Odair Hellmann no fio da navalha (por Aloísio Senra)

Tricolores de sangue grená, da última vez que escrevi neste espaço, o Fluminense ainda não tinha cometido o maior vacilo de 2020 até aqui, que foi conseguir a façanha de ser desclassificado na primeira fase da Copa Sul-Americana que, convenhamos, era bastante improvável, visto que nosso time é bastante superior ao do Unión La Calera, que teve a virtude (única) de segurar o resultado que lhe interessava, com um ferrolho defensivo de 90 minutos e mais acréscimos. Mas o principal fator não foi esse, e sim o nosso atual técnico, Odair Hellmann. A insistência do treinador em um modelo de jogo com dois volantes “grossos” e em momentos questionáveis (preterir Hudson por Henrique me parece um grave erro, e era preferível ter Yago a Yuri em campo pela mobilidade), além de manter Digão, que a torcida não quer ver em campo, manter Marcos Paulo como ponta, sendo que esta não é a posição dele e, por fim, aparentemente descartar Miguel como reserva imediato de Ganso ou Nenê, tudo isto está queimando o filme dele, e foram as principais razões para a tragédia ocorrida no Chile.

É indiscutível que a Copa Sul-Americana reservava a melhor chance de título para nós neste ano, pois não teríamos certas concorrências meio desleais no processo, sem contar que esta é uma competição da qual a torcida gosta demais. Para ela, Sr. Hellmann, a partida contra o La Calera era, sim, o jogo do ano. Você trabalha para a torcida. O que você pensa a respeito da importância dos jogos não importa, e sim o que nós, torcedores, pensamos e queremos! Agora, no início de março, continuamos na Copa do Brasil, pela qual vamos encarar o Botafogo-PB no Maracanã pela segunda fase e teremos também o returno do Campeonato Carioca, a eterna competição de cartas marcadas, em que qualquer título que passe longe da Gávea é visto com extrema surpresa. Sabemos que a Copa do Brasil, quando se afunila, torna-se muito mais competitiva e difícil. Passar das Oitavas de Finais, jogando essa bolinha, é difícil de imaginar, ainda mais se encararmos uma equipe grande. Além de tudo, teremos a cereja do bolo a partir de abril, o Campeonato Brasileiro, no qual entramos sem qualquer pretensão inicialmente.

Se é exagerado dizer que nosso ano “acabou” em fevereiro, não é nenhum absurdo dizer que nossas chances de título importante este ano acabaram por aqui. Não somos favoritos em nenhuma competição que disputamos, e em todas elas há vários times tão fortes quanto ou mais fortes que nós – exceto no Carioca, que tem a rigor só um, mas que joga normalmente com 14 na linha graças à FFERJ. Se o Fluminense for campeão da Copa do Brasil ou do Campeonato Brasileiro esse ano será uma baita zebra, reconheçamos. Até as chances de vencer o Carioca são pequenas se levarmos em conta o que já foi mencionado. Assim, o que nos resta, de forma racional, é ao menos chegar à final do Carioca, ir o mais longe possível na Copa do Brasil, visando arrebanhar a gorda premiação a cada fase atravessada, indo pelo menos até as quartas, e tentar beliscar uma classificação para a Libertadores no Brasileiro, uma vez que o número atual de vagas tem sido generoso. Só que, para isso, Odair precisará, a partir deste domingo, contra o Madureira, pela primeira rodada da Taça Rio, mudar. E para melhor.

Está claro que o sistema com três atacantes não vai funcionar da maneira como o time, hoje, está escalado. Talvez nem seja a melhor opção. Seria muito mais fácil testar o time com quatro no meio e dois atacantes, para dar equilíbrio e força ao meio de campo. Hudson, Yago, Ganso e Nenê no meio; Marcos Paulo e Evanílson no ataque. Hudson é lento demais? Bota o Yuri mesmo por ali. Precisa de um time mais incisivo? Ok. Aí parte pros três atacantes com Hudson, Ganso, Nenê; Marcos Paulo (por sua qualidade, podendo voltar a compor como quarto homem de meio de campo se necessário), Evanílson e Pacheco/Wellington Silva. É necessário mudar, até mesmo onde não parece precisar. Muriel não me parece seguro desde que voltou. Talvez seja o momento de voltar com o Marcos Felippe. A menos que as dores (que comentou-se que ele ainda sentia) realmente impeçam Matheus Ferraz de jogar, a zaga titular precisa ser Nino e ele. Digão e Luccas Claro são reservas, isso precisa ficar cristalino. Gilberto me parece à vontade demais sem concorrência: dá banco pra ele por um jogo e mete o Julião. Algo precisa ser tentado, Odair. Não dá pra repetir, mais uma vez, a escalação que vimos contra o Moto Clube.

Eu iniciaria a Taça Rio (e a partida pela Copa do Brasil) com Marcos Felippe, Igor Julião, Nino, Matheus Ferraz e Egídio; Hudson, Yago, Ganso e Nenê; Marcos Paulo e Evanílson. A variação para o 4-3-3 poderia ocorrer da maneira como relatei, e está na hora de vermos no banco André, Calegari e, principalmente, Miguel de volta. Eu o colocaria em todos os jogos da Taça Rio, queimando sempre uma substituição, tirando ou Nenê, ou Ganso (o que estiver mais cansado), e dando tempo de jogo para o menino. É óbvio que ele ainda não tem porte físico para ser titular, nem aguentar todos os jogos atuando de maneira competitiva, mas se ele está integrado ao time titular devido a uma exigência contratual, como foi ventilado por aí, ele precisa ser utilizado. O talento dele não pode ficar restrito aos treinamentos. Você não pode achar que continuará dirigindo mal o time impunemente, Odair. Não importa o que o presidente diga, vexames contra pequenos ou até mesmo uma impensável desclassificação na próxima quarta-feira contra o Botafogo-PB podem (e provavelmente vão) custar o seu cargo. É hora de mudar ou cair. Pense bem.

Curtas:

– A novela Fred caminha para o seu desenlace, sendo que o último capítulo gira em torno da questão dos termos do contrato. Enquanto o Fluminense quer que Fred ganhe por produtividade, o artilheiro deseja um contrato de dois anos, com salário fixo, algo mais “comum”, e que giraria em torno de R$ 400 mil mensais, o mesmo que ganha Ganso (e acho que Nenê também). É claro, tudo isso por rumores e informações sem fonte fidedigna. Vamos ver se até o final de março essa novela acaba.

– Acabou a palhaçada da venda de mandos de campo no Brasileirão. Ainda bem. Sempre fui contra. A próxima mudança que gostaria de ver seria a equipe do VAR ser estrangeira. Daria mais lisura à competição e justificaria o investimento dos clubes.

– Tá liberado gritar “time de viado” pra todo mundo, ok? Só “time de assassino” é que não pode. Firmeza?

– Teremos três partidas em sequência no Maracanã (considerando que provavelmente o duelo contra o Vasco será no estádio deles). Madureira, Botafogo-PB e Resende serão os adversários, sendo que o jogo contra a equipe nordestina é o mais importante deles. Hora de emendar três belas vitórias com mudanças que precisam ser realizadas na equipe e fazer essa maré virar.

– Palpites para as próximas partidas: Fluminense 2 x 0 Madureira; Fluminense 3 x 1 Botafogo-PB

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

2 Comments

  1. ST****

    Análise lúcida e propositiva de uma forma diferente de jogar em relação àquela de Odair tentando nos acostumar/convencer.

    Não creio que Ferraz sinta dores, ao menos impeditivas, que alguém já teria oficialmente manifestado sobre.

    Odair não é técnico para o Flu. Lembra coisa da Flusócio.
    Redução de danos é demiti-lo o quanto antes. Curto e grosso asssim.

  2. Odair é péssimo e cai antes do início do Brasileiro se essa diretoria incompetente tiver um mínimo de juízo. Se entrarmos no Brasileiro com esse cara, já de cara vamos perder muitos pontos nas 7 dificílimas primeiras rodadas.

    ST

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