Fred, Flu & Seleção (por Sergio Trigo)

t_89989_natural-de-teofilo-otoni-fred-aprovou-o-apoio-do-publico-mineiro-a-selecao-brasileiraPrezados amigos, saudações tricolores.

No último sábado, Frederico voltou a estar em campo com a camisa do Fluminense. Esteve em campo, sim, pois me recuso a utilizar a expressão “jogar” para classificar o que Fred fez na última rodada. Não pelo pênalti desperdiçado, mas pelo conjunto de sua atuação.

Até aí, tudo normal e até certo ponto aceitável para um jogador com um enorme histórico de lesões e que está voltando aos poucos, depois de longo e tenebroso inverno, de consequências catastróficas.

O problema é que, de Fred, esperamos sempre mais. Fred é um jogador de qualidades técnicas inquestionáveis, com grande visão de jogo, inteligência e faro de gol. Trata-se do melhor atacante brasileiro desde o esgotamento de Ronaldo e Romário, anos-luz à frente de qualquer outro.

No próximo mês, Fred completará cinco anos no Fluminense. Sua trajetória é cheia de altos e baixos, é verdade, mas o saldo é extremamente positivo e extrapola o limite das quatro linhas. Jogador que enxerga a partida como poucos, que tem excelente relação com a bola e um poder de conclusão fantástico, Fred é um ídolo, capaz de lavar a alma da torcida tricolor e encher de inveja os que nos odeiam.

Ainda que eu não entenda de preparação física, depois de anos e anos observando o velho e violento esporte bretão acredito que atletas de alto rendimento devam reunir condições para jogar quarta e domingo, sem maiores problemas. Fred, no entanto, aparenta ter limitações físicas que por vezes o impedem de exercer o seu ofício de goleador em sua plenitude, para a tristeza da torcida tricolor e felicidade de quem nos detesta.

Ora, senhores, adotando-se a premissa que temos o melhor centroavante brasileiro e que este possui as tais restrições físicas, um bom planejamento poderia ajudá-lo a se contundir com menor frequência e, consequentemente, ajudar o clube em momentos importantes. A palavra “planejamento”, porém, parece ter evitado as Laranjeiras durante o ano de 2013…

Ainda que continuemos com carências flagrantes no elenco e com uma falta de criatividade ímpar para contratar, começamos 2014 com novidades alvissareiras, como a volta de Conca e a contratação do excelente Walter, além do retorno em grande estilo do promissor Michael.

E é aí que precisamos ter cautela… No último sábado, as (poucas) vaias direcionadas ao Fred pareciam amparadas pelas atuações de Michael e Walter na goleada sobre o Flamengo.

Já comentei em outros fóruns que nada tenho contra aqueles que vaiam. Não gosto de manifestações orquestradas, sejam elas vaias ou aplausos. Fora isso, reputo legítimas as vaias nascidas da indignação daqueles que assim se manifestam, mesmo considerando algumas manifestações de desapreço para lá de inoportunas.

Futebol é, sobretudo, emoção e cada um lida com as suas emoções como pode, ou como sabe. Eu, particularmente, não comungo da ideia de que o simples fato de um profissional remunerado se apresentar com a camisa do Fluminense seja o suficiente para blindá-lo contra apupos, ou para nos obrigar a aplaudi-lo. Pelo contrário. Para envergar a camisa tricolor, é preciso estar à altura do Fluminense. Fred está.

Tenhamos, pois, um pouco mais de cautela no trato das questões que envolvem o nosso centroavante. Objetarão alguns que podemos nos virar muito bem com Walter ou com Michael, ou até mesmo com algum outro jogador que venha a ser contratado, o que é absolutamente verdadeiro. Mas Fred precisa ser encarado não só como um jogador de raro talento, mas também como o ídolo que é para a torcida tricolor, e a condição de ídolo é intransferível.

Em forma, Fred já mostrou do que é capaz e não há porque não acreditar em um retorno do jogador ao melhor da sua forma. Seu nome figura entre os dez maiores goleadores da história do clube e estará para sempre imortalizado na memória da torcida tricolor. Por isso é preciso paciência. E quando chegar o dia em que Fred não mais reunir condições de representar o Fluminense, que a torcida tricolor saiba entender o fim desse ciclo como um processo natural, que não precisa chegar acompanhado de doses de iconoclastia.

A simples ideia de ter pela frente o Fluminense com Conca e Fred no melhor de sua forma deve causar calafrios naqueles que nos odeiam.

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No próximo domingo, o Fluminense terá pela frente o Botafogo, vítima preferencial do nosso centroavante, que já mandou nada menos do que dez bolas para as redes alvinegras. Será uma ótima oportunidade para Fred voltar a decidir.

Se não der, paciência… para isso temos Michael e Walter.

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Como não são poucos os que nos odeiam e que sofrem a cada gol do centroavante tricolor, não raro surgem rumores envolvendo o comportamento do jogador ou as suas condições físicas. Ainda mais no período que estamos vivendo, que antecede a convocação para uma Copa do Mundo realizada em gramados brasileiros.

Em tempos pré-Copa, as “cavadinhas” se tornaram cada vez mais frequentes e onda agora é tentar encaixar o centroavante da Gávea no lugar do nosso.

A ideia é simplesmente ridícula.

Ora, senhores, algum de vocês acredita que tal mobilização seria possível, caso os jogadores atuassem com as camisas trocadas?

Jogasse o Fred na Gávea e o vulgo “Brocador” nas Laranjeiras, ninguém ousaria propor a convocação do sucessor do Obina, descendente direto de Beijoca e Bujica.

A internet está aí para comprovar que não estamos paranoicos e que a campanha, ainda que desarticulada, existe. Tivesse o último Fla-Flu acabado com o seu placar invertido e o tal Brocador uma atuação parecida com a do jovem Michael, a ideia de vestir de amarelo o atacante rubro-negro teria ganhado força.

Não são poucos os que já afirmam que Fred não terá condições de jogar a Copa do Mundo e tentam cavar a convocação de um novo camisa 9. Tudo muito diferente da comoção causada pela não convocação de Romário para a Copa do Mundo de 1998, na França, quando a imprensa clamava pela inclusão do então jogador do Flamengo na lista final da CBF e pedia paciência à Comissão Técnica, ainda que já se soubesse que as chances de o Baixinho estar em campo antes das fases mais agudas da competição eram praticamente nulas.

Guardadas as devidas proporções, talvez Fred represente hoje para a seleção brasileira tanto ou mais do que Romário representava em 1998, ano em que Ronaldo e Rivaldo estavam entre os melhores do mundo.

De qualquer forma, ainda que eu não dê a mínima importância para a seleção, torço para que Fred alcance os seus objetivos e se destaque também com a camisa amarela. É bom para ele e é bom para o Fluminense, ainda que eu acredite que brilhar na Copa e arrumar um bom contrato no exterior seja um par ordenado indissociável no caso do “9” tricolor.

Para tanto, é preciso que Fred volte a jogar bem com a camisa do Fluminense e isso é o que me importa. O resto é resto, inclusive a seleção.

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Saudações Tricolores.

Panorama Tricolor

@PanoramaTri @S_Trigo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Se preferir, entre em contato por meio do endereço eletrônico strigo@globo.com, twitter (@S_Trigo) ou facebook.
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P.S.: Se você, assim como eu, tem o hábito de guardar os ingressos de partidas do Fluminense, entre em contato comigo. Possuo uma coleção de ingressos que já conta com mais de mil partidas do nosso Tricolor e tenho interesse em trocar ou adquirir aqueles que não figuram na minha coleção.

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