O Clássico dos Gigantes (por Alexandre Berwanger)

Clássico dos Gigantes foi o nome eleito pelos leitores do jornal Lance! para o clássico entre Fluminense e Vasco em 17 de maio de 2006, após mais de uma semana de participação dos torcedores dos dois clubes no site deste jornal carioca.

Fluminense e Vasco, além de terem grandes torcidas frequentemente se confrontam em momentos decisivos e costumam levar grandes públicos em seus confrontos, já tendo ocorrido públicos maiores de 100.000 pessoas por pelo menos onze vezes ou públicos maiores do que 50.000 pessoas por pelo menos setenta e cinco vezes vezes até o ano de 2007, detendo ainda estes oponentes em conjunto oito títulos do Campeonato Brasileiro, sendo quatro para cada clube.

História de Fluminense versus Vasco, o Clássico dos Gigantes

O primeiro confronto deu-se em 11 de março de 1923, amistoso que teve vitória cruzmaltina por 3 a 2 disputado no campo da rua Figueira de Melo.

Os jogos mais importantes entre Fluminense e Vasco, foram as finais do Campeonato Brasileiro de 1984 (Fluminense 1 a 0 e 0 a 0), que deram o segundo título da competição ao Fluminense. No segundo jogo foi registrado o maior público entre estas equipes, 128.781 pagantes, fora os não pagantes habituais.

Nos jogos válidos pela Taça Libertadores da América de 1985 estes clubes empataram 2 vezes, sendo uma por 0 a 0 e a outra por 3 a 3 . Com relação a esta segunda partida, o Fluminense posteriormente foi declarado vencedor pela Conmebol, pois o Vasco escalou irregularmente o jogador Gersinho.

Esse clássico carioca, já decidiu o Campeonato Carioca cinco vezes, saindo o Fluminense campeão em 1976 e 1980, enquanto o Vasco saiu campeão em 1993, 1994 e 2003.

Em outras três vezes esses dois clubes se classificaram para o triangular final do estadual, tendo sido o Fluminense campeão em 1975 e 1984, enquanto em 1972 foi campeão o Flamengo.

O Clássico dos Gigantes decidiu o Torneio Municipal em duas ocasiões, com o Vasco sagrando-se campeão em 1946 e o Fluminense em 1948. Em 1945 o Vasco sagrou-se campeão com uma rodada de antecedência em partida contra o Fluminense, que não poderia sair campeão naquele jogo.

Os dois clubes decidiram ainda o segundo turno do Campeonato Carioca de 1973, com o Fluminense sendo campeão ao vencer o Vasco por 1 a 0 e o primeiro turno do Campeonato Carioca de 1980, quando houve empate por 1 a 1 no tempo normal, com o Fluminense vindo a se sagrar campeão ao vencer a disputa de pênaltis por 4 a 1, além da Taça Guanabara de 2012, com vitória tricolor por 3 a 1 na partida final.

Pela Copa do Brasil, o Fluminense desclassificou o Vasco em 2000 e foi desclassificado pelo Vasco, em 2006.

Em 1973, tricolores e cruzmaltinos decidiram o Torneio Internacional de Verão do Rio de Janeiro (que contou também com a participação de Argentinos Juniors e Huracán, ambas as equipes da Argentina, sendo o Huracán campeão nacional), tendo o Fluminense vencido a final por 1 a 0.

A primeira vitória no Maracanã foi do Fluminense, logo no primeiro jogo disputado em 1º de outubro de 1950, 2 a 1 com dois gols de Silas, descontando Ipojucan para o Vasco.

Seguem abaixo alguns momentos que precisam ser melhor explicados.

A maior goleada foi do Vasco, 6 a 0 em 9 de novembro de 1930, e a do Tricolor foi de 6 a 2 em 11 de maio de 1941.

O Campeonato Carioca de 1930 foi um ano difícil para o Fluminense, pelo elenco ter sido vítima de um acidente de trem ao retornar de um amistoso em Teresópolis no dia 9 de Março, que terminou com o falecimento do zagueiro Jorge Tavares Py e ferimento em todos os seus jogadores, dai resultados que hoje parecem estranhos, com o Tricolor recusando sugestões de outros clubes para abandonar o campeonato, preferindo honrar os seus compromissos, comportamento de acordo com a alma tricolor.

Entre 1959 e 1969 o Vasco fez campanhas sofríveis, sem conquistar nenhum título relevante, de modo que os não há muita coisa referente a grandes jogos para se contar neste período. Como parece uma tendência pela similitude da história de vários clubes, após a sua fase áurea, começa uma fase de decadência, pois entre 1959 e 1981, o Vasco ganharia apenas 2 títulos estaduais, e o de 1970, sabe-se lá como, pois o time era limitado.

Como fatos pouco comuns neste período, podemos destacar a vitória do Fluminense por 2 a 1 em 19 de Outubro de 1966, pelo Campeonato Carioca, quando o goleiro do Fluminense, Jorge Vitório, foi expulso aos 38 minutos do primeiro tempo e como naquela época não se podiam fazer substituições, o ponta-direita Mário foi para o gol e nem assim o Vasco conseguiu ganhar o jogo. Já em 19 de Novembro de 1967, nova vitória tricolor perante 61.209 pessoas presentes (47.794 pagantes), agora por 2 a 0 com gols de Cláudio e Rinaldo, também pelo Campeonato Carioca em jogo que foi interrompido aos 35 minutos do 2º tempo por briga generalizada que ocasionou 17 expulsões, após o vascaíno Adilson, irmão do também famoso encrenqueiro Almir Pernambuquinho, agredir Denilson, quando este estava caído no chão. Jogadores reservas e comissões técnicas invadiram o campo e é possível que o número de expulsos tenha sido até pequeno, dado o grande número de envolvidos na briga.

Em 1970 finalmente o Vasco reconquistaria o Campeonato Carioca com o Fluminense terminando na vice  colocação (12 pontos contra 10 na fase final). Foram determinantes para o título do Vasco, a sua vitória de 2 a 1 sobre o Botafogo e o empate do Fluminense com o América por 0 a 0 na penúltima rodada do campeonato. Com o Vasco já tendo garantido o título por antecipação, o Fluminense venceu o rival na última rodada por 2 a 0,  com gols de Marco Antônio e Mickey, perante 89.697 torcedores pagantes.

O maior período de invencibilidade foi do Fluminense foi nesse período, 13 jogos sem derrota entre 21 de abril de 1969 e 25 de julho de 1971, enquanto a favor do Vasco foram de 10 jogos entre 1º de dezembro de 1991 e 10 de junho de 1993, período incluído dentro da Administração do Caixa D’ Água na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, após 1986, período este marcado por escândalos e arbitragens infelizes que foram fundamentais para o Vasco tirar a diferença folgada de vitórias tricolores e criar a sua vantagem, lembrando que a então presidente de nossa federação assumiu prometendo “acabar com o reinado dos coloridos”, período de trevas também em que o Flamengo amealhou boa parte de seus títulos e ostente hoje vantagem de 32 títulos contra 31 do Flu e que expulsou os grandes públicos de outrora do Campeonato Carioca, salvo exceções.

O Vasco, campeão do primeiro turno, o Botafogo, campeão do segundo e o Fluminense, campeão do terceiro e o América, campeão da repescagem, classificaram-se para a fase final do 1º Campeonato do novo Estado do Rio de Janeiro, em 1976, após a fusão dos estados do antigo RJ e da GB, terminando Flu e Vasco esta fase empatados com 4 pontos, e tendo também empatado o jogo entre eles por 2 a 2 na última rodada, com 127.123 pagantes, foi necessário a realização de uma partida extra para definir o campeão. O Vasco havia reagido sensacionalmente na última partida, pois perdendo de 2 a 0, conseguiu empatar o jogo aos 38 do 2º tempo, com gol de Toninho, que entrara no decorrer da partida. Isto pode parecer que seria motivo para entusiasmar a torcida vascaína para a grande final, mas talvez ressabiada pelos muitos anos de domínio e pelas várias goleadas tomadas do tricolor nos últimos anos e embora oportunidades iguais para os dois times serem campeões, diferente do jogo final de 1970 que lhes deu cerca da mesma proporção mas quando não aspirávamos a nada, pelo menos 75% dos 127.052 torcedores pagantes presentes ao Maracanã eram tricolores e viram o Fluminense fazer o gol da vitória aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, por intermédio do centro-avante argentino, Narciso Doval. Considerando o número de torcedores envolvidos, esta foi a partida em que uma das duas torcidas compareceu em maior peso ao Clássico dos Gigantes. Até meados da década de 1980 era comum a torcida tricolor ser maioria nos jogos, como foi também na final do Campeonato Brasileiro de 1984, quando lotou  a sua parte uma hora antes da partida e não ultrapassou a metade da arquibancada por conta do cordão de isolamento da PM, mas dois anos depois, começou o período trevoso…..

Maiores públicos do Clássico dos Gigantes

Onde não consta informações sobre públicos pagante e presente, a referência é apenas aos pagantes, o que indica que pelo menos 17 Clássicos dos Gigantes devem ter dado públicos presentes superiores a 100.000 torcedores.

Fluminense 0 a 0 Vasco, 27 de maio de 1984, Campeonato Brasileiro, 128.781

Fluminense 2 a 2 Vasco, 29 de agosto de 1976, Campeonato Carioca, 127.123

Fluminense 1 a 0 Vasco, 3 de outubro de 1976, Campeonato Carioca, 127.052

Fluminense 0 a 3 Vasco, 21 de março de 1999, Campeonato Carioca, 126.619

Fluminense 1 a 0 Vasco, 21 de setembro de 1952, Campeonato Carioca, 123.059 (109.325 pags.)

Fluminense 1 a 0 Vasco, 30 de novembro de 1980, Campeonato Carioca, 108.957

Fluminense 2 a 2 Vasco, 6 de setembro de 1953, Campeonato Carioca, 106.359 (86.308 pags.)

Fluminense 2 a 2 Vasco, 13 de janeiro de 1953, Campeonato Carioca, 103.080 (78.723 pags.)

Fluminense 1 a 0 Vasco, 25 de julho de 1973, Campeonato Carioca, 101.363

Fluminense 1 a 1 Vasco, 26 de outubro de 1980, Campeonato Carioca, 101.199

Fluminense 2 a 1 Vasco, 15 de novembro de 1953, Campeonato Carioca, 100.275 (86.917 pags.)

Fluminense 0 a 0 Vasco, 21 de abril de 1976, ,Campeonato Carioca 98.146

Fluminense 2 a 1 Vasco, 21 de abril de 1969, Campeonato Carioca, 98.006

Fluminense 0 a 1 Vasco, 8 de maio de 1977, Campeonato Carioca, 96.047

Fluminense 2 a 0 Vasco, 9 de dezembro de 1984, Campeonato Carioca, 94.123

Fluminense 2 a 0 Vasco, 20 de setembro de 1970, Campeonato Carioca, 89.697

Fluminense 0 a 2 Vasco, 25 de setembro de 1977, Campeonato Carioca, 89.368

Fluminense 0 x 0 Vasco, 18 de novermbro de 1956, Campeonato Carioca, 87.366 (69.095 pags.)

Fluminense 2 a 4 Vasco, 9 de setembro de 1951, Campeonato Carioca, 87.019 (76.561 pags.)

Fluminense 1 a 1 Vasco, 11 de maio de 1980, Campeonato Carioca, 80.473

Confira também um artigo essencial e complementar: http://www.panoramatricolor.com/um-grande-e-esquecido-classico-dos-gigantes-por-alexandre-berwanger/ 

Alexandre Berwanger

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

Imagem: apitofinal.blogspot.com

Contato: Vitor Franklin

10 Comments

  1. Verdadeira aula, Alexandre!
    Realmente, com a dupla Eurico-caixa em ação, eles descontaram a vantagem.
    Mas ultimamente, temos reagido, vencemos a taça gb ano passado em cima deles,
    e por 2 x 1 no primeiro turno do ano passado, quando eles brigavam pelas
    primeiras colocações.
    Que vençamos sábado!
    ST4!

  2. Estava eu lá em 76 quando Doval sobe pra cabecear após escanteio e a bola passa por baixo das pernas de Abelão até então zagueiro do Vasco, e morre no fundo das redes … maraca super hiper lotado e meu primeiro título com o flu e fui arremessado para cima na explosão da comemoração… nunca mais me esquecerei ….

  3. Excelente Alexandre !! O que mais me impressiona nesses números é que em apenas uma partida (falando até mesmo de campeonato carioca), alguns confrontos entre Vasco e Fluminense, levaram mais torcedores ao estádio do que o total de público nos jogos dos 4 grandes até a 5ª rodada do carioca de 2013 (que foi de 102.136 espectadores). Velhos e bons tempos de casa cheia !!

  4. Renato Reis: O Campeonato Carioca antes de 1986 era no mínimo, o máximo!
    Delá prá cá é no máximo, o mínimo!

  5. Acrescentando o número de pagantes:

    4. Fluminense 0 a 3 Vasco, 21 de março de 1999, Campeonato Carioca, 126.619 (105.500 pags.)

  6. Outra atualização de informação (oitenta e oito vezes…);

    …….públicos maiores do que 50.000 pessoas por pelo menos oitenta e oito vezes vezes vezes até o ano de 2010, detendo ainda estes oponentes em conjunto oito títulos do Campeonato Brasileiro,…..

    Sem contar a partida de hoje (21/07/2013), cuja venda antecipada informada pela imprenssa, parece indicar que também entrará nesta lista.

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