Maurício Lima (por Paulo-Roberto Andel)

Ele era tricolor demais.

Neste momento, não há importância alguma em nossas discordâncias (95%) e concordâncias (5%). Uma coisa nos unirá para sempre: o Fluminense.

Conheci o Maurício de vista há uns 30 anos, por causa da Super Flu – Energia Tricolor – quem não se lembra daquela faixa? -, ele era um garoto. Depois, ficamos muitos anos sem nos ver, até que surgiu o PANORAMA e ele reapareceu. Vimos muitos jogos juntos no Maracanã e em vários estádios, trocamos fraternais abraços e isso só não ocorreu este ano porque desisti da Sul – para manter minha sanidade mental.

Ele era tricolor demais.

Este sábado foi difícil, por vários aspectos: cansaço, trabalho, um calor infernal no Maracanã da Leste – nunca levem seus filhos lá em dia de sol radiante -, uma partida trash. Ao menos vi de perto o golaço do Marcos Jr. Foi uma despedida ruim do Maracanã. Leo foi embora e, em vez de pegar o táxi, resolvi andar um pouco até o Colégio Militar, tentando entender como o entorno do Fluminense se tornou um mar de ódio estúpido por causa de meia dúzia de filhadaputas. Chega: férias!

Passei em casa para tomar um banho, ver a patroa e me mandei para o Cinefoot, noite para homenagear os cem anos de João Saldanha. Na porta da sala de cinema, o Bernard veio com a notícia mais infeliz de todas: Maurício tinha dado no pé. Mantive meu compromisso com João, vi seu filme pela enésima vez, mas não conseguia parar de pensar no amigo, que foi embora cedo demais, muito antes do justo e razoável.

Ele era tricolor demais.

Ficam as risadas possíveis, os bifes à milanesa continentais do Lamas, as histórias surreais do amor de ocasião e também um livro, que fiz por sugestão dele, da Carla Jorge e do Marcão – está 75% pronto mas não finalizado, entrei em outros projetos e acabou não rolando ainda. Vai rolar.

E também uma lembrança muito bacana, especialmente entre 1988 e 1993. Muita gente diz que aqueles eram anos perdidos, uma senhora bobagem. Éramos mais unidos aos domingos à tarde nas Laranjeiras, nas quartas-feiras também, até mesmo para ver um coletivo. Maurício estava sempre lá.

Eu já estava de férias da crônica, não aguentava mais escrever este ano, mas tive que voltar aqui e tentar chegar até estas linhas derradeiras pensando na tristeza que foi perder o Maurício. De novo aqui estou para um texto de réquiem.

A presença da morte entre nós bem poderia ser uma reflexão sobre tudo. Tudo mesmo. Precisamos acordar e deixar os escombros politiqueiros de lado.

Eu preferia falar dele quando estivéssemos de novo numa bela mesa, cheia de iguarias e corações sem mágoas, se possível no Lamas.

Não deu tempo.

Ele era tricolor demais.

Melhor dizendo, é.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: Curvelo

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