Guerrilheiros Tricolores (por Antonio Gonzalez)

Santa classificação, nosso time jogou como pode, como conseguiu… Mas a raça, a determinação, a atitude foram fatores decisivos e nesses quesitos os nossos jogadores foram nota 10.

Do jogo em si, há pouco o que se comentar. Abel esteve muito acertado ao trocar o Renato Chaves de lado, acabando com o buraco pela esquerda da nossa defesa, a avenida Frazan.

Mas o que me traz de volta ao Panorama Tricolor é o meu dever de cidadão Tricolor, detentor de algumas medalhas de feitos inéditos na nossa torcida…

Eu quero vir a público, ficar de pé e bater palmas para esse time:

Beto Mattos, Robinho, Albert e Lucas (todos do SOBRANADA 1902), Flavio Sinno, Balu e Ricardo (os três da Força Flu) e Gabriel Diniz (da Garra Tricolor)…

Esses caras merecem o respeito eterno dos Tricolores de verdade…

Esses caras viajaram para a cidade de Potosí, depois de várias conexões de avião e horas de estradas, ruins e assassinas…

Esses caras estavam na arquibancada com suas faixas e bandeiras fazendo com que o nome do Fluminense lá estivesse representado, mesmo sofrendo seriamente, também com os efeitos da altitude…

Esses caras também vomitaram, tiveram dores de cabeça, também tiveram que recorrer a  receber oxigênio…

Esses caras são Tricolores pra caralho, bem longe dessa viadice que vem tomando conta do clube nos últimos sete anos.

Até hoje eu me orgulhava de ter participado do maior feito em se tratando de viagens internacionais… na Libertadores de 1985… Antonio Gonzalez, Alex Altman, Jorge Soró e Mario Fofoca (todos da Força Flu) Vinicius (da Young Flu) e Willian (da Jovem Flu)…

Então foram 30 horas de viagem até Uruguaiana, cruzamos a fronteira às 18h, chegamos à primeira cidade argentina, Passos de Los Libres, dormimos no chão do lado de fora da estação, bastante frio… o trem saiu às três da manhã… e foram apenas 36 horas de viagem acompanhados por um cheiro horroroso de muito chimarrão, por índios, ovelhas, cabras, galinhas e sei lá mais o que…

Ao desembarcar em Buenos Aires depois de três dias de viagem, fomos detidos pela Polícia Federal, na própria plataforma do trem… Foram só mais três horinhas  desenrolando com a “Xerifa” e mesmo que entre os meus pertences fossem encontrados os livros “Batismo de Sangue”, do Frei Betto e “Os Carbonários” do Alfredo Sirkis, conseguimos provar que não éramos ligados a nenhum grupo subversivo, tampouco iríamos fazer nenhuma reunião com os comunistas locais.

Foram quatro dias em Buenos Aires, dormindo em albergues e se alimentando uma vez por dia… como resultado: duas derrotas…

No dia 20 de Agosto enfrentamos o Ferro Carril Oeste e no dia 23 de Agosto, o Argentinos Juniors, ambos os jogos no estádio Arquitecto Ricardo Etcheverri.

O Fluminense foi derrotado na Libertadores da América em ambas as partidas por 1 a 0 e retornou ao Brasil com os mesmos dois pontos que havia conseguido anteriormente contra o Vasco.

Na partida contra o Ferro Carril Oeste, o árbitro era o Uruguaio Ernesto Fillipi e, a equipe que entrou em campo foi:

Paulo Victor, Leomir, Duílio, Vica, Renato Martins; Rogério, Delei e Assis; Renê. Washington e Tato, com Paulinho entrando no decorrer da partida. – Técnico: Roberto Pinto.

*** na foto acima: Ferro Carril x Fluminense

Já contra o Argentinos Juniors, o árbitro da partida foi Luiz La Rosa e a equipe que foi derrotada contava com a seguinte escalação:

Paulo Victor, Aldo, Ricardo Gomes, Vica e Branco; Rogério, Leomir, Renê; Wilsinho, Assis e Tato. No decorrer do jogo entraram Washington e Duílio – Técnico: Roberto Pinto.

Depois… a mesma história ao contrário… saímos de Buenos Aires no sábado e desembarcamos no Rio na terça com direito a mais seis horas de ônibus, que descobrimos depois que trazia duas toneladas de cebola de contrabando (na época estava em falta), traduzindo: uma tartaruga com 4 rodas.

Até ontem, eu tinha orgulho de saber que essa missão, a de 1985 era a mais pica de todas…  Então eu tinha 23 anos…

Ontem, ou seja quase 33 anos depois, GRAÇAS  A DEUS, aquela odisseia de 1985 foi superada…

Ao Beto Mattos, ao Robinho, ao Albert e ao Lucas (todos do SOBRANADA 1902), ao Flavio Sinno, ao Balu e ao Ricardo (os três da Força Flu) e ao Gabriel Diniz (da Garra Tricolor)… eu, como TRICOLOR DE AÇÃO (não faço parte dos fofoquinhas de teclado, menos ainda das matildes covardes e rastejantes que se acham seres superiores, mas que nunca tomaram um soco de verdade na cara por defender ao Fluminense e aos seus torcedores)… eu só posso agradecer e dizer:

TENHO POR VOCÊS O MEU MÁXIMO RESPEITO!

“O mais importante prum guerreiro é simplesmente a vontade de viver, sem parar prá pensar nos momentos que virão.  Ele sabe o que quer, sabe o que é conhece o caminho é o dono da sua verdade,do seu destino.”  (Sangue da Cidade / Di Castro) – “Brilhar a Minha Estrela (dá Mais Um)”

Essa música, que tocou repetidamente no meu walkman da Sony, naquela viagem também pode ilustrar o meu aplauso a esses verdadeiros  GUERRILHEIROS TRICOLORES.

A vida é feita por ciclos, na semana que vem passo por aqui para deixar o meu abraço, na certeza que deixo uma história no Panorama Tricolor e que sempre vou de frente e de cara em tudo o que faço na vida.

Posso morrer feliz amanhã por duas razões…

NINGUÉM poderá me chamar de COVARDE e…

Porque graças a Deus já temos novos  GUERRILHEIROS TRICOLORES!

SOBRANADA 1902 forever!

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @TomRegueirasgon

#JuntosPeloFlu

Imagem: agon/tos

3 Comments

  1. Que noite, dentro e fora das quatro linhas, senhores! Sair classificado de lá é para poucos.

  2. Aos poucos alguns vão se despedindo do Panorama. Crys Bruno, Ernesto Xavier, João Leonardo Medeiros, … agora você. Não tem como não lamentar.

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