Futebol é grupo (por Paulo-Roberto Andel)

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A repentina, inesperada (mas nem tanto) e estranha (idem) saída de Diego Souza é um convite à reflexão dos torcedores do Fluminense.

Primeiro: planejamentos, gestões, trabalhos e todos os manjadíssimos dogmas contemporâneos da lida do futebol, ótimos ou péssimos, estão sujeitos, desagradavelmente, às intempéries mentais dos jogadores de futebol – e muitos destes estão longe de serem atletas na acepção da palavra. Assim, convém ficar esperto(a) para não cair nas esparrelas das declarações de amor em troca de centenas de milhares de reais, que lembram muito os relacionamentos amorosos com as profissionais da paixão e suas frases feitas. Falar é fácil; na hora da agonia é que se vê o comprometimento.

Segundo: futebol é grupo. A história secular do Fluminense sempre sobrepõs conjuntos em relação a indivíduos, por mais talentosos e vitoriosos que fossem. Procure nos tricampeões de 1917 a 1919, no timaço do fim dos anos 1930, o “timinho” campeão do mundo em 1952, o esquadrão dos anos 1980 e até mesmo o mais badalado e emblemático onze da história das Laranjeiras: a Máquina, que tinha em Rivellino seu principal nome, mas longe de ser o único numa verdadeira Seleção Brasileira. O Flu cansou de ter ídolos e ídolos, mas a caminhada vitoriosa foi feita com os grupos.

Terceiro, que Levir Culpi consiga o que ninguém conseguiu nos últimos três anos: acabar com o que parece – e apenas parece? – o tempo dirá – ser uma divisão no elenco tricolor, talvez motivada por supostas intolerâncias religiosas, talvez por supostas divergências econômico-comerciais, talvez por outros motivos que, no fim, só trazem prejuízos diversos a quem realmente faz o Fluminense existir e ter algum sentido: sua torcida.

Logo mais tem uma importante decisão em campo pela Liga.

Diego Souza é passado. Deixou a grande partida contra o Cruzeiro e só. Uma pena. Vida que segue. Fica quem quer. “Se é por falta de adeus…”, já dizia a canção.

A história aí está para ser consultada e ensinar, pelo menos aos mais humildes. A secularidade da mesma não pode nem deve ser desprezada por galhofeiros de ocasião.

Os nomes passam, o Fluminense fica.

Prudência é tudo.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @pauloandel

Imagem: pra

2 Comments

  1. Particularmente, nem gostei qd começaram a especular o DS no FLU, mas já que estava chegando mesmo, torci para que jogasse muito.
    Se não estava bem no clube ou no grupo, se estava triste pela demissão de quem o contratou, pouco me importa. O que vale para mim e o DS subiu em meu conceito por isso, é que não queria ficar, simplesmente foi embora.
    Bem melhor que ficar com discurso ensaiado de vamos jogar com atitude e etc, depois entrar em campo e ficar no caminhando, andando e seguindo a…

  2. e seguindo a canção que vemos muitas vezes em nosso escrete tricolor.

    Bem mais sincero que ficar de “migué” no departamento médico, depois como por milagre, se recuperar na hora que bem quiser jogar uma partida interessante.

    Já passou da hora de a cúpula Tricolor mostrar quem manda no clube, pq nada nem ninguém pode estar acima das Três Cores Que traduzem Tradição.

    Que seja feliz no simpático campeão de 87.

    ST

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