Oscilações e lucidez (por Paulo-Roberto Andel)

Inibido pela forte marcação adversária, sem a criatividade no meio (com Scarpa visivelmente fora de ritmo, Orejuela abaixo do padrão do começo de ano) e sem a velocidade de Wellington para puxar o ataque, o Fluminense​ realizou uma partida fraca no primeiro tempo do clássico. Mesmo assim, poderia ter descido para o vestiário com o empate, não fosse a bobeada fatal em deixar Luís Fabiano livre para o cabeceio. Ainda que no fim de carreira, o artilheiro conhece do ofício. E também a cabeça de Nogueira, com a bola batendo na trave.

A virada no segundo tempo aconteceu mais em função das bobagens vascaínas do que propriamente pelos méritos tricolores. Dois pênaltis patéticos e sucessivos. Dourado, que nada tinha a ver com os problemas do rival, cobrou com maestria e se manteve no rol dos principais artilheiros do ano. A questão era conseguir sustentar o marcador até o fim da partida.

Não deu. Já com problemas estruturais, reforçados pelas entradas indevidas de Maranhão e Marquinho, o Flu cedeu espaços ao Vasco e este, empurrado por sua torcida, reempatou o jogo e promoveu a cruel virada em cima do laço. Mais uma vez, faltou experiência: o terceiro gol vascaíno foi precedido por um escanteio e um lateral tricolores. Em vez de valorizar a posse de bola com o cronômetro no fim, foi feito o contrário e o preço saiu caro. Abel não esteve bem mas tem crédito, naturalmente. Marquinho merece todo o louvor pela história, mas é um ex-jogador.

Não há tempo para lamúrias: na quarta tem jogo decisivo contra o Grêmio, o Fluminense​ precisa de pelo menos 2 a 0. É em cenários desconfortáveis que a equipe das Laranjeiras costuma se superar. Mas é preciso também entender que, por mais que este 2017 tenha um Flu surpreendente, reconstruído sem dinheiro, com a base e retrofitado, há um time mas falta um elenco. Reforços, mesmo que desconhecidos e pontuais, são fundamentais.

No mais, as exóticas cenas homofóbicas promovidas pelos mandantes neste sábado refletem o tempo do clube da Colina: o de ontem, o ultrapassado, personalizado na figura de seu suposto dono, onde a fanfarronice pontual é mais importante do que toda uma temporada. Quando a obsessão pela letra C é maior do que a autocrítica sobre os próprios três rebaixamentos em nove anos (com 114 partidas disputadas), alguma coisa está definitivamente fora da ordem.

Quanto ao Fluminense, irá oscilar por muito tempo. Não há dinheiro, será preciso vender revelações. Existe um bom conjunto em campo que já mostrou talento. Nestas horas, quem precisa empurrar o time numa ladeira irregular é a torcida. Que os dirigentes do clube tenham sensibilidade nesta questão e na mudança do foco, que deve ser o de agregar em vez de desafiar, além de escutar as vozes relevantes da arquibancada.

Se o Tricolor conseguir superar seus próprios inimigos internos, às vezes mais coléricos que os de fora por motivos particulares, já é um grande negócio. A palavra de ordem é lucidez, e ela vale para todas as partes envolvidas, sejam as de boa ou duvidosa fé.

Só para lembrar: o saldo do ano é 8 a 3.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: rap

3 Comments

  1. O Abel tem crédito, no passado e principalmente no presente, mas já passou da hora de pôr seu ego e suas invenções paternalistas acima da voz da torcida. Foi assim com Diguinho em 2012, mas tínhamos um super time, esse de hoje não podemos dar chance ao azar.
    Quarta feira erro zero ou teremos que meter quatro ou cinco no Grêmio para sairmos com a vaga.

  2. Os 3M só entram para receber o bicho, já que estão com os direitos de imagem atrasados.
    O que o Abel e a diretoria tem que entender é que não se compara vencer o Santos, Atlético Mineiro e outros de fora do Rio à uma vitoria em clássico! Não tem santista, corintiano ou gremista no trabalho, na escola, no boteco! Se não vencemos clássicos, não aumentamos nossa torcida!
    Quanto ao Brasileirão, é só não perder pontos para times que não serão G6. Spo, Bah, Cha, Ava, Coxa, Pon, Atl Go e Vit. 48 pts!

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