O Fluminense e o VAR, o VAR e o Fluminense (por Marcelo Savioli)

Amigos, amigas, vamos tentar entender uma coisa muito simples. Quando o árbitro assinala um pênalti, sua única função é autorizar a cobrança e observar a movimentação do goleiro, para ver se ele não se adianta.

Pois Marcos Felipe fez uma grande defesa, que garantiria ao Fluminense a vitória e, possivelmente, a fuga definitiva, matematicamente, do rebaixamento, bastando para isso que o Cruzeiro não vencesse o Vasco no jogo dessa segunda-feira.

O árbitro considerou o lance normal e deu sequência à partida, mas o VAR, sempre ele, mais uma vez ele, foi usado para penalizar o nosso clube. Num lance, inclusive, bastante discutível, porque o movimento de nosso goleiro não foi nada diferente do que todos os goleiro fazem.

Porém, afinal de contas, era o Fluminense e quando é o Fluminense o VAR sempre encontrará uma forma de nos prejudicar, como foi ao longo de toda a temporada, em partidas contra Goiás, CSA, Athlético PR, São Paulo e tantas outras.

Se é contrário ao Fluminense, que prevaleça a decisão de campo. Se a decisão é favorável, sempre chega uma ordem de cima para avacalhar.

É VARgonhoso o que está acontecendo no futebol brasileiro e não é de se estranhar que cada vez menos pessoas se interessem por esse esporte, porque as situações escandalosas se sucedem há décadas.

Tirando esse pormenor, uma derrota do Cruzeiro amanhã nos livra definitivamente do rebaixamento. Um empate do Cruzeiro os obriga a fazer seis pontos e nós não pontuarmos. Quanto ao Ceará, ainda precisa fazer quatro pontos com o Fluminense sendo derrotado nas duas últimas partidas. Caso o Cruzeiro perca para o Vasco, a fatura está liquidada e nos preocuparemos com uma vaga na Sul-Americana.

Quanto à exibição do Fluminense, era de se esperar que enfrentássemos limitações. Sem Daniel e Ganso, é difícil imaginar nosso meio de campo produtivo do ponto de vista da geração de jogadas ofensivas. Foi o que, na segunda etapa, trouxe o Avaí para o nosso campo, sem que conseguíssemos explorar os espaços deixados na defesa catarinense.

Olhando para o banco, ante essa situação, Marcão tinha praticamente nada o que fazer, pois não tinha peças capazes de mudar a dinâmica do jogo. Lá pelos trinta minutos da segunda etapa, Marcão fez o que era possível. Trocou dois jogadores desgastados por outros dois que entravam com o fôlego em dia, tentando melhorar a intensidade da equipe.

O fato é que o Fluminense subiu de produção e poderia ter liquidado a partida numa jogada dos dois jogadores que entraram. Guilherme encontrou Pablo Dyego em situação privilegiada, mas o arremate beijou os pés da trave, como que prenunciando o embaraço que viria.

Uma bola vadia é disputada pelo alto e sobra para o atacante em nossa área. Nino, que deveria apenas encurtar o espaço, se atira na bola para o corte e derruba o jogador do Avaí.

Como resultado, teremos 60 mil tricolores no Maracanã na próxima quarta-feira para proporcionar o mais belo espetáculo do Maracanã em 2019. A expectativa é de que a multidão que estará presente no Mário Filho seja a plateia de nossa fuga definitiva do rebaixamento, em mais uma noite épica, como foi a da última quinta-feira.

Pela frente, teremos o Fortaleza, um grande adversário, que vem enfileirando grandes resultados nas últimas rodadas, sob o comando do surpreendente Rogério Ceni. Com a volta de Daniel e Digão, espero que Marcão encontre uma boa solução para o lugar de Ganso, que, no meu entendimento, seria escalar o Miguel Silveira mais próximo dos atacantes, com Daniel fazendo o balanço no meio.

Haja o que houver, nossa história em 2019, dentro das quatro linhas, será contada pelo VAR. Fora dela, será contada pela estapafúrdia demissão de Fernando Diniz, que nos tirou a possibilidade de pelo menos conquistarmos um título, o que não fazemos há sete anos, porque sempre tem uma ideia bizarra no nosso caminho para paralisar nossa trajetória na Sul-Americana.

Vou repetir, mesmo que pregue no deserto, o que para mim não é nenhuma novidade, que a única saída para que o futebol brasileiro alcance um patamar ético, moral e econômico aceitável é a criação de uma liga, sem comando e interferência de organizações de reputação duvidosa, para ficarmos nos eufemismos.

Saudações Tricolores!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

13 Comments

  1. Mas tentamos criar uma liga, a Primeira Liga. O problema é que o próprio Fluminense fez o favor de desvalorizar o próprio campeonato que criou. Vide as declarações que o sr. Abel Braga, nosso técnico na época, dava durante o torneio, querendo dizer que a Primeira Liga atrapalhava o clube na disputa do campeonato carioca.

    1. A Primeira Liga desencaminhou no dia em que a Globo conseguiu impor o pagamento de cotas diferenciadas para o Flamengo, o que fez com que Athlético PR e Coritiba pulassem fora.

      St

    2. Impressionante como um empregado do clube pode criticar uma competição que o clube escolheu participar. O Abel estava mais interessado em bater o recorde próprio no “campeonato carioca”. Ou seja, por vaidade, pensa primeiro em si próprio em lugar do clube. Pelo menos, dessa vez, o velho comandante deve se aposentar de vez, depois de abandonar o Cruzeiro à deriva.

  2. Fala sério Savioli, gosto das suas análises, mas para com esse negócio de demissão estapafúrdia do Diniz, foi ele quem colocou o time nessa condição. Demoraram uma eternidade pra demitir ele.
    O problema foi não ter contratado um técnico decente para o lugar dele.

    1. Um erro como a demissão do Diniz precisa ser lembrado à exaustão, para mostrar o preço que pagamos pelo modelo amador de gestão adotado pelo Fluminense.

      Diniz foi o responsável pelo Fluminense ter se tornado uma das melhores equipes do Brasil, por recuperar o entusiasmo da nossa torcida, colocar o clube positivamente na mídia e nas quartas de final da Sul-Americana. A responsabilidade pela posição ruim no Brasileiro cabe a interferências do VAR, como no jogo de ontem.

      ST

  3. Prezado Savioli,
    Questões de VAR e arbitragem à parte, os jogadores, que não permanecerão para 2020, pouco se importam com a vaga na Sula… Eles estão mesmo é negociando a permanência na Série A! Já estou temendo pelo jogo com o Fortaleza…
    ST!

    1. Não acredito nisso. Até porque podemos confirmar a classificação hoje com derrota do Cruzeiro.

      ST

  4. Bom dia, Savioli. Quais foram os 2 únicos pênaltis repetidos no ano? do Fluminense. Contra Bahia e Avaí. Os 2 defendidos. Por que será? Até quando? Perdeu-se o respeito pelo Fluminense há muito. Abraços.

    1. Eu não sabia desse detalhe, mas apenas ratifica tudo o que já sabemos, que há manobra deliberada para prejudicar o Fluminense.

      ST

  5. Pablo Dyego está fazendo hora extra no Fluminense. Enfileirando chances perdidas todo jogo. Há quem ainda o peça em campo… vai entender. Há também quem culpe o MB pelos sucessivos roubos que sofremos. Ele não pode fazer nada. Que o Fluminense fique rico, pois a única garantia de direitos recebidos nesse país é ter dinheiro. O que o Vasco fez na campanha recente de adesão de sócios mostra que é possível, sim, fazer algo diferente para gerar receitas. A inércia e o marasmo criativo do clube é…

    1. Não adianta o clube ter dinheiro e o sistema se manter intacto. O que nos resta é ter planos de emergência para recuperarmos o clube financeiramente, economicamente e esportivamente no curto prazo, mas sem deixar de ter em mente que é preciso derrubar o sistema, pois eles não vão nos deixar andar.

      ST

  6. Conclusões pós 36@ rodada: nosso time e elenco são limitados e viramos coadjuvantes no futebol brasileiro; Marcão não tem cacife pra treinar o FLU, auxiliar fixo no máximo; se nada for feito em 2020 lutaremos no Z4 de novo e em 21, 22 e num ano desses acabaremos caindo e quebraremos de vez; só vencemos o Palmeiras porque eram os reservas, pela exibição de ontem provou_se que Sulamericana é utopia; que se contrate bons atletas, senão é preferível recorrer a base, chega de bom_bonito_e barato…

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