Ganha quem tem pose e ficha (por Sergio Trigo)

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Eurico sacou o lance. Não sei se por ele mesmo, ou aconselhado por alguém próximo. O coisa-ruim, talvez. Seja como for, ele conseguiu enxergar à frente de todos. E agiu.

Eurico foi sábio ao perceber quem era o adversário a ser batido. E por mais tentador que pudesse ser voltar-se contra o Flamengo, tratou de cuidar primeiro de quem o relegava a um terceiro plano no futebol carioca.

Ainda que o seu discurso apontasse na direção da Gávea, suas ações tiveram outro alvo. Suas baforadas alcançaram as Laranjeiras. Talvez ainda nos alcancem.

Profundo conhecedor do submundo da bola, Eurico ofereceu suporte à quem pudesse nos causar problemas. Tornou-se o homem por detrás dos homens que comandam o futebol carioca desde meados da década de 1980. Note bem, meados dos anos 80. Não por acaso, momento em que nosso poderio regional passou a decair vertiginosamente.

Enganam-se aqueles que pensam que tais fatos não se relacionam. Assim como também se enganam aqueles que pensam que não temos a nossa parcela de contribuição nesse processo. É claro que temos. Só que, diferentemente do que argumentam os emocionais, ela reside em nossa incapacidade de trabalhar nas sombras e neutralizar o poder de quem queria nos ferrar. Muito mais do que naquilo que se faz no campo. Não soubemos nos defender. Estamos pagando. Caro, registre-se.

Talvez a derrota do Vilella em 87 tenha algo a ver com isso. Talvez não. Talvez nem venha mais ao caso. Talvez explique.

Fato é que desde Eurico e seus asseclas assumiram o comando do futebol no Rio de Janeiro, ganhamos um alvo na testa. E os caras acertaram.

A conjunção desses fatores tem produzido em nós um efeito devastador. Somos hoje um arremedo de nós mesmos. Somos sombra de um Fluminense que talvez só exista na memória dos mais antigos. Ou nos livros.

Aos poucos, perdemos força. Perdemos camisa. A ponto de qualquer infeliz que entre em campo com um cinto de segurança desenhado na camisa se torne capaz de acertar chutes improváveis em nossa meta. Foi assim ontem, foi assim no último jogo do ano passado, e foi assim em diversas outras oportunidades.

Há derrotas inevitáveis. Aquelas em que a superioridade do adversário não nos dá alternativa. A de ontem, não. O time deles é uma porcaria. Tão feio quanto o nosso. E por mais que profetas do passado, os comentaristas esportivos, usem seus argumentos para explicar, o que houve, a parada se resume à mística. Escrita. Camisa. Força. Peso.

Jogamos 8 vezes contra o Flamengo no ano passado. Estivemos na frente 780 vezes. Não ganhamos nenhuma partida. Sofremos com isso o ano inteiro em 2017, contra os mais variados adversários.

Tá faltando camisa. Tá faltando força. E tá faltando time, também, muito embora eu tenha plena convicção de que o nosso é igualzinho a maioria desses aí, inclusive o de ontem.

Pose e ficha. É o que se diz no pôquer. Ganha quem tem pose e ficha. E não foram poucas as vezes em que nos garantimos na pose. Na camisa. Não basta ser grande, tem que ter cara de time grande.

Esse discurso do Fluminense coitadinho, pobrezinho, sem dinheiro é um passo para o abismo. Por maior que sejam os nossos problemas financeiros. Dizem por aí que o rico deixa de ser rico quando deixa de pensar como rico. Deve valer para clube grande também. Ou a gente volta a pensar como clube grande, ou fecha. O Fluminense não tem vocação para ser pequeno.

Já rodamos na Copa do Brasil e no Estadual. O que vem por aí é ainda mais difícil. Convém não bobear. Uma nova queda poderá ser fatal.

Nosso Fluminense ainda respira. E se respira, sobrevive. E se sobrevive, pode se recuperar. Mas não será cometendo os mesmos erros de sempre.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @S_Trigo

#JuntosPeloFlu

Imagem: trigo

5 Comments

  1. Cara, falou tudo!!!

    Tenho 50 anos e cresci gritando “o Vasco é freguês”.

    Eurico enxergou o adversário a ser batido. Enquanto isso, nós amargamos Fábio Egypto, Ângelo Chaves, etc…

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