O futebol não poupa ninguém (por Paulo-Roberto Andel)

Muitas vezes em futebol é bonito ler e ouvir expressões como “gestão”, “trabalho”, “planejamento” e outrem. Todas são utilizadas nas vitórias e conquistas, mas são imediatamente apagadas se o contrário sucede.

A verdade é que nenhum treinador, elenco ou mesmo dirigente resiste a uma sequência de maus resultados, com a corda arrebentando prioritariamente do lado mais fraco. Por isso, o futebol brasileiro é campeão mundial de troca de treinadores.

Dia desses mesmo o Fluminense correu riscos. Parte da torcida queria Fernando Diniz assado, a outra parte o defendeu, mas vieram duas boas vitórias e a temperatura esfriou. É claro que em times grandes os resultados pesam, mas o que nenhum dos detratores do treinador foi argumentar sobre quem seria seu substituto imediato, capaz de mudar o Flu para melhor com resultados positivos imediatos.

No Brasileiro a situação ainda é delicada, entretanto. E perto do Fluminense está o Cruzeiro, que acabou perdendo Mano Menezes depois da derrota de ontem. Três anos no cargo, duas Copas do Brasil, mas quem suportaria à beira do campo oito jogos sem gols? Entre campeões e derrotados, o futebol não poupa ninguém.

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O mesmo Cruzeiro em que o Fluminense deu um baile, mas para quem perdeu a vaga nesta mesma Copa do Brasil.

O Cruzeiro que luta para sair da zona de rebaixamento, sendo o Fluminense o primeiro time fora dela e também lutando para se afastar da região inóspita.

O Cruzeiro de Fred, previamente apontado como o possível grande reforço de 2020 para o Fluminense.

É certo que o jogador jamais deveria ter saído das Laranjeiras da maneira como saiu, e que tem lugar cativo no coração de boa parte da torcida tricolor, mas é inevitável uma reflexão: quase quatro anos depois, sua contratação seria efetivamente um reforço ou apenas a reparação de uma possível injustiça, com o Fluminense pagando uma enorme conta?

A se confirmar o negócio, teria sentido rifar o jovem Pedro e mudar completamente o jeito de jogar do Fluminense?

Fred é um ídolo eterno de muitos, mas entendo que sua contratação precisa estar cercada de prudência.

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As duas boas vitórias sobre Peñarol e Inter trazem uma semana pacífica para o CT tricolor.

Movimentos de reaproximação do clube com a torcida, tais como o show de Lulu e o telão no gramado, merecem ser elogiados.

Porém, fora do campo o Tricolor parece ter movimentos um tanto estranhos, especialmente nas questões de montagem de sua diretoria, assim como na contratação de jogadores cuja condição de reforços parece um tanto duvidosa.

Mesmo os possíveis – e merecidamente celebrados – rumores de um patrocinador master ajudam sim, mas ainda são pouco para tirar o Fluminense da cratera financeira em que se meteu, ou melhor, foi metido.

Com esses detalhes pontuais observados, desejo ao presidente e sua diretoria sucesso nos próximos meses até que se possa fazer uma avaliação mais criteriosa da gestão tricolor. Esta coluna, a caminho da sua edição número 1.000, sempre primou, prima e primará por defender as causas do Fluminense, não suas pessoalidades.

Não é porque fui um eleitor de oposição a esta atual gestão que me prestaria aos papéis emporcalhados – e até criminosos – de tuiteiro colérico, nanocelebridade de boca podre ou blogueiro de aluguel. Para estes postos – ou bicos para quem preferir -, como todos sabemos, existe gente muito mais afiada e sem um nome a zelar.

Mas espero sinceramente que os próximos meses apontem um caminho realmente novo e comprometido com as prioridades do Fluminense – e não uma versão maquiada nem editada dos inúmeros erros da Era Flusocio.

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Ainda sobre política: o personagem mais rico da internet tricolor é o tuiteiro Chinês. Nas entrelinhas de irreverência, há questões profundas sobre a política e lida do Flu. Deixa o Chiquinho Zanzibar no chinelo.

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Vencer o Peñarol foi lindo mas não custa lembrar: o Fluminense precisa MUITO de sua torcida nos jogos no Maracanã.

Olho vivo e faro fino, pessoal.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

#credibilidade

3 Comments

  1. Tricolor, muito boas as suas ponderações, mas gostaria de fazer uma observação em relação ao Fred. Acredito que a (possível) vinda dele não poderá ser associada à ideia de “rifar” o Pedro, como você referiu em seu texto. Acho que Pedro sairá do Flu independentemente de qualquer cenário. É só uma questão de tempo, poderá ser na próxima semana ou no final do ano, mas sairá.
    ST

  2. Lucao? Porque não Evanilson? Lembemo_nos que na saída de Dourado, ninguém cria que Pedro iria estourar e ele se consagrou…

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