O último voto é o de confiança (por Aloísio Senra)

aloisio 2017 panorama

Tricolores de sangue grená, hoje é um novo dia de um novo tempo que começou. Não fizemos muitas contratações, despachamos um sem-número de jogadores que a torcida estava louca para verem fora do clube e tivemos um técnico vencedor fazendo uma pré-temporada maravilhosa em nosso próprio CT. Há anos não tínhamos um início tão bom e positivo, sob todos os aspectos.

O Fluminense disputou cinco jogos em 2017. Venceu todos. Alguém aí apostaria nisso no fim do ano passado? “Ah, mas ganhando de Serra Macaense e Madureira é mole”, diriam os desconfiados. Mas esse mesmo Serra Macaense venceu o “poderoso Flamengo” também em jogo-treino, e o Madureira bateu o “fogão da Liberta” por 2 a 0 pelo Carioca. Além disso, estreamos defendendo o título da Primeira Liga batendo o Criciúma e, no último domingo, goleamos o Vasco pelo Carioca. Repito: goleamos o Vasco, de quem não vínhamos ganhando nem na porrinha com regularidade.

Nossa defesa ainda precisa de encaixe, mas já jogou melhor que contra o Criciúma, sem contar a entrega e a disposição. Do meio para a frente estamos vendo uma pegada belíssima. Nossa força ofensiva dá gosto. O time voltou a nos dar tesão de vê-lo jogar, e isso é inegável. Abel prometeu que faria isso, que devolveria a alma ao Fluminense, e está começando bem o seu trabalho. A base é, de fato, a base do time. Léo, Douglas, Gustavo Scarpa, Wellington, Lucas Fernandes, Pedro, Luiz Fernando, Marcos Jr – e posso estar esquecendo alguém – são a cara desse Fluminense renovado. Temos ainda a experiência indiscutível de Cavalieri, a pujança de Henrique e, é claro, os equatorianos. Eles merecem um parágrafo à parte.

O volante Orejuela e o meia atacante Sornoza foram contratados no ano passado. Só poderiam jogar esse ano. Tratavam-se de duas contratações indiscutíveis, visto o quanto haviam jogado em seu ex-clube, o Independiente Del Valle. Mas a espera por eles gerava questionamentos, pois o time sofria no Brasileirão. Veio 2017, eles chegaram e treinaram, fazendo, junto com o grupo, uma pré-temporada decente depois de anos disputando a Disney Cup, digo, a Florida Cup. Eu esperava que eles demorassem um pouco a se adaptar. Geralmente isso acontece com os estrangeiros, mas não foi isso que se viu. A verdade é que eles já são uma realidade, já estão arrebentando e o Fluminense ganha muito com isso.

Orejuela tem sido escalado como primeiro volante. Tem uma visão de jogo maravilhosa, quase não erra passes e tem poder de desarme fabuloso. Sornoza já foi decisivo nos dois jogos oficiais dando assistências. Dentro de campo, joga demais. Junto aos equatorianos, Abel de fato foi a melhor contratação dos últimos tempos. Ele conseguiu fazer o Henrique Dourado jogar bola, meus amigos. Não é sacanagem. Mesmo gostando mais do Pedro, não posso deixar de reconhecer o esforço que tem feito o nosso atual camisa 9, que tem jogado bem. Já fez um gol e, coletivamente, tem sido muito importante para o time. Aliás, essa é a palavra que define o Fluminense hoje: coletivo.

Tricolores, estamos vivendo um novo tempo. Não mais o dos medalhões, não mais o dos jogadores caríssimos que ficavam fazendo corpo mole, não mais o das panelinhas, não mais o da dependência da individualidade. Hoje, temos um time de verdade. Ainda é um timinho, não sei se vamos ganhar qualquer título que seja, mas se mantivermos essa pegada e jogarmos nessa toada, vamos brigar por tudo. E isso é o mínimo que se exige quando se fala de Fluminense. A cipoada em cima do Vasco pode ser um sinal de que estamos voltando aos trilhos da ferrovia das vitórias, da qual nos afastamos ao fim de 2012. Na minha visão, findou-se o pesadelo.

A eleição também já acabou. Os sócios já votaram e já elegeram o presidente. Falta só o último voto, que é o voto de confiança da torcida no trabalho que está sendo iniciado. E, gostemos ou não do resultado das urnas, é o Fluminense que está entrando em campo. É hora da torcida apoiar. Deixem as críticas para quando e se o time, o técnico ou a diretoria merecerem. Agora é hora de lotarmos os estádios e fazermos a nossa parte. Nós, como tricolores, precisamos dar as mãos. Chapas não podem separar um só coração que bate forte pelo Fluminense.

Curtas:

– Florida Cup? Não, obrigado. Prefiro pré-temporadas que formem times vencedores.

– O Fluminense joga hoje contra o Resende em Moça Bonita às 16h30. Que horário horroroso para meio de semana, mas é o que temos no estadual. Que venha a segunda vitória na competição.

– Nosso próximo compromisso na Primeira Liga é na quarta-feira que vem, contra o Internacional no Beira-Rio. A crise que o Colorado atravessa é sem precedentes, e o momento é ideal para derrotá-los em seus domínios. Basta manter a pegada.

– Falando em Primeira Liga, será que dá pra pararmos de jogar longe do Rio de Janeiro? O jogo contra o Brasil de Pelotas tem que ser no Giulite Coutinho ou no Engenhão. É o mínimo. A torcida quer estar presente!

– E aproveitando o assunto dos estádios, é terrível o que fizeram com o Maracanã. É de doer. Espero que os clubes assumam logo o estádio junto com outro Consórcio e que tudo se resolva.

Panorama Tricolor

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