O torcedor não é otário (por Paulo-Roberto Andel)

O mais importante antes de tudo: que o Fluminense faça uma excelente partida diante do Nova Iguaçu, voltando de Édson Passos com mais uma vitória.

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O Fluzão do campo vai bem, obrigado. De forma surpreendente – e séria -, o time 2017 tem vivido seu primeiro trimestre de maneira muito diferente das temporadas anteriores, seja pela força de vontade, pela renovação do elenco – possivelmente o mais jovem de todos desde 1980 -, pelo discurso transparente e direto de sua diretoria, pelo acerto na contratação de Abel. Na correria das competições, reservas e titulares se revezam e, mesmo que não estejamos sendo brilhantes o tempo inteiro, temos pautado esse início de caminhada pela eficiência. Que continue assim, apesar das enormes dificuldades financeiras hoje e à frente – o déficit de 75 milhões não surpreendeu nenhum torcedor que acompanha os números do clube, infelizmente, e exigirá muito trabalho para ser superado, mas não é nada do outro mundo, é bom que se diga.

Por outro lado, mesmo quem não é atento ao PIB tricolor percebe uma obviedade: vencendo seus jogos ou não – e tem vencido grande parte dos seus neste 2017 -, o Fluminense tem quase que diariamente movimentos internautas – simultâneos – de burburinhos e ataques de cólera provocados por cabos eleitorais, militantes, pretensos formadores de opinião e apoiadores de candidaturas derrotadas na eleição tricolor do ano passado – repetindo o infeliz comportamento de um ou outro integrante da antiga situação. Dez minutos de acesso às redes antissociais atestam este fato. Para alguns, trata-se apenas de política de oposição, salvo raríssimas exceções como o meu amigo – e cronista desta casa – Antonio Gonzalez, que muito lutou pela construção de um novo Fluminense e agora está lá dentro batalhando, ao contrário de algumas cracatoas que preferem o ódio à construção. Eu diria uma oposição de circunstâncias, integrada por muitos, na verdade quase todos, que eram 100% situação de camisa vestida e beijo no escudo há pouco mais (ou menos) de um ano.

Entender o processo é mais fácil do que parece. Simples: o Fluminense tem grupos políticos e não necessariamente partidos estabelecidos com doutrinas próprias – ainda que partidos, no Brasil e em boa parte do mundo, não constituam os melhores exemplos de ética, honradez e administração positiva. O que se busca em geral numa eleição do Flu é o alinhamento por causas: o fortalecimento do futebol, dos esportes, da sede social, a gestão eficiente dos recursos econômicos. E aí se escolhe quem seja – ou pareça ser – confiável para tais tarefas, com alinhamento de propósitos. É o caso de agora, quando o clube passou a ser gerido por uma coalizão de grupos, sob a liderança do presidente Abad, e não meramente uma continuação do governo anterior. Houve quem dissesse que nAda iria mudar, que era apenas adesismo barato, mas as atitudes iniciais para melhor são mais do que visíveis, só não sendo enxergadas por eventuais olhares de má vontade ou de rancor, este muitas vezes alimentado por questiúnculas pessoais, algo tão doentio que remete a relatos nos quais me ainda me recuso a acreditar, como gente torcendo contra no estádio para “não favorecer a gestão atual”.

Sobre torcer contra o próprio clube, eu mesmo já fui acusado dessa sandice quando critiquei a gestão tricolor em 2015/2016, por ser conta o uso de latas de Coca-Cola como melancia no pescoço, ou de abraços eleitorais, ou ainda por ser contra a contratação de 3.000 jogadores medíocres com altos salários e contratos longos (quem ganhou com isso? O Fluminense certamente não), afora 316 outros motivos. Minha resposta foi “Cartas do Tetra”, “O Fluminense que eu vivi” (com capa preta de luto), “O Fluminense na estrada” e “Onde você estava naquele gol de barriga”, quatro títulos que orgulhosamente me colocaram no rol de escritores mais publicados na história da literatura sobre o nosso clube, bem como na de todos os grandes clubes e futebol no Brasil. Mas isso é uma pequeníssima vitória pessoal e só.

A situação financeira do Fluminense é delicada e exige muitos cuidados, até mesmo sacrifícios desagradáveis como a eventual venda de jogadores, mas não é nada pior do que em diversos momentos complicados da nossa história nos últimos 40 ou 30 anos. Basta pesquisar e fazer as atualizações monetárias.

Dentro do possível, estamos caminhando. Para quem nos via como pré-rebaixados no segundo semestre e eliminados no primeiro, o segundo tiro já saiu pela culatra. Há muito a ser feito, muitos problemas, mas também muita esperança e trabalho a caminho.

Aproveito o espaço para sugerir a todos os tricolores que, munidos de boa fé e desprovidos de interesses pessoais como busca de cargos e empregos no clube, e que não lucrem às custas do caos no clube, venham para perto trazendo sugestões, propostas e meios de viabilização das mesmas. Que possam oferecer esforços para que se construa um Fluminense melhor. As pessoas que hoje conduzem o Flu são muito acessíveis – aqui mesmo no PANORAMA, temos em nosso elenco conselheiros bastante atuante, dispostos a ouvir e conversar.

A cólera doentia por causa de uma derrota eleitoral não acrescenta absolutamente nada ao crescimento do Fluminense. É apenas o sentimento negativo de um ou outro caçador de quinze minutos de fama e só. Construir é muito mais difícil do que destruir. Separar o joio do trigo é fácil.

Aí está a torcida tricolor que não me deixa mentir, em especial a população de sócios votantes do clube: mesmo diante de verdadeiras avalanches de mentiras na internet, participou ativamente do processo eleitoral e escolheu o grupo que entendeu ser o melhor para conduzir o Flu. Ao contrário do que alguns desavisados pensam/pensavam, o torcedor do Fluminense está longe de ser otário e sabe distinguir as justíssimas críticas, sempre que for necessário, da panfletagem enrustida visando 2019.

Espero não voltar a este tema tão cedo. Sou um torcedor do Fluminense, não de candidatos à presidência do clube. Esta coluna não disponibiliza suas opiniões para aluguel ou leasing, nem faz acordos com dirigentes passados, atuais ou futuros. Quem aluga suas opiniões não merece respeito, sequer menção.

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Nesta segunda-feira, a partir das 18 horas, será lançado “Cenas do Centro do Rio”, pocket book de 98 páginas com crônicas e minicontos ambientados no coração da Cidade Maravilhosa.

O prefácio é da escritora Elika Takimoto, vencedora do Prêmio Nacional Saraiva na categoria crônicas em 2015. A direção é do nosso bacalhau invasor e escritor Zeh Augusto Catalano, editor deste PANORAMA.

É meu décimo livro, o primeiro fora do cenário de futebol (embora o Fluminense seja citado nele, claro) e que me deu um orgulho enorme.

Casa Vieira Souto – Praça da Cruz Vermelha, 9 (a 30 metros do Inca). Preço: 20 pratas.

Espero vocês por lá.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: rap

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