    viúva do celso é foda. democracia é um delícia, mas tem seus custos. esse aqui é um texto custoso aos meus olhos, pois haja besteira a ser dita…

  2. Muito bom o comentário. Vivemos no mundo da enganação, do power Point, da empullhação. Gerir algo em crise exige projetos com inicio, meio e fim. O que não se controla, não se pode medir. O que vemos são acões difusas e dispersas e entrevistas menos esclarecedoras ainda. É muita assimetria de informação.

    1. Exato. É o que nos falta: projeto.
      Ou talvez, até haja um. Do peterismo, passando pelo flusocismo e agora ao mariolismo, segue o projeto comum: o Flu se extingue,
      Talvez seja essa a intenção e o projeto.

      No início do ano, em lugar dos 18 do Forte, nos chegaram os 18 de morte… 18 contratações ou renovações absolutamente injustificadas. Mas é isso, sem projeto, vale tudo. E ninguém responde por nada.

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