A Primeira Liga e a maratona tricolor (por Paulo Tibúrcio)

Começamos o ano com jogos em profusão. A torcida tricolor não teria do que reclamar, não fosse alguns aspectos. O Fluminense está participando de todas as competições que lhe cabe disputar. E tem jogado bem. Mas, o que poderia ser algo bom acaba por se tornar um contratempo em alguns, pois os torcedores não podem usufruir da forma que merece do que lhe é oferecido. Alguns problemas ainda continuam e o principal deles é, a meu ver, a questão do estádio, situação apresentada no jogo da Primeira Liga. Um bom horário, mas uma péssima localização. O simpático estádio de Los Larios exige uma logística que boa parte da torcida tricolor não tem condições de realizar. Como resultado, um público muito fraco e perda de oportunidade financeira e de marketing. Outra questão é a priorização. O que fazer quando temos duas decisões importantes em um intervalo curto de tempo?

A Primeira Liga foi criada com objetivos bastante interessantes. Divisão mais justa de receita de televisão, independência das federações, maior organização visando melhor retorno financeiro. Mas a coisa degringolou por falta de união entre os clubes. À medida que o torneio se afasta de seus objetivos principais, vai-se diminuindo seu apelo, com os clubes priorizando outras disputas, até mesmo os desacreditados Campeonatos Estaduais que, no caso do Rio de Janeiro, oferecem melhor premiação. O jogo contra o Brasil de Pelotas mostrou bem esta situação. O Fluminense entrou com time reserva, poupando o time titular para a disputa de Domingo. Houve quem criticasse tal decisão, achando que o melhor seria entrar com time misto. Não vou entrar no mérito do planejamento definido para o clube. Certamente, corremos um sério risco, mas no final das contas, continuamos na competição. O Torneio entra em uma nova fase, com jogos mais disputados. Espera-se que o interesse por esta disputa aumente, desde que as condições para o torcedor sejam favoráveis.

Mais uma vez, uma enxurrada de críticas em relação à atuação do time e começam a surgir dúvidas quanto à qualidade do elenco. Temos que analisar a situação de forma objetiva. Com exceção do goleiro, entramos com um time todo reserva e carecendo do entrosamento necessário para encarar uma disputa por vaga. Do ponto de vista individual, concordo com algumas preocupações. Precisamos de melhorias pontuais no elenco, mas a situação não é tão trágica, se considerarmos o nível do futebol brasileiro. Que novas contratações sejam feitas sim, mas com calma e inteligência, sem inchar o elenco desnecessariamente, como o ocorrido no ano passado.

As contratações sem critérios do ano passado nos levaram a alguns problemas. Custos afundados em jogadores caros e com contratos longos, que não deram o retorno esperado. O esforço para reverter a situação tem sido enorme, mas algumas pendências vêm sendo resolvidas. O jogador Osvaldo, que não teve um bom desempenho no time, foi negociado. Não sou de condenar ou ofender jogador. Osvaldo teve bons momentos em sua carreira, mas não conseguiu se firmar no Fluminense. A expectativa gerada em torno do jogador foi muito grande. Em qualquer time, a combinação de alto investimento e baixo retorno acaba sendo implacável e quando isto acontece, o melhor que pode acontecer é o corte de vínculo, para que o clube possa reorganizar seu plantel e o jogador possa buscar sua recuperação em um ambiente que lhe seja mais propício. Que o Osvaldo seja feliz e bem-sucedido no Sport.

A atividade não para. No próximo domingo, o Fluminense se prepara para mais uma decisão contra seu principal rival. Após mais de duas décadas, o Carioca será disputado pela dupla Fla x Flu. Um alento neste campeonato conturbado e de regulamento confuso. A expectativa é de casa cheia e de um bom jogo para a equipe Tricolor. O Maracanã não é mais o mesmo, mas vale a pena comparecer e prestigiar o time.

Dentro de alguns dias começa o Campeonato Brasileiro. Tenho esperança de uma boa participação do Fluminense. A questão do estádio precisa ser resolvida. Ficar atento em relação ao Maracanã. Entendo o desânimo da torcida, mas é importante voltarmos a ocupar este espaço. Mostrar que o Maracanã também é a nossa casa. Edson Passos é um paliativo para boa parte dos jogos, mas não pode ser a principal solução. Devemos repensar Laranjeiras, pelo menos para jogos de menor apelo. Claro que um estudo de viabilidade se faz necessário para termos uma posição objetiva da situação, mas é uma opção que não pode ser descartada.

Enquanto isto, preparem o coração, que as disputas estão só começando. Não vai faltar emoção.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @paulotiburciojr

Imagem: bit

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