O abraço de 2015 (por Eric Costa)

SOCIO ERIC COSTA

A passagem de ano há muito não gerava tamanha incógnita nos corações e mentes tricolores como a última. O último mês de 2014 foi marcado por uma marcante ruptura com a Unimed, parceira tricolor há quinze anos, criando um ambiente de informações desencontradas, versões e variações sobre um mesmo tema em um caldeirão apimentado até demais para o momento típico e esperado de reavaliação e tentativa de renovação do elenco. Os recém-contratados, com ares e resultados de jovens promessas, configuram um perfil divergente às especulações de anos anteriores, marcados por altas cifras e longas novelas.

O Fluminense vive uma nova realidade, mas com algumas velhas peças: escapando do quesito “elenco”, o menor aporte financeiro ao futebol distingue o cenário atual e antigos débitos, carências estruturais etc ainda são características(efêmeras, espero) do momento tricolor.

A ruptura com a Unimed ainda renderá muitos capítulos ao longo de 2015. Engana-se quem pensa que a empresa não tem mais seu nome aventado no mercado por meio do Fluminense: o quadro de indefinições acerca da permanência de alguns jogadores em nosso elenco faz a Unimed e seu presidente ainda estamparem muitos noticiários. Fugindo-se ao teórico pagamento que a empresa fará até o fim do contrato dos jogadores, 2015 se abre como um momento propício ao clube conquistar uma sólida independência financeira. Não há melhor hora, portanto, para que o torcedor abrace o clube e realize adesão em massa ao programa de Sócio Torcedor. Mas e o Fluminense? Que merece o carinho, ninguém duvida. Porém, ele permite ser abraçado?

O Fluminense, na sua política de associação, soa, amigos tricolores, bastante contraditório. Ainda que extremamente carente de adesões para galgar receitas maiores, faz jogo difícil e parece desdenhar do potencial além de fronteiras que a torcida tricolor possui.

Ao contrário da integração que uma de suas ações de marketing mais importantes propõe, o Tricolor em Toda Terra, nós, tricolores de outros estados, sentimo-nos um pouco desfavorecidos na política de Sócio Futebol.

A realidade é simples: a maior vantagem dos sócios, o desconto e prioridade na compra de ingressos em jogos com mando tricolor, é praticamente não exercida por aqueles que moram há centenas ou milhares de quilômetros do Rio de Janeiro. O direito a voto, benefício interessante, é também pouco prático para aqueles que precisariam beber doses generosas de BR-101 possivelmente com intuito único de votar.

Não podermos exercer as grandes vantagens e termos que pagar o mesmo valor de quem as exerce forma a equação cujo resultado é o ainda afastamento do tricolor de fora do estado do Rio de Janeiro ao programa de Sócio Futebol, somando-se ao fato de que para um reles estudante universitário, que mora fora de sua cidade de origem e vê sua casa em São Luís a uma distância abissal de Laranjeiras tirar R$ 35 de um orçamento apertado é mais do que difícil. Este exemplo da dura realidade de quem vos escreve, estou certo, reproduz situação parecida de diversos tricolores da faixa etária de vinte e poucos anos.

Sei que possivelmente passa em seu pensamento, caro leitor, que o intuito maior de se associar é ajudar o Fluminense. Eu e todos os tricolores de longe do Rio de Janeiro pensamos também desta forma. Damo-nos também ao direito de perguntar, porém: por que o Fluminense não lança um plano de associação para nosso perfil de torcedor a um valor, por exemplo, de aproximadamente R$ 10? Você se espanta com a pedida, provavelmente, mas saiba: o valor é altamente palpável.

Atendendo aos anseios de seus torcedores, em pesquisa rápida podemos conhecer dois clubes brasileiros com bom crescimento em seu número de sócios muito porque pensaram em quem está distante: o campeão Cruzeiro e o São Paulo Futebol Clube. Seus planos, cujas vantagens divergem, custam os R$ 12 que seriam muito mais cabíveis nos bolsos de muitos por aí e, no velho jargão comercial, fariam o Fluminense ganhar “em número” nas vendas de seus planos.

Apesar de o plano “Nação Azul”, adotado por este custo pelo Cruzeiro, não oferecer vantagens aos associados no quesito de ingressos(plenamente previsível), o sócio tem direito ao seu cartão, descontos etc. Vantagens essas que poderiam ser muito bem disponibilizadas pelo Fluminense a baixo custo e que, de fato, aproximariam o torcedor de longe ao clube.

Se abrirmos ainda mais o horizonte, podemos imaginar outros públicos: o Internacional, por exemplo, lança modalidades que permitem o torcedor abaixo de 11 anos ser sócio e até mesmo um animal de estimação(!!!) ser mascote do clube. É mole? Não. É marketing e planejamento estratégico.

E o que falar também do torcedor tricolor de fora do país? Há inúmeros, mas não há um plano de sócio voltado a eles. O Cruzeiro, por exemplo, lançou a modalidade Cruzeiro World e fez grande número de adesões durante uma pré-temporada em território norte-americano. O Flu estará também fora do país, mas terá pensado algo nesse sentido?

Incógnitas e perguntas que ficam. Mais uma gota no mar de dúvidas que inunda Álvaro Chaves. De certezas, há apenas algumas: o Fluminense é muito maior do que uma ou outra dificuldade, jogador ou “parceiro” e tem, sim, milhões de torcedores dispostos a abraçar firmemente o clube. Só resta ele estar plenamente disposto a tanto.

Dedico este anseio a todos meus amigos tricolores de fora do Rio, como eu, e que espero ter representado em minhas palavras, mas em especial aos meus irmãos da FluCaicó, de Caicó, no Rio Grande do Norte, cujas discussões sobre este tema me inspiraram para este texto.

Saudações tricolores.

Panorama Tricolor

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