A honradez do grupo tricolor (por Felipe Fleury)

O caos econômico que assola o Fluminense – os atletas estão com dois meses de salários (CLT) atrasados e três meses de direito de imagem – é quase uma regra da gestão Abad. Seu descompromisso com o clube, contudo, não contaminou os jogadores.

O grupo, ao contrário das expectativas, foi a Quito no meio de semana e venceu, com autoridade, o Deportivo Cuenca, praticamente encaminhando sua classificação para a próxima fase da competição sul americana.

Auxiliados pelo 3-5-2 que, a meu ver, deveria ser o sistema padrão de Marcelo Oliveira, os jogadores honraram a camisa, podendo-se ver alguns, como Ayrton, correndo mais do que os equatorianos mesmo na elevada altitude de Quito. Demonstraram que os salários atrasados, embora seja uma gravíssima questão, não interferiram nos seus desempenhos em campo, onde puseram a honra acima dos bolsos vazios e honraram o clube e a camisa Tricolor.

Fora de campo, sem alarde, também tomaram a iniciativa de ajudar os funcionários do clube, vítimas menos favorecidas do descalabro financeiro de Abad, emprestando dinheiro e pagando contas dos mais necessitados.

Esse pode ser um grupo medíocre tecnicamente, mas ninguém há de dizer que seja desonrado. Os dois exemplos que citei acima demonstram que o homem ou possui caráter, ou não o possui, não existindo meio termo.

Oxalá sejam recompensados pelo trabalho, pela honradez e pelo humanismo com as vitórias que almejam e tenham seus salários regularizados, porque este é um direito de todo trabalhador.

Abad pode se considerar um homem de sorte. Em outros tempos, já estaria sendo sabotado e, junto com ele, sem culpa alguma, o torcedor. Dentro de campo, como já vimos num passado não muito distante, o jogador pode fingir que joga, enquanto o cartola finge que lhe paga.

É preciso, assim, que o presidente pague em dia os salários dos funcionários do clube, atletas ou não, porque esse, dentre os seus deveres de gestor, é o que implica, caso descumprido, ofensa à própria dignidade humana.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @FFleury

5 Comments

  1. Concordo com quase tudo. Só achei desnecessária a parte da mediocridade técnica.

    O time tem técnica sim.

    A maioria dos clubes não tem craques e o Fluminense tem alguns que se destacam. Como Pedro, Ayrton Lucas e Ibañez (pra mim é um dos melhores zagueiroa no Brasil).

    Outros jogadores tem experiência. Como Gum, Marcos Jr e Digão. Embora o gum realmente não tenha mais técnica e o Marcos Jr seja um pisca pisca, uma hora brilha e outra não.

    Os outros jogadores são apenas jovens, não tem…

    1. Bon dia Fleury,
      Realmente, tem razao o Guilherme, o time nao é mediocre.
      Falta um plano tatico coerente com as qualidades do grupo.
      E um tecnico capaz de tirar melhor proveito do grupo.
      ST

  2. Não vejo mediocridade nesse time. Limitado tecnicamente? Em algumas posições com certeza. E apesar de toda raça em campo e decepção administrativa, a torcida não aparece para honrar as demonstrações de caráter elevado desse grupo. Isso por si só já poderia ajudar o clube a sair do atoleiro de dívidas. Se o público pagasse pelo menos o aluguel do estádio. Não existe mágica mas cooperação, colaboração, cumplicidade. Torcedor seja cúmplice dessa equipe seja o 12o. Jogador. E por falar em saudades…

  3. O time é medíocre sim, no sentido literal da palavra, sem ser pejorativo. Medíocre é de qualidade média, mediano, comum.

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