PANORAMA: muito mais do que um time (por Paulo-Roberto Andel)

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Às vésperas de mais um Fla-Flu, com muitas dúvidas que temos sobre o presente e o time do Fluminense, driblando o mar de ódio que que insiste em poluir e inviabilizar parte da internet tricolor, esperando boas notícias, assim seguimos pelos caminhos do futebol.

Outro dia mesmo começamos este blog e já estamos em nossa sétima temporada.

Não importa a fase, não importa a dificuldade: fizemos um pacto interminável de amor com o Fluzão. Ele, o escudo, a camisa, as cores, o pó de arroz que a qualquer momento pode surgir feito nuvem da paz, a história, as histórias.

Muita gente boa já passou por aqui e está em casa quando volta.

Gente maneira que disse adeus e está em algum lugar bacana.

Ok, houve quem faltasse com os princípios da dignidade – e há quem falte por aí -, mas aqui não cabe mágoa, nem sequer atenção.

Talentos costumam despertar rancores e invejas, e o PANORAMA não está imune a isso. Cada um oferece o que tem, de acordo com sua capacidade e horizontes. A nossa é de amor e livros. Temos mais o que escrever.

Sete anos deitando no berço esplêndido dos versos de Cazuza: sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem nos detesta.

Sete anos voluntariamente escrevendo a história do Fluminense, com nossos próprios recursos, sem patrocínios, sem receitas, mantendo a independência e sem alugar as opiniões.

Não é para qualquer um.

Hoje montamos o banner da temporada 2018 do PANORAMA. Dá orgulho.

Somos um grupo de amigos. Alguns mais próximos, outros fisicamente distantes, todos aqui de domingo a domingo estampando a nossa bandeira.

Parece arrumadinho, mas na verdade é caótico: tirando as resenhas de jogos e o programa de TV, não temos pauta fixa. Ninguém sabe o que o outro vai escrever. Os editores só sabem na hora da revisão.

Somos um livrão. Mais de dez mil páginas publicadas que, se editadas, seriam o maior livro da história do futebol mundial. E cá entre nós, com qualidade literária de verdade, longe de vaidades pernósticas e empáfia oca que, muitas vezes, sugere mais vocação do que propriamente talento.

Vivemos ainda num Brasil machista e sectário. É um orgulho saber que aqui, as mulheres são cronistas, debatedoras e apresentadoras. São protagonistas. Sempre foi assim, desde o começo.

Dava pra falar muita coisa, mas o principal veio desta segunda-feira, na gravação do nosso programa de TV. Nosso novo reforço no vídeo, Gabriel Betbeder, conheceu a equipa minutos antes da câmera ser ligada – dez minutos depois, já era amigo de todo mundo e distribuído piadas. Esse é o clima, é o espírito. Depois demos um abraço no Ruy Jobim, um dos maiores locutores do pais, que tem nos dado uma força enorme com a ER. Quem emana boas energias tende a atrair boas energias também.

Outra: a turma da TYF, que nunca fala com ninguém por motivos justos, fez questão de gravar conosco. Simplesmente o reconhecimento de saber que, no PANORAMA, não tem pegadinha nem trairagem, nem manipulação. É o que nos orgulha e dá força para prosseguirmos.

Na boa? O único motivo desta publicação é agradecer a todos os que fizeram e fazem deste PANORAMA uma casa de amizade, que é a coisa mais importante da vida.

Amizade é amor, é o contraponto ao ódio estúpido que afasta, aparta e destrói as coisas boas da vida, trincando as paredes sociais.

Vejo este banner acima e me orgulho dessa turma, me orgulho quando torcedores de outras equipes nos param e dizem “Cara, a gente queria um trabalho como o de vocês no nosso time”. Eu não troco essa turma por um bilhão de likes, camaradas. Um trilhão. Aqui são outras palavras.

Estamos limpos.

Por mais de um motivo, é natural que o pessoal me tome como o líder. Pode ser. Ok, é. Mas aqui nenhum líder faria sentido sem vinte e cinco apoiadores diretos e outros tantos eventuais, além da turma toda que nos segue desde os tempos do Fluminense & Etc.

Acho que não há o menor motivo para cogitar o fim do PANORAMA nos próximos vinte anos. Mas, se ele acontecesse hoje, eu já teria um orgulho imenso dos amigos que fiz, das pessoas que reuni e até mesmo que das perdem seu tempo me detestando, sem qualquer réplica: se estas me adorassem, aí é que eu me sentiria um derrotado… Só me fortalecem e mostram que estou no caminho humilde, digno e e certo.

Mais uma vez olho o banner.

São dez escritores publicados. Precisa dizer mais alguma coisa?

Sim. Obrigado por estar aqui. Obrigado pela amizade, pelo amor.

O Fluminense passa um momento muito difícil, mas que há de ser superado – dirigentes, jogadores e treinadores passam, o Tricolor permanece imbatível frente ao tempo.

O sol nascerá, já ensinou um dos nossos maiores poetas, Cartola – marechal do samba, não soldado raso metido a tenentinho:

Enquanto isso, neste PANORAMA somos muito mais do que um time. E olhe que ainda nem começamos.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri 

#JuntosPeloFlu

Imagem: pan

2 Comments

  1. Como diria João Saldanha, Paulo Roberto Andel é pedra 90. Cara, seu texto é de uma clarividência que contagia sem desejar nos convencer de nada, apenas pela lucidez apresentada. Paro por aqui e um fraternal abraço. Apareça mais no Bar Jóia(Jardim Botânico), pois sentimos falta de suas aparições.

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