Idolatria jogada fora (por Paulo Rocha)

Lá pelos anos 1970, desde que comecei a acompanhar futebol, mais especificamente o Fluminense, vi muitos jogadores atuarem pelo nosso maior rival após terem vestido a camisa tricolor. Inúmeros. Faz parte deste universo.

Quando moleque, achava isso a maior de todas as traições. Depois, até pelo aspecto profissional, passei a considerar normal tal coisa. E até “perdoei” àqueles que o fizeram. Afinal, o futebol é profissional.

Contudo, de todos os ídolos que trocaram de lado, há um que não consigo perdoar. Reconheço que é uma falha minha tal sentimento. O rancor não deveria se perpetuar motivado por esse tipo de atitude.

Mas e se tal jogador já estivesse podre de rico? Se desfrutasse (com muito merecimento, aliás) da idolatria de uma torcida e mandasse tudo às favas simplesmente pelo aspecto financeiro? Cagasse solenemente para o sentimento dos torcedores que o elevaram à condição de herói?

Pois é, eu não consigo perdoar o Conca. Permito-me discordar da opinião de amigos chegados e queridos, que acharam injusto não convidar o argentino para a comemoração dos dez anos do tricampeonato brasileiro. Eu também não convidaria.

No momento em que, por motivos fúteis, ele esqueceu a tristeza que causaria aos torcedores do Fluminense, especialmente aos mais jovens, ele abriu mão da identidade que tinha. Repito: já estava podre de rico com o dinheiro que ganhara na China. E da Unimed também.

Aliás, quando a antiga patrocinadora deixou as Laranjeiras, foi o primeiro a se apressar para meter o pé. Acabou o dindim, acabou o amor, né? Poderia ser imortalizado como um dos maiores de nossa história. Mas foi fraco de caráter.

Perdoar é uma prova de altivez, mas há momentos na vida em que não conseguimos. Quando tomamos determinadas decisões, precisamos estar cientes das consequências. E o craque do Campeonato Brasileiro de 2010 nos mostrou que, se foi um gigante dentro das quatro linhas, fora delas, não merece lugar na nossa memória afetiva. Pelo menos na minha, não.

Resultado: Conca não é ídolo de ninguém. Nem da torcida do Fluminense, nem da do Flamengo nem de nenhuma outra. Não tem identificação com nenhuma delas. Por opção própria. Que flutue no limbo de seu egoísmo e de sua insensibilidade.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri

#credibilidade

3 Comments

  1. Concordo plenamente. Obrigado por se posicionar tão bem. Assim, não preciso escrever um texto, apenas leio o seu. E ainda adiciono: o conca nunca gostou de dar entrevistas. Se recusava. Não explicava. Não motivava. Foi um grande jogador, mas pra ídolo, ídolo, faltou. TS3 ganhou poucos títulos, mas veja como se posiciona.

  2. E digo mais: o celso muito menos. apenas um ególatra que botou dinheiro DOS OUTROS no clube. hoje a unimed nos processa e ele é apenas um brigão ignorante.

  3. Imagina se o Conca veste a camisa do Atlético dentro do clube, que nem seu ídolo Fred fez…

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