Os exemplos (por Aloísio Senra)

Aloisio Senra

Tricolores de sangue grená, nossos pais, em nossa infância, certamente nos guiaram da melhor forma possível. Eles nos ensinaram o que devemos ou não fazer, como nos comportar e que atitudes devemos tomar para viver bem em sociedade e, é claro, vencer na vida. Todavia, ainda que fôssemos bons filhos e os escutássemos, nos impactavam muito mais seus atos que suas palavras; suas atitudes falavam mais alto que seus sermões. Em suma, eles nos influenciavam, principalmente, pelo exemplo.

Porém, não são apenas os bons exemplos que moldam o nosso caráter. Os maus também o fazem. Dependerá da sabedoria e da inteligência dos filhos, desenvolvida através do pensamento crítico fomentado na escola, a escolha adequada. Tomo como exemplo a minha própria experiência de vida. Meu saudoso pai era uma pessoa honestíssima, e dele herdei esta característica. Contudo, infelizmente era um alcoólatra, e este foi um imenso sinal de alerta para mim. Hoje bebo muito pouco. O álcool nunca me atraiu.

O Fluminense, que um dia já foi a instituição mais perfeita do mundo, segundo Jules Rimet, hoje é um exemplo do que não ser no futebol. Noves fora a Primeira Liga, o restante do ano foi sofrível dentro e fora de campo. Animosidade entre tricolores dentro do clube, ódio nas redes sociais envolvendo torcedores, um se achando mais tricolor que o outro. Isso é exemplo para darmos aos tricolores do futuro? O ano foi de eleição ou de disputa de território? Pensei que o Fluminense fosse de todos.

O reflexo do que hoje somos está estampado no caso do torcedor tricolor que foi agressivo com um torcedor do Internacional dentro de um trem. O erro dele já representa o problema que enfrentamos, mas houve algo ainda pior depois: começaram, os próprios tricolores, a divulgar os dados pessoais do rapaz nas redes. Falou-se até em linchamento. O que é isso, minha gente? Em vez de tentar apaziguar as situações com diálogo e bom senso, estamos caminhando para a barbárie. Tudo se resolve na porrada. Andel está coberto de razão quando fala do ódio coletivo. Somos uma sociedade verdadeiramente doente.

E é em momentos como esse que o bom exemplo precisa surgir e liderar. A torcida do Fluminense e seus sócios precisam ser este fator de fidalguia que reumanizará nossas cores e dará uma contribuição expressiva para a sociedade. Precisamos voltar nossos olhos ao passado e readquirir nossa identidade que foi construída pelo brilho da Taça Olímpica. Somente reencontrando o legado que foi deixado para trás em nossa história poderemos almejar torná-la cada vez mais gloriosa. Já passou da hora do “Ser Fluminense”, de Artur da Távola, ser mais do que um mantra. Tem que estar na nossa alma.

Curtas:

– Abel não apenas é um bom nome, como, creio, era o único plausível para começar a se pensar em títulos para 2017. Foi campeão brasileiro, tem identificação com o clube e está entre os melhores. Bem-vindo de volta, Abelão!

– Ainda sobre exemplos: que o Fluminense se espelhe em duas equipes para ter sucesso no ano que vem: Botafogo (o exemplo do que fazer com pouco dinheiro) e Internacional (o exemplo do que não fazer com muito dinheiro).

– Meu sincero agradecimento a Levir Culpi. Se não fosse por ele, não tenho dúvidas de que estaríamos sendo rebaixados no lugar do Inter. Tirou leite de pedra!

– Pedro Abad é o presidente do próximo triênio. Que seja tricampeão estadual, tricampeão brasileiro, tricampeão da Copa do Brasil, campeão da Sulamericana, bicampeão da Libertadores e bicampeão Mundial. A hora é de apoiar, criticando quando for necessário, e de forma construtiva, mas elogiando também quando houver merecimento. Deixemos qualquer rivalidade eleitoral de lado. Somos todos tricolores.

– Esta humilde coluna retornará em 2017, e permanecerá enquanto o Panorama me quiser aqui. É um prazer escrever neste espaço para vocês. Boas festas a todos os leitores e a toda a equipe do Panorama Tricolor.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem:  alo

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