Quem não negocia princípios pode dizer: “Eu não sou moleque!’ (por Antonio Gonzalez)

“O problema não é ter medo. O problema é ter medo do medo”

Dom Pedro Casaldáliga

Tô puto, não gostei!  Foi uma derrota que mereceu ser derrota, mas que poderia não ser derrota se tivesse sido 100% encarada como necessidade de vitória. Mesmo apesar de todos os desfalques, voltamos a não repetir a equipe (só para que se tenha ideia, as contusões dos zagueiros Henrique e Renato Chaves têm previsão de um mês para recuperação).  Se aliarmos a isso que estamos com a pior formação possível de zagueiros, Nogueira e Frazan, com o segundo por vezes inocente demais, com o primeiro, que chegou a me enganar no começo deste ano, tecnicamente inconfiável.

Para ser mais correto ainda, jogamos sem laterais… o esforçado Matheus Norton ainda tem que percorrer muitas centenas de quilômetros pela banda direita do campo, sem omitir o básico que se exige para alguém da posição, que é defender e atacar, quesito este, o ofensivo, que lhe falta qualquer tipo de cacoete.

Por outro lado a partida jogada pelo Marlon, traço de ibope, revela o quão fora de razão se encontra parte de nossa torcida:  o Leo está 10.000 vezes melhor na parada do que é jogar bola, apesar de que desde o começo não fez nenhum sucesso no hit parade entre os nossos torcedores.

Com um Scarpa que leva vivendo de momentos solitários, como o lance do corner que ocasionou o gol do incansável Henrique Dourado.  Mas é muito pouco para o que o camisa 10 e, agora, capitão pode produzir. Sem contar que o Wendel, sem nenhuma gota de inspiração, transpirou de forma equivocada, principalmente ao desperdiçar dois contra-ataques que poderiam ter “matado” a partida a nosso favor.

Aí eu tenho que falar do Wellington Silva…  E eu me vejo sem vontade para falar do Wellington Silva… Porra!  Quem é Wellington Silva?  Outro que vive, cada vez menos, de momentos solitários. Um gol contra o Atlético-GO no dia 05 de agosto (na homenagem ao Abel), pela 19ª rodada e um pênalti sofrido contra o Vitória da Bahia, na rodada que antecedeu a esta de ontem…  Um gol e um pênalti sofrido em SEIS jogos… muito pouco.

Restaram o Marlon Freitas, que vacilou em questões de cobertura e a grata surpresa do Richard, que fisicamente recorda ao magro Silveira, que chegou nas Laranjeiras no final dos anos 1960.  Sem ter feito nada além de colocar vontade nas jogadas e tentar acertar o primeiro passe, com alguns detalhes de antecipação, posso definir a sua atuação como honesta.

O Fluminense se encontrou com um gol nos minutos finais do primeiro tempo.  O Atlético Paranaense fez de tudo para perder durante os primeiros 10 minutos da segunda parte. Faltou ao Fluminense envernizar o membro e partir de pau duro para dentro do adversário.  Ao contrário, tropeçou na própria cegueira.

Nos últimos cinco jogos conquistamos cinco pontos obtidos com a vitória sobre o Atlético-MG (C) e nos empates contra o Santos (F) e Vitória-BA (F).  Perdemos para o Vasco (C) e Atlético-PR (F). Restam 14 jogos e o Fluminense TEM QUE FAZER 15 pontos…  Que fique claro, não existe mais margem de erro…

Palmeiras (C), Grêmio (F), Flamengo (F), Avaí (C), São Paulo (C), Chapecoense (F), Bahia (C), Botafogo (F), Coritiba (C), Cruzeiro  (F), Corinthians (F), Ponte Preta (C), Sport de Recife (C) e Atlético-GO (F)… esta é a tabela restante. Em negrito, temos os jogos em que vejo o Fluminense favorito e com amplas condições de vencer.  Sem querer ser pitonisa ou coisa parecida o fato é que, repetindo que não existe mais margem de erro, nós torcedores temos que exigir que se faça o dever de casa o antes possível.

Deixo claro que sou Fluminense como o que mais e que para nada me surpreenderia que o nosso time ganhasse qualquer partida daquelas que não o vejo como favorito. Ainda disputaremos 42 pontos, dos quais (se jogar com o time completo, se puder repetir novamente as escalações, se não tivermos arbitragens tendenciosas pela frente) penso que podemos conquistar 20 pontos.

Que merda, né?

Ter que discutir uma equipe pelo foco da sobrevivência e da superação… “Logo você, Gonzalez…”, que sempre teve um discurso de futebol forte…

E quem falou que eu não mantenho esse pensamento?  Mas 2017 exige que sejamos práticos. Entre o Mario Bittencourt e o Peter Siemsen, deixaram um buraco de mais de 120 MILHÕES no caixa… PhDs em MÁ ADMINISTRAÇÃO. Continuo dizendo que foi um erro a aprovação das contas do ex-Presidente. Ficou fácil para ele se desentender das cagadas que fez e refez, das incongruências cometidas na busca do dinheiro irresponsável como foi na troca da Adidas pela Dryword, assim como permitir que o seu ex-Vice de Futebol mandasse e desmandasse, ao contratar “transloucadamente” mais de uma dezena de jogadores, além de ter feito e refeito contratos de durações e preços inadimissíveis para os tempos que correm, até mesmo para clubes com um suporte financeiro como o que dispõem o Palmeiras e o Flamengo.

Então existem duas possibilidades ao torcedor do Tricolor: ficar puto, criticar,  xingar, dar às costas e desistir abandonando o time nessa reta final…

Ou…

Ficar puto, criticar, xingar… e… EXIGIR, COBRAR, SUGERIR, VESTIR A CAMISA e JOGAR JUNTO.

E mesmo sabendo que o meu nível de exigência é outro (sou do tempo do “1, 2, 3… Campeão mais uma vez!”), que eu gostaria de ver mais uns três ou quatro jogadores cascudos sendo contratados, que este ano estamos tendo que sofrer por causa de inconseqüências financeiras e omissões políticas.

Conste que não estou fazendo nenhuma crítica ao Departamento de Futebol, menos ainda ao Abel… Implorar que se faça omeletes sem ovos, pedir que sempre resulte correta a fórmula de fazer de um limão uma limonada, acaba sendo covardia.

Então o que cabe fazer?

Neste momento apoiar fortemente para buscar o mais rápido possível os 46 pontos.

Isso é uma coisa.

A outra é transformar o clube e a sua gestão. Administrativamente de forma radical, aumentando o profissionalismo em essência e conteúdo.  Conceitualmente tirando os poderes absolutos para que NUNCA MAIS o Fluminense possa ser vítima de pessoas preocupadas com as suas vaidades e interesses pessoais… é óbvio que no Fluminense não deve haver mais espaços para pseudo gestores como Peter Siemsen e Mario Bittencourt.

Portanto no meu caso, daqui até o final deste ano… eu vou…   EXIGIR, COBRAR, SUGERIR, VESTIR A CAMISA e JOGAR JUNTO!

Papo reto:

  • Falo aqui e falo na cara: é bom que a atual oposição (ou esse arremedo) entenda que não está tratando com moleques, menos ainda mariolas frouxas. Tem gente muito tranqüila e elegante do lado de cá. Isso de ficar provocando e chamando para briga nos camarotes do Maracanã mostra o despreparo e a falta de cérebro daqueles que até hoje não se conformam em ter perdido a eleição do dia 23 de novembro passado, que estão deliberadamente torcendo contra e que querem levar para o terreno das vias de fato as suas punhetas invertidas das suas vaidades castradas;
  • Teve um Conselheiro do Fluminense que pelo visto, SUPOSTAMENTE, denunciou o Presidente do Conselho Deliberativo ao MP. Trata-se de um ser abominável que deve ser expurgado de imediato do quadro de sócios do clube. Uma coisa é ser oposição e discordar da gestão. Faz parte do jogo. A outra coisa é ser escroto, por causa de interesses pessoais, com o Fluminense.  Concluindo: não importou a esse pigmeu colocar o Fluminense na boca do leão, expondo-o publicamente.  Esse pseudo rapaz, cujo horizonte intelectual é mais tenebroso que o furacão Irma e mais limitado que as chuteiras do Wellington Paulista (aquele que beijou um dos seus chefes), terá que assumir publicamente os seus atos… e terá que fazer isso perante a nossa torcida;
  • Quem não sabe brincar que não desça para o play;
  • Quer dizer que a Tricolor de Coração gosta de fazer críticas… pois bem que comece por dentro de casa explicando o que fez uma das suas lideranças cobrando em torno de 100 mil reais do Fluminense sem ter trabalhado para isso? Agora virou santo? Virou profissional na segunda gestão Peter depois de ter sido vice-presidente na primeira? Supostamente esse foi o preço para empurrar cadeiras de rodas no dia 26 de novembro de 2013? E foi contratado para que cargo? Podemos dizer que essa contratação foi política e abençoada pelo então presidente de fato do Fluminense, o Jackson Vasconcellos?;
  • Quer dizer que a tal de Tricolor de Coração critica o trabalho de regate financeiro que vem sendo realizado… Logo a Tricolor de Coração que era dona na gestão anterior (2º mandato do Peter) da mesma pasta, através da figura do então Vice Presidente de Finanças, Sadi ou Sadir de tal…;
  • Ainda tenho que ouvir, de mentes beócias, “cadê o Gonzalez raiz?”… Ora senhores, o presente preocupa por causa das cagadas passadas. Se não reconstruirmos o Fluminense de forma radical, sem concessões, vai ser difícil que o clube volte a ter o patamar que um dia teve. E para essa reconstrução, a torcida tem que ser parceira… 2017 e 2018 serão anos cirúrgicos, de muito sofrer, de muito semear. Qualquer coisa fora disso é inconseqüência;
  • Não, eu não sou moleque. É na hora do sofrimento em que aparecem os “SUJEITO HOMEM”… Posso até discordar de alguns atos da gestão, coisas muito pequenas de cara ao futuro. É lógico que me preocupa o futebol do clube, percebe-se a necessidade de que se façam alguns ajustes de primeira grandeza. Isso tudo eu sei. Outra coisa é que eu abandone o barco e me torne oposição a quem eu ajudei a eleger. Isso não combina comigo, menos ainda contem comigo para tal e absurda, além de covarde, ideia.  Quem anda ao meu lado tem que saber como sou e quem eu sou… soldado que vai para a guerra e quer desistir na primeira trincheira não é digno de lutar ao meu lado. Comigo só caminhará quem tiver atitude de perseverança. Repito: Não sou moleque. Agora, ninguém é obrigado a caminhar ao meu lado, menos ainda a acreditar no que eu penso;
  • Parabenizo ao trabalho que vez sendo realizado pelo CEO Marcus Vinicius Freire e equipe. É nítido que o clube começa a respirar novos ares;
  • SOBRANADA 1902 presente em Salvador e Curitiba nos dois últimos jogos do Brasileirão. Sentimento de orgulho fazer parte dessa caminhada;
  • Não gostei do desfecho do affair Levir Culpi.

Na próxima quinta-feira tem LDU pela Sul-Americana; trazer a classificação é obrigação, a superação tem que existir ao 100%, sem qualquer tipo de outro pensamento no pedaço. A nossa torcida merece!

Essa música nascida na cabeça de uma lenda como Bob Marley e cuja versão, brilhante, de Gilberto Gil, fala de recomeços…

Em…

“Bem que eu me lembro… Da gente sentado ali…  Na grama do Aterro, sob o sol… Ob-observando hipócritas…  Disfarçados, rondando ao redor”  define o país de então…

E continua…

“Amigos presos… Amigos sumindo assim… Pra nunca mais… Tais recordações… Retratos do mal em si… Melhor é deixar pra trás!”…  Define que teve gente que não teve medo.

Acredito no futuro do Fluminense, é uma questão de tempo… “Tudo, tudo, tudo vai dar pé!”…

A minha palavra vale quem eu sou… Nunca fui moleque porque nunca tive medo de ser feliz!

Saudações TETRAcolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri 

Imagem: agon

7 Comments

  1. Flu tem que acabar com essa onda de ódio na torcida, mas o time precisa mudar já. Pontuação preocupa.

  2. Silveira jogou muita bola. Eu vi e respeitei muito. Muita raça.
    Na imensa distancia, em Km e anos, que me separam do nosso Fluminense, não sou membro de nenhuma corrente e tampouco concordo com a estrutura do futebol brasileiro, porém é perceptível a ma fé de certas pessoas que se dizem fluminense.
    Em 6 milhões de pessoas é evidente que existem muitos crápulas, corruptos e outros adjetivos mais.
    Assim como ao povo brasileiro em nosso flu também não são a maioria.
    Valeu!
    ST

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